Lula diz que Flávio Bolsonaro entrou na política apoiado por milicianos
Por Aquiles Lins — Brasil 247
247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevou o tom das críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e afirmou que o adversário entrou na vida pública com apoio de integrantes do crime organizado e de milicianos no Rio de Janeiro. As declarações foram dadas durante entrevista a criadores de conteúdo nesta quarta-feira (30).
Lula questionou a trajetória profissional e política de Flávio e afirmou que o senador, eleito vereador do Rio de Janeiro pela primeira vez em 2000, aos 21 anos, não teria experiência profissional anterior à carreira política.
“Qual é o compromisso com qualquer seriedade que esse cara [Flávio Bolsonaro] tem? Nenhum, nenhum. Ele não tem biografia. Ele nunca trabalhou na vida. Ele foi eleito vereador com 21 anos de idade, já apoiado pelo crime organizado do Rio de Janeiro, pelos milicianos. E nunca mais parou, desde os 21 anos”, declarou Lula em entrevista a um podcast.
As acusações sobre vínculos de Flávio com milicianos têm sido exploradas por Lula na reta final da campanha presidencial. Reportagens anteriores registraram relações da família Bolsonaro com integrantes das forças de segurança posteriormente identificados em investigações sobre milícias. O próprio Flávio também homenageou, quando era deputado estadual, o ex-capitão do Bope Adriano da Nóbrega, posteriormente apontado pelas autoridades como liderança de grupo miliciano.
Lula estende críticas a Jair Bolsonaro
Durante a entrevista, o presidente também direcionou os ataques ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Lula afirmou que a trajetória política de Flávio reproduziu, em sua avaliação, o caminho seguido pelo pai.
“O pai [Jair Bolsonaro] nunca trabalhou. O pai foi para o Exército, tentou estourar um quartel, foi expulso e foi fazer o quê? Foi ser deputado, 29 anos vivendo como deputado”, afirmou.
A declaração reproduz a caracterização feita por Lula sobre a passagem de Bolsonaro pelo Exército. O episódio envolvendo um suposto plano para explosões em unidades militares foi objeto de processo na Justiça Militar na década de 1980; Bolsonaro deixou o Exército em 1988, ano em que iniciou sua carreira eleitoral.
Lula também retomou um episódio envolvendo Carlos Bolsonaro (PL), outro filho do ex-presidente. Em 2000, Carlos disputou uma vaga na Câmara Municipal do Rio de Janeiro aos 17 anos e concorreu na mesma eleição que sua mãe, Rogéria Bolsonaro. Carlos foi eleito vereador.
Disputa entre Carlos e a mãe
Ao recordar o episódio, Lula acusou Jair Bolsonaro de ter apoiado Carlos na disputa contra a própria mãe. À época, o então deputado estava politicamente rompido com Rogéria.
“Ele fez até um filho disputar com a mãe. E o filho ganhou da mãe para vereador. Dizendo ‘que viva o mais esperto’. Ou seja, é uma coisa tão abominável”, declarou o presidente.
As críticas fazem parte de uma sequência de ataques de Lula a Flávio Bolsonaro durante a campanha de 2026. Na semana passada, o petista também associou o adversário ao crime organizado ao comentar uma emenda parlamentar de R$ 200 mil destinada em 2023 a um projeto social realizado em uma área da zona oeste do Rio sob influência de milícias.
A ofensiva ocorre nos últimos dias antes do primeiro turno e coloca a trajetória política e as relações de Flávio Bolsonaro no Rio de Janeiro no centro do confronto eleitoral entre os dois candidatos.
Fonte: Brasil 247