Keka Bagno será primeira mulher negra de esquerda na Câmara Legislativa do DF

0

Por Kennedy Cruz — Brasil de Fato

Todos os conteúdos de produção exclusiva e de autoria editorial do Brasil de Fato podem ser reproduzidos, desde que não sejam alterados e que se deem os devidos créditos.

No audio source provided.

Quatro anos depois de disputar o Governo do Distrito Federal (GDF), Keka Bagno (Psol-DF) foi eleita deputada distrital com 40.569 votos. Ela ficou em oitavo lugar entre os 24 eleitos para a Câmara Legislativa (CLDF) e assumirá o mandato em 2027.

A eleição leva para o Legislativo uma trajetória construída em movimentos sociais, no Conselho Tutelar e na defesa dos direitos humanos. Keka é assistente social, mestre em Políticas Públicas pela Universidade de Brasília (UnB), feminista, bissexual e se identifica como ecossocialista.

A atuação política começou ainda na universidade. Em 2008, participou das mobilizações estudantis da UnB em defesa da educação pública e, naquele período, iniciou a parceria política com Fábio Felix. Os dois seguiram caminhos próximos na defesa dos direitos humanos. Em 2026, após dois mandatos como deputado distrital, Felix foi eleito deputado federal pelo Psol com 224.224 votos, a maior para o cargo no Distrito Federal.

Antes de chegar à política institucional, Keka foi conselheira tutelar do Distrito Federal por dois mandatos, eleita em 2015 e 2019. Na segunda eleição, foi a candidata mais votada do DF. A experiência colocou a defesa dos direitos de crianças e adolescentes no centro de sua atuação.

A primeira disputa majoritária veio em 2018, quando Keka foi candidata a vice-governadora na chapa encabeçada pela professora da UnB Fátima de Sousa, também do Psol. Quatro anos depois, voltou às urnas, dessa vez como candidata ao governo do Distrito Federal. Em 2022, tornou-se a primeira mulher negra a disputar o Palácio do Buriti e recebeu 13.613 votos no primeiro turno.

Antes da eleição deste ano, Keka atuou na própria CLDF como coordenadora da Comissão de Direitos Humanos, Cidadania e Participação Legislativa, presidida por Fábio Felix. A chegada à Câmara, segundo Keka, é resultado de uma construção coletiva de mulheres negras e do campo progressista. Em entrevista ao Brasil de Fato DF, ela destacou a votação e a dificuldade enfrentada por mulheres negras para ocupar espaços institucionais.

“É uma luta muito importante que a gente fez. Foi um pacto de mulheres na nossa eleição. 40 mil votos é uma votação muito expressiva para nós, enquanto mulheres negras, que a gente tem uma grande dificuldade de estar nos mesmos espaços, com as mesmas estruturas”, declarou.

Keka será uma das duas representantes do Psol na próxima legislatura, ao lado de Max Maciel, que recebeu 92.234 votos e foi o deputado distrital mais votado da história da CLDF. A próxima composição da Casa terá cinco mulheres entre as 24 cadeiras: além de Keka, foram eleitas Estefane Sampaio (Republicanos) e Renata D’Aguiar (Republicanos), enquanto Jaqueline Silva (MDB) e Dayse Amarilio (PSB) foram reeleitas.

A nova deputada chega à Casa em uma composição que também terá parlamentares identificadas com a extrema direita. Para Keka, a presença desses grupos será um dos desafios do próximo mandato.

“Mulheres que são contra os direitos de mulheres. Isso também vai ser um grande desafio nosso, e a gente vai precisar que a bancada progressista se una junto com a mulher de esquerda para que a gente consiga manter os nossos direitos e avançar também neles”, disse a parlamentar.

A nova deputada também pretende atuar no segundo turno da eleição para o governo do DF. Depois da apuração, afirmou que seguirá mobilizada pela candidatura de Leandro Grass (PT), que disputa o Palácio do Buriti contra Celina Leão (PP).

“A partir de amanhã já vamos estar na rua para eleger Leandro Grass, para eleger Lula. Não vamos ficar de costas, não vamos virar para os problemas reais da cidade. A gente tem uma máquina para a gente enfrentar, e esse enfrentamento a gente vai fazer também durante o nosso mandato, os quatro anos”, afirmou.

A eleição também representa, para Keka, uma oportunidade de aumentar a representação política de mulheres negras no Distrito Federal.  “A gente tem que ter muita esperança. O Distrito Federal está muito acabado. O que nós temos que fazer agora é conquistar as pessoas que não votaram, que votaram nulo, que votaram em branco, pessoas que não acreditam que é possível a mudança. A gente tem que trazer isso para as pessoas”, afirmou.

Apoie a comunicação popular no DF:

Faça uma contribuição via Pix e ajude a manter o jornalismo regional independente. Doe para  [email protected]

Faça uma sugestão de reportagem sobre o Distrito Federal, por meio do número de  WhatsApp do BdF DF: 61 98304-0102

Siga nosso  perfil no Instagram  e fique por dentro das notícias da região.

Entre em nosso  canal no WhatsApp  e acompanhe as atualizações

Todos os conteúdos de produção exclusiva e de autoria editorial do Brasil de Fato podem ser reproduzidos, desde que não sejam alterados e que se deem os devidos créditos.

Fonte: Brasil de Fato

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *