Lapid acusa Netanyahu de espalhar pânico ao alertar sobre ataque antes da eleição
Por José Reinaldo — Brasil 247
247 – O líder da oposição israelense, Yair Lapid, acusou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu de “espalhar o medo” ao advertir sobre possíveis ataques contra Israel antes das eleições gerais de outubro. Após uma reunião de segurança com Netanyahu na terça-feira (29), Lapid afirmou que não havia motivo para alarmar a população e defendeu a manutenção do calendário eleitoral, segundo a Al Jazeera.
A reação ocorreu depois que o primeiro-ministro divulgou um vídeo gravado em uma base militar, diante de um caça, no qual afirmou haver “indícios de que, antes das eleições, nossos inimigos tentarão nos atacar”. Netanyahu não identificou quem poderia realizar os ataques nem apresentou publicamente detalhes sobre as informações que fundamentaram o alerta.
Lapid solicitou uma reunião urgente para receber esclarecimentos sobre as ameaças. Depois do encontro, publicou uma mensagem na qual assegurou que “não há motivo para pânico na população” e rejeitou qualquer tentativa de comprometer a votação.
“As eleições ocorrerão no prazo previsto, e ninguém tem justificativa para interrompê-las”, declarou.
O pleito está marcado para 27 de outubro, conforme a cobertura da agência AFP publicada pelo Malay Mail. Será a primeira eleição geral israelense desde os ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023.
Oposição critica uso de bases militares na campanha
Lapid também acusou Netanyahu de transformar instalações das Forças Armadas em “cenários para vídeos de campanha eleitoral”. Ao questionar a conduta do primeiro-ministro, relacionou o alerta atual às advertências que, segundo ele, o governo ignorou antes dos ataques de 2023.
“Netanyahu ignorou todos os avisos antes de 7 de outubro e agora, 28 dias antes da eleição, está de repente ocupado em espalhar o medo”, afirmou.
O líder da oposição disse que preservaria o sigilo das informações apresentadas na reunião, mas cobrou responsabilidade na abordagem pública das ameaças.
“É claro que não violarei a confidencialidade do briefing de segurança, mas é preciso dizer: as ameaças à segurança devem ser tratadas com profissionalismo e responsabilidade.”
Netanyahu, por sua vez, afirmou em outra publicação na terça-feira que havia alertado Lapid sobre possíveis ataques “em várias frentes antes das eleições”. O primeiro-ministro acrescentou que realiza reuniões periódicas para transmitir informações de segurança ao líder da oposição.
Nas últimas semanas, Netanyahu dirigiu advertências ao Irã, ao Hamas, ao Hezbollah e à Autoridade Palestina, com promessas de retaliação em caso de ataque. No vídeo que provocou a reação de Lapid, ele não especificou a qual desses atores se referia.
Pesquisas apontam disputa pela formação do próximo governo
O confronto ocorre durante uma campanha que pode decidir sobre a permanência de Netanyahu no poder. Segundo uma média de pesquisas da Reuters citada pela Al Jazeera, nenhuma das forças políticas apresenta um caminho claro para formar o próximo governo.
O levantamento coloca o Yashar, partido do ex-chefe militar Gadi Eisenkot, dois pontos percentuais à frente do Likud, legenda de direita comandada pelo primeiro-ministro. Eisenkot se tornou um dos principais adversários de Netanyahu na disputa.
A mesma média projeta 64 cadeiras para os partidos contrários ao atual governo no Knesset, o Parlamento israelense, composto por 120 integrantes. Esse resultado representaria 15 assentos a mais do que o total previsto para as legendas que apoiam Netanyahu.
A vantagem parlamentar projetada não assegura, por si só, a formação de uma coalizão de oposição. Os partidos precisam negociar uma composição capaz de sustentar um novo governo.
Lapid, Eisenkot e outros líderes oposicionistas anunciaram na semana passada um acordo para coordenar esforços eleitorais. Cada um se comprometeu a mobilizar sua base, ampliar a participação na votação e buscar apoio em diferentes setores da sociedade, com o objetivo de conquistar a maioria parlamentar.
Ataques de 2023 permanecem no centro do embate
Netanyahu chegou pela primeira vez ao cargo de primeiro-ministro em 1996 e é o governante que permaneceu por mais tempo à frente de Israel. Sua atuação antes dos ataques de outubro de 2023 continua a alimentar críticas dos adversários.
Nas últimas semanas, ele negou reportagens segundo as quais parceiros de Israel no Oriente Médio teriam transmitido advertências sobre um possível ataque do Hamas. Os rivais políticos passaram a explorar essas informações na campanha.
Os ataques de 2023 deram início à guerra israelense em Gaza, que matou mais de 76 mil palestinos, de acordo com a Al Jazeera. Desde então, Israel também se envolveu em conflitos no Líbano e com o Irã, cenário que mantém a segurança e a condução das operações militares entre os temas centrais da disputa eleitoral.
Fonte: Brasil 247