Justiça torna 12 integrantes da Voepass réus por acidente que matou 62 pessoas em 2024
Por Gabriel Andrade — Carta Capital
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Aviões da empresa tinham registros falsos de manutenção ou passavam por reparos precários, com uso de peças de baixa qualidade e sem rastreabilidade
A Justiça Federal recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) e tornou 12 pessoas vinculadas à Voepass réus pela morte dos 62 ocupantes de um avião da companhia que caiu em Vinhedo (SP), no dia 9 de agosto de 2024.
O MPF instaurou o processo pelos crimes de atentado contra a segurança do transporte aéreo e sinistro em transporte aéreo. Os delitos estão relacionados não só às causas diretas do acidente, mas principalmente à cultura organizacional da empresa, que priorizava a economia de recursos e o lucro em detrimento da manutenção das aeronaves.
Entre os réus estão pessoas da cúpula da Voepass e eram responsáveis pelas decisões que propiciaram as condições para a queda do avião, um ATR 72-500 com prefixo PS-VPB. A lista inclui membros da alta administração e ocupantes de diretorias e outros postos de chefia à época do acidente.
Também responderão pelos crimes dois funcionários que, embora sem cargos de comando, tiveram contribuição direta para o desfecho daquele voo. Outras quatro pessoas indiciadas pela Polícia Federal após as investigações firmaram acordos de não persecução penal e, por isso, não foram incluídas na denúncia do MPF.
Segundo o MPF, as apurações demonstraram que os denunciados colocavam cotidianamente em prática diretrizes internas voltadas ao corte de despesas e à continuidade da operação de aeronaves a qualquer custo, mesmo cientes de que as condutas ameaçavam a segurança de passageiros e tripulantes.
Aviões tinham registros falsos de manutenção ou passavam por reparos precários, com uso de peças de baixa qualidade e sem rastreabilidade. Enquanto isso, equipes sofriam pressões permanentes para omitir dos livros de ocorrência as falhas que detectavam, seja durante os voos, seja nas inspeções em solo.
Gabriel Andrade
Editor do site de CartaCapital
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Fonte: Carta Capital