Lula abre 4 pontos sobre Flávio Bolsonaro na espontânea da pesquisa eleitoral da Palver
Por Daniel Marcelino — JOTA
O quinto levantamento da consultoria Palver sobre a corrida presidencial, divulgado nesta terça-feira (29/9), mostra o presidente Lula (PT) quatro pontos à frente de Flávio Bolsonaro (PL) na pergunta espontânea, por 42% a 38%. É a primeira vez que a distância entre os dois nessa pergunta fica fora da faixa de incerteza calculada pela consultoria. No segundo turno, a vantagem de Flávio caiu para dois pontos, o menor patamar da série.
No cenário estimulado de primeiro turno, os dois seguem empatados, agora com 44% cada. Na rodada anterior, divulgada na última quinta-feira (24/9), tinham 43%. Renan Santos (Missão) mantém 8%. Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) aparecem com 1% cada.
Os números indicam estabilidade no cenário estimulado, mas um movimento lento e consistente a favor do presidente: nas últimas rodadas, Lula melhorou ou manteve seus números em quase todos os indicadores, enquanto Flávio ficou estável.
Diferença no 2º turno cai para dois pontos
No confronto direto, Flávio Bolsonaro aparece com 47%, contra 45% de Lula. Outros 7% dizem que votariam em branco ou nulo ou que não votariam, e 1% permanece indeciso. A diferença está dentro da margem de erro máxima da pesquisa, de 2,4 pontos percentuais.
Na rodada anterior, o senador tinha 48% e o presidente, 45%. Com a oscilação negativa de Flávio Bolsonaro, a distância caiu de três para dois pontos. Há duas rodadas, era de quatro.
Nos demais cenários, o presidente ampliou a vantagem. Contra Ronaldo Caiado, Lula tem 45%, e o ex-governador de Goiás, 40%. Na rodada anterior, o placar era de 44% a 42%. Contra Romeu Zema, Lula tem 45% e o ex-governador de Minas Gerais, 40%, ante 45% a 43% na rodada anterior. Nos dois casos, a diferença agora ficou fora da faixa de incerteza. Nos confrontos com Renan Santos e Augusto Cury, o presidente mantém vantagem ampla: 45% a 33% e 44% a 34%, respectivamente.
Rejeição de Lula recua
A rejeição do presidente caiu de 53% para 51%, o menor patamar da série. O voto com certeza em Lula se manteve em 43%. No caso de Flávio Bolsonaro, os números ficaram estáveis: 42% dizem que votariam nele com certeza, e 48% que não votariam de jeito nenhum.
Avaliação do governo fica estável
Depois da melhora registrada na rodada anterior, a avaliação do governo se manteve. Na leitura binária, 45% aprovam a maneira como Lula está lidando com o trabalho de presidente, ante 44%, e 55% desaprovam, mesmo percentual de antes.
Na leitura da avaliação, 42% classificam o governo como ótimo ou bom, 54% como ruim ou péssimo e 5% como regular, números praticamente iguais aos da rodada anterior.
Maioria apoia proibição das bets
A pesquisa incluiu, pela primeira vez, perguntas sobre a proposta do governo de proibir as apostas online. Entre os entrevistados, 65% são a favor da proibição, 18% são contra e 11% não conheciam a proposta. O apoio é majoritário em todos os recortes de sexo, idade, escolaridade, renda e região, e chega a 72% no Nordeste.
A medida divide menos do que o cenário eleitoral. Entre eleitores de Lula, 89% apoiam a proibição. Entre os de Flávio, 43% são a favor e 30% contra. Entre os de Renan Santos, 58% apoiam.
O efeito sobre o voto, porém, é limitado. Para 52%, a proposta não influencia a escolha para presidente, e 34% dizem que ela reforça o voto que já tinham. Só 1% afirma que o tema o faz considerar mudar de candidato. Entre eleitores de Lula no segundo turno, 53% dizem que a proposta reforça a escolha. Entre os de Flávio, 61% dizem que ela não tem influência.
Bolsa Família
Declaram receber o benefício em casa 15% dos entrevistados. Nesse grupo, Lula tem 57% no primeiro turno, contra 34% de Flávio. Na rodada anterior, o presidente tinha 53%. Entre quem não recebe, o senador lidera por 45% a 42%.
Sobre o reajuste do benefício anunciado pelo governo, 59% dizem que ele não tem influência sobre o voto, 35% que reforça a escolha que já fizeram e 2% que os faz considerar mudar de candidato.
Quem lidera depois de 2026
A pesquisa também perguntou, de forma espontânea, quem deve se tornar a principal liderança política de cada campo depois das eleições. Na direita, Flávio Bolsonaro é o mais citado, com 16%, seguido de quem diz que não haverá liderança (14%), do deputado Nikolas Ferreira (7%), de Renan Santos (6%) e de Tarcísio de Freitas (4%). O ex-presidente Jair Bolsonaro é citado por 5%, e outros 6% mencionam o sobrenome sem especificar qual integrante da família.
Na esquerda, a resposta mais frequente é que ninguém vai assumir esse papel (25%). Lula vem em seguida, com 18%, à frente de Fernando Haddad (6%) e Flávio Dino (5%). Nas duas perguntas, mais de um terço dos entrevistados não soube ou não respondeu.
Sobre a pesquisa
A Palver entrevistou 5.000 participantes recrutados por meio de anúncios em redes sociais, entre os dias 24 e 27 de setembro. Considerando o efeito do desenho amostral da pesquisa, a amostra efetiva é de 1.616 entrevistas pelo critério de Kish. A margem de erro amostral máxima para os resultados agregados é de 2,4 pontos percentuais, com 95% de confiança. A pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-02990/2026.
Agregador do JOTA
Assinantes do JOTA PRO Poder recebem periodicamente nestas eleições os dados do agregador de pesquisas do JOTA , a ferramenta mais precisa do mercado e que acertou os resultados das últimas eleições. Entre as informações trazidas está a probabilidade de o presidente Lula se reeleger — na última semana o índice estava em 72%.
Fonte: JOTA