Jair Bolsonaro quer Sachsida na Fazenda caso Flávio Bolsonaro vença
Por Redação Brasil 247 — Brasil 247
247 – O ex-presidente Jair Bolsonaro tem Adolfo Sachsida como seu nome preferido para assumir o Ministério da Fazenda em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL). A informação foi publicada pela Folha de S.Paulo, com base em relatos de seis pessoas ligadas à campanha presidencial do senador. Embora tenha a confiança do ex-presidente e coordene atualmente a formulação do programa econômico da candidatura, Sachsida enfrenta a concorrência de nomes apoiados por diferentes grupos políticos e representantes do mercado financeiro.
Advogado e economista, Sachsida reúne características consideradas importantes por Jair Bolsonaro para a condução da política econômica. Segundo os relatos, o ex-presidente deseja um perfil técnico que não tenha vínculos empregatícios com banqueiros ou empresários envolvidos na compra de precatórios.
A preferência, entretanto, não significa que a indicação esteja definida. A escolha dependerá da decisão de Flávio Bolsonaro e das negociações políticas em torno de uma eventual composição ministerial.
Relação de confiança com a família Bolsonaro
Sachsida acompanha Jair Bolsonaro desde a campanha presidencial de 2018, quando apoiou sua candidatura ainda nas etapas iniciais. Após a vitória eleitoral, passou a integrar o governo e ocupou diferentes posições na equipe econômica, chegando ao comando do Ministério de Minas e Energia.
Atualmente, também atua como um dos advogados do ex-presidente, condenado a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado e que cumpre prisão domiciliar.
A proximidade com a família Bolsonaro é considerada um dos principais fatores que sustentam seu nome na disputa pelo Ministério da Fazenda.
Flávio Bolsonaro visitou o pai na terça-feira (13), pela primeira vez desde julho, e voltou a encontrá-lo na quinta-feira (15). Os encontros também abriram espaço para conversas sobre os rumos da campanha presidencial.
Na estrutura da candidatura, Sachsida coordena a equipe econômica e lidera grupos técnicos responsáveis pela elaboração do plano de governo. O economista também mantém contatos frequentes com empresários, banqueiros e representantes do mercado financeiro.
A campanha anunciou a colaboração de cem economistas, embora não tenha divulgado a relação completa dos participantes. Sachsida teria sob sua responsabilidade 25 grupos técnicos dedicados à formulação de propostas.
Ajuste fiscal e redução de gastos estão entre as prioridades
A orientação econômica defendida por Sachsida está concentrada no controle das despesas públicas e na adoção de mecanismos fiscais vinculados ao nível de endividamento do país.
Em evento realizado na Casa Lide, no início de setembro, o ex-ministro defendeu uma política de consolidação fiscal baseada na redução de gastos, sem aumento da carga tributária.
“Precisamos de um ajuste feito via controle de gastos, não dá para criar mais novos tributos. Nosso processo de consolidação fiscal é através de redução de gastos. Em um ano e meio vamos resolver o lado fiscal da economia. Não é mágica, é conhecimento sólido”, afirmou.
Entre outras medidas, Sachsida também defendeu a redução do número de ministérios e o controle dos chamados supersalários no serviço público.
O debate econômico na campanha ganhou novos contornos diante de informações sobre propostas de contenção de despesas que poderiam alcançar R$ 250 bilhões.
Entre as medidas mencionadas estão a possibilidade de limitar à inflação os reajustes de aposentadorias e de despesas com saúde e educação, desvinculando benefícios previdenciários e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) dos aumentos reais do salário mínimo.
Outra hipótese seria alterar os pisos constitucionais que vinculam os investimentos públicos em saúde e educação a percentuais da receita.
Sachsida, entretanto, negou que essas propostas façam parte do programa econômico de Flávio Bolsonaro. Também afirmou a interlocutores que não foi responsável pela sugestão de um ajuste fiscal equivalente a 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB).
Disputa com nomes do mercado financeiro
Apesar da preferência de Jair Bolsonaro, Sachsida não é apontado como a principal escolha de setores do mercado financeiro para o comando da Fazenda.
O economista não enfrenta uma rejeição generalizada, mas reconheceria, em conversas reservadas, que suas possibilidades podem ser reduzidas diante da pressão para que a pasta seja entregue a alguém com trajetória mais diretamente ligada às instituições financeiras.
Entre os nomes mencionados nas articulações estão Marcelo Kayath, ex-Credit Suisse, que teria o apoio do deputado Eduardo Bolsonaro; Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, associado ao grupo político do governador paulista Tarcísio de Freitas; Mansueto Almeida, ex-secretário do Tesouro Nacional e atualmente ligado ao BTG Pactual; e Alexandre Bettamio, do Bank of America.
A presença desses nomes demonstra que a definição da equipe econômica poderá envolver interesses de diferentes setores políticos e financeiros.
Na campanha, Sachsida também ampliou sua participação nas discussões cotidianas sobre economia, ocupando parte do espaço anteriormente exercido por Daniella Marques.
Ela permanece como porta-voz de Flávio Bolsonaro e é mencionada como possível integrante de uma futura pasta da área social.
Trajetória no governo Bolsonaro
Antes de assumir o Ministério de Minas e Energia, Sachsida ocupou os cargos de secretário de Política Econômica e chefe da Assessoria Especial de Assuntos Estratégicos do Ministério da Economia, durante a gestão de Paulo Guedes.
Embora tenha integrado a equipe de Guedes desde o início do governo Bolsonaro, não é identificado por todos os integrantes do grupo político como um representante direto do ex-ministro.
Essa distinção pode favorecer sua posição entre aliados que atribuem a decisões econômicas do governo anterior parte das dificuldades enfrentadas pela candidatura à reeleição de Jair Bolsonaro em 2022.
Além do Ministério da Fazenda, Sachsida já teve seu nome mencionado para outras funções em um eventual governo Flávio Bolsonaro, incluindo os ministérios da Infraestrutura e do Planejamento e a presidência da Petrobras.
Sua entrada formal na equipe de campanha ocorreu em 18 de agosto, depois de inicialmente negar que integrasse o núcleo da candidatura.
A definição sobre o comando da Fazenda permanece em aberto. Sachsida conta com a preferência de Jair Bolsonaro e ocupa uma posição central na elaboração do programa econômico, mas a decisão final dependerá de Flávio Bolsonaro e das articulações políticas e empresariais que acompanham a disputa pelo ministério.
Fonte: Brasil 247