JB Carvalho, pastor de igreja frequentada por Flávio, defendeu retirar título de Aparecida em livro
Por Luis Mauro Filho — Brasil 247
247 – O bispo JB Carvalho defendeu que Nossa Senhora Aparecida deixasse de ser reconhecida como padroeira do Brasil em livro publicado em 2001. Na obra A Bomba: A verdade pode ser explosiva, o religioso também questionou a legalidade do feriado nacional de 12 de outubro e pediu mobilização de cristãos e parlamentares para alterar o reconhecimento da santa.
A posição foi revelada neste domingo (27) pela coluna de Matheus Leitão, do Metrópoles. Carvalho é fundador da Comunidade das Nações, igreja de Brasília frequentada por Flávio Bolsonaro e onde o político e sua esposa, Fernanda Bolsonaro, foram batizados em 2024.
No capítulo intitulado A Rainha dos Céus no Brasil, Carvalho sustenta que o reconhecimento de Nossa Senhora Aparecida como padroeira nacional seria incompatível com a separação entre Igreja e Estado. Segundo a obra, o religioso considera ilegal a lei que estabelece a homenagem e defende que Jesus Cristo seja reconhecido como único Senhor do Brasil.
A afirmação sobre a legalidade da norma corresponde à interpretação defendida pelo próprio pastor. Não se trata de uma declaração de inconstitucionalidade feita pela Justiça.
A posição reaparece na parte final do livro. Carvalho conclama cristãos a protestarem contra o que considera a institucionalização de uma forma de adoração pagã e solicita que deputados e senadores atuem para que Nossa Senhora Aparecida deixe de ser reconhecida como padroeira do país.
A publicação do conteúdo ocorre durante a campanha presidencial de 2026 e chama atenção pela relação mantida entre Carvalho e Flávio Bolsonaro (PL). O vínculo entre os dois, entretanto, não permite atribuir ao candidato as posições defendidas pelo bispo há 25 anos.
Flávio e Fernanda Bolsonaro foram batizados na Comunidade das Nações em 2024. O então senador passou a frequentar cultos da instituição e manteve publicamente a ligação com a igreja.
Em 7 de dezembro de 2025, dois dias depois de anunciar sua pré-candidatura à Presidência da República, Flávio escolheu a Comunidade das Nações para sua primeira aparição pública depois do anúncio.
A relação de Carvalho com integrantes da família Bolsonaro também aparece em outros episódios. Em novembro de 2025, Flávio levou ao pai, Jair Bolsonaro, um exemplar de Metanoia: A chave está em sua mente, escrito pelo bispo. Em janeiro de 2026, Michelle Bolsonaro levou a Jair outra obra de Carvalho, A jornada de meninos a homens.
A proximidade documentada entre o líder religioso e a família Bolsonaro, porém, não comprova que Flávio tenha aderido ao conjunto de posições religiosas e políticas apresentadas pelo bispo em seus livros.
Flávio nega proposta sobre Nossa Senhora Aparecida
Flávio Bolsonaro negou que pretenda retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. A manifestação ocorreu após circularem nas redes sociais publicações que atribuíam ao candidato um plano para promover a mudança caso chegasse à Presidência.
A distinção é central para o episódio: o livro de Carvalho contém uma defesa explícita da retirada do reconhecimento nacional de Aparecida, enquanto não há no material apresentado evidência de que Flávio tenha assumido essa proposta.
O candidato fez, no entanto, uma declaração religiosa que se aproxima de outra formulação encontrada na obra do bispo. Em vídeo divulgado em agosto de 2026, Flávio afirmou que, se eleito presidente, um de seus primeiros atos seria decretar que o Brasil pertence a Jesus Cristo.
A declaração não mencionou Nossa Senhora Aparecida nem propôs retirar da santa o reconhecimento de padroeira do país.
A campanha de Flávio também promoveu, durante a controvérsia, uma transmissão com representantes de diferentes religiões. Entre os participantes estava Sérgio Pina, apresentado como pai de santo do candomblé.
O que estabelece a lei
Nossa Senhora Aparecida é reconhecida legalmente como padroeira do Brasil pela Lei nº 6.802, de 30 de junho de 1980. A norma também declara 12 de outubro feriado nacional e estabelece a data para celebração dedicada à santa.
É justamente essa legislação que Carvalho contesta em seu livro. A obra sustenta que a norma entraria em conflito com a separação entre Estado e religião e defende sua alteração por meio da atuação de parlamentares.
Fonte: Brasil 247