Jeffrey Sachs expõe colapso da aliança ocidental e alerta: ‘Rússia ignora o teatro de Trump e avança no front’
Por Redação Brasil 247 — Brasil 247
247 – Em uma análise contundente concedida ao canal Judging Freedom, apresentado pelo ex-juiz Andrew Napolitano, o professor e analista de relações internacionais Jeffrey Sachs desnudou a crise estrutural que atinge a aliança ocidental e o conflito na Ucrânia. Para o economista, os recentes movimentos e anúncios de Donald Trump — incluindo cobranças públicas pela saída de Volodymyr Zelensky da presidência ucraniana — revelam uma ruptura sem precedentes entre os Estados Unidos e a União Europeia.
Logo no início do diálogo, Napolitano relembrou as manifestações de Trump sugerindo a necessidade de substituição da liderança em Kiev, além das declarações do alto comando da OTAN, que alertou que a postura defensiva do bloco “não deve ser confundida com fraqueza”. Sachs, no entanto, foi enfático ao desmistificar a retórica militar:
“Generais da OTAN fazem declarações desse tipo diariamente, é o trabalho deles. O que realmente chama a atenção não é isso, mas o espetáculo caótico instaurado: Trump ataca Zelensky, Zelensky ataca Trump, anúncios de acordos são feitos e os europeus reagem estarrecidos. Onde está a aliança? Não há aliança hoje em dia”, pontuou Sachs.
Ruptura transatlântica e diplomacia errática
Para Sachs, o atual cenário internacional é marcado pela ausência total de coordenação entre os aliados históricos do bloco ocidental. O economista observou que não há mais qualquer semelhança com um sistema diplomático funcional ou consultivo:
- Isolamento e desconfiança mútua: Estados Unidos e Europa estão em rota de colisão, com governos europeus pegos de surpresa por manobras e declarações unilaterais de Washington.
- Tensão direta entre Washington e Kiev: Os atritos explícitos entre Trump e Zelensky evidenciam o esgotamento do modelo de tutela mantido nos últimos anos.
- Retórica desconectada da realidade: A profusão de declarações vazias gera ruído político, mas é incapaz de construir pontes reais para uma resolução pacífica.
“O que se vê nos últimos dias é absolutamente bizarro: ninguém consulta ninguém. A Europa e os Estados Unidos estão em conflito aberto, Zelensky e Trump em confronto direto. Essa é a realidade da diplomacia atual”, destacou o professor.
Moscou segue seu curso militar sem ilusões
Questionado por Napolitano sobre a possibilidade de Vladimir Putin depositar qualquer confiança em conversas ou acordos ventilados por Trump — especialmente após fracassos em rodadas de negociação anteriores —, Sachs descartou qualquer expectativa de ingenuidade por parte do Kremlin.
Segundo o analista, o governo russo compreende a volatilidade da política norte-americana e trata as declarações midiáticas como mero espetáculo paralelo (sideshow):
“Não vejo nenhuma evidência de confiança estendida. Os russos continuam suas operações militares com total desconsideração pelo que é dito nos últimos dois dias. Estão simplesmente avançando no terreno como vinham fazendo.”
Sachs reiterou que não há trégua energética, cessar-fogo estruturado ou grandes acordos consolidados nos bastidores: “Trump faz anúncios, diz coisas que todos sabem que não têm substância na prática, enquanto a realidade no front segue seu curso implacável”.
O alerta final: a urgência de uma liderança madura na Europa
Ao analisar o destino da Ucrânia, Jeffrey Sachs apontou que a dinâmica militar é desfavorável a Kiev e que a persistência na via bélica caminha para um desfecho trágico. Para ele, a insistência das capitais europeus em alimentar um conflito sem saída estratégica beira o suicídio geopolítico.
O economista concluiu com um apelo pela retomada da racionalidade diplomática internacional:
“Isso terminará em tragédia, a menos que, de alguma forma, apareça uma liderança madura na Europa que se levante e diga: ‘isto tem de parar’. Do contrário, a Europa vai continuar ‘amando’ a Ucrânia até a sua completa destruição.”
Fonte: Brasil 247