Justiça determina revisão de indenização de R$ 4,2 bi a usina que vendeu crédito ao Master

0

Por Maiara Marinho — Carta Capital

Menu

A AGU apontou falhas graves nos cálculos aprovados na fase inicial do processo e convenceu os magistrados da 7ª Turma Especializada do TRF2 de forma unânime

O Tribunal Regional Federal da 2ª Região atendeu a um pedido da Advocacia-Geral da União e ordenou que seja feita uma nova avaliação técnica sobre os danos financeiros alegados pela usina Cambahyba — empresa que integrava o grupo de companhias que repassaram seus títulos de dívida pública ao Banco Master, de Daniel Vorcaro.

A fábrica alega ter sofrido perdas em razão das regras de fixação de preços impostas ao segmento de açúcar e álcool ao longo dos anos 1980 e 1990.

A medida suspende o pagamento de uma reparação estipulada em 4,2 bilhões de reais pela 10ª Vara Federal do Rio de Janeiro, número ajustado pela Advocacia-Geral da União após ter divulgado inicialmente uma estimativa de 2,5 bilhões de reais.

A AGU apontou falhas graves nos cálculos aprovados na fase inicial do processo e convenceu os magistrados da 7ª Turma Especializada do tribunal regional de forma unânime.

Entre as fragilidades apontadas pela equipe jurídica do governo está a ausência de provas sobre a origem das quantias e a constatação de que os relatórios diários de fabricação apresentados não conseguem demonstrar as perdas financeiras efetivas da empresa.

Ao fundamentar o posicionamento favorável ao governo, o magistrado relator Ferreira Neves mencionou a norma do Código Civil que impede o ganho financeiro sem justificativa legal.

Ele afirmou que conceder recursos públicos a uma firma fundamentando-se exclusivamente em tabelas hipotéticas, sem considerar o faturamento registrado e os recibos de venda, significaria conceder uma recompensa indevida custeada pelo erário.

A usina Cambahyba integra o grupo de companhias que repassaram seus títulos de dívida pública ao Banco Master. Esses papéis correspondem a obrigações financeiras reconhecidas em definitivo pela Justiça que o governo federal precisa quitar junto a pessoas físicas e jurídicas.

O dono da instituição financeira, Daniel Vorcaro, utilizava a aquisição desses haveres por valores equivalentes a 10% ou 20% do montante original para inflar o patrimônio do banco, registrando os títulos posteriormente por quantias bilionárias.

O desdobramento na Justiça Federal ocorre em meio a outras ações contra o esquema. Na última quarta-feira, dia 23, o Conselho Nacional de Justiça atendeu a outro pleito da AGU e anulou 16 títulos de dívida repassados à instituição financeira, garantindo o retorno de 4,7 bilhões de reais ao Tesouro Nacional.

O advogado-geral da União, Jorge Messias, usou suas redes digitais no mesmo dia para comemorar a liminar do conselho.

Em sua mensagem, o ministro vinculou o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) ao proprietário do Banco Master, declarando que enquanto o candidato buscou o banqueiro para solicitar cifras milionárias voltadas ao interesse familiar, a gestão atual evitou que esse dano aos cofres públicos se efetuasse.


Maiara Marinho

Repórter de CartaCapital baseada em Brasília, cobrindo o Poder Judiciário. Possui menção honrosa pela Agência LivreJor e mestrado em Comunicação e Cultura na UFRJ. Publicações em Le Monde Diplomatique Brasil, UOL e Repórter Brasil.

Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. Nós não. O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo.

O combate à desigualdade nos importa. A denúncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego à verdade factual e a honestidade.

Estamos aqui, há mais de 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.

Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.


Desenvolvido por OKN Technology Agency

Fonte: Carta Capital

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *