Irã insiste em solução diplomática após Trump rejeitar plano de paz para o Estreito de Ormuz

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Por Guilherme Levorato — Brasil 247

247 – O governo do Irã reiterou neste domingo (27) que apenas a diplomacia pode resolver o conflito com os Estados Unidos e Israel, após o presidente norte-americano Donald Trump declarar que rejeitou a proposta iraniana para reabrir o Estreito de Ormuz e encerrar os combates na região, informa a agência de notícias Reuters.

“Nossas condições são claras, e qualquer movimento no sentido de reabrir o Estreito de Ormuz está condicionado ao cumprimento dessas condições”, afirmou o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, em publicação nas redes sociais. “Apenas uma solução negociada pode nos tirar desse impasse”, completou o diplomata.

A proposta de paz de Teerã foi apresentada na semana passada durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, e transmitida às autoridades norte-americanas por meio de mediadores do Catar. O plano estabelecia uma contagem regressiva de sete dias para a reabertura do estreito e uma pausa nos combates regionais.

Segundo Araqchi, a aprovação do plano inicial permitiria que as partes em conflito iniciassem conversações mais amplas. “Se houver seriedade do lado dos EUA para chegar a um acordo e reabrir o Estreito de Ormuz, tudo está preparado agora”, disse o chanceler a jornalistas na ONU, ressaltando que a pauta posterior incluiria “assuntos mutuamente acordados”.

No entanto, Trump afirmou no sábado (26) à imprensa que recusou o plano e alegou que o desespero financeiro impulsiona a busca dos iranianos por um entendimento sobre a rota marítima. “Eles querem fazer um acordo para abrir o Estreito de Ormuz imediatamente porque estão perdendo muito feio”, declarou o presidente dos EUA a jornalistas na Casa Branca.

Apesar do posicionamento público de Trump, a diplomacia iraniana afirmou que a negativa não foi formalmente repassada pelos canais de mediação. “Estamos aguardando que os mediadores nos transmitam as posições definitivas, e tomaremos uma decisão com base nelas”, explicou Araqchi.

Bloqueio e bastidores em Washington

Os Estados Unidos mantêm um bloqueio econômico ao Irã com o objetivo de pressionar Teerã a interromper ataques contra embarcações no Estreito de Ormuz. Os incidentes reduziram drasticamente o tráfego comercial pela região, embora Washington afirme repetidamente ter o controle da via navegável.

O jornal The Wall Street Journal revelou que Trump rejeitou a proposta iraniana por ceticismo de que Teerã vá atender às suas exigências. Segundo autoridades norte-americanas citadas pelo periódico, o presidente disse à sua equipe que considera provável uma nova campanha de bombardeios após as eleições parlamentares de novembro nos EUA.

Por outro lado, declarações de outros representantes do governo norte-americano divergiram do tom do presidente, classificando as conversas indiretas promovidas pelos mediadores como “positivas e construtivas”.

O comandante-em-chefe do Exército do Irã, Amir Hatami, alertou que o conflito atingiu uma etapa crítica e decisiva, deixando claro que Teerã não aceitará ficar impedido de comercializar enquanto forças estrangeiras utilizam as rotas marítimas estratégicas da região. “Se o Irã não puder negociar, se o Irã não puder viver, ninguém poderá negociar ou viver”, disse o comandante militar em declarações transmitidas pela mídia estatal iraniana.

Impactos no mercado global e a questão nuclear

O impasse no Estreito de Ormuz já dura sete meses e causa sérias perturbações no fluxo internacional de petróleo, afetando a economia global e levando o Irã a dialogar também com a Arábia Saudita sobre a segurança no canal.

As potenciais conversações posteriores poderiam incluir o programa nuclear iraniano. Trump citou a prevenção de que Teerã adquira uma bomba nuclear como um dos principais objetivos ao iniciar a guerra, além de buscar encerrar a capacidade do Irã de atacar vizinhos e criar condições para que a população iraniana derrube seus líderes.

Contudo, uma autoridade sênior do governo iraniano declarou à agência Reuters que o país não mostrará flexibilidade nem cederá em relação aos seus direitos nucleares, o que inclui a continuação do enriquecimento de urânio e a recusa em enviar seu estoque altamente enriquecido para fora do território.

Em entrevista ao programa “Face the Nation“, da emissora norte-americana CBS, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, reforçou a disposição do país para o diálogo sobre o programa nuclear e outros temas, mas rejeitou qualquer tipo de intimidação. “O Irã não busca a guerra, mas se defenderá contra pressões, ameaças e ataques”, declarou Pezeshkian, reiterando que seu país já concordou que “não devemos desenvolver armas nucleares”.

Ataque aéreo deixa mortos no Iêmen

Tentativas anteriores de diplomacia falharam em encerrar a guerra, iniciada em 28 de fevereiro com ataques dos EUA e de Israel contra o Irã. Desde então, o conflito tem se alternado entre pausas e novos bombardeios, matando milhares de pessoas, degradando as forças convencionais do Irã e prejudicando sua economia.

Em resposta, o Irã e seus aliados expandiram o conflito por toda a região. Teerã atingiu aliados dos EUA no Golfo com drones e mísseis, enquanto seus aliados Houthi, no Iêmen, atacaram interesses sauditas.

No domingo, o Ministério da Saúde do Iêmen, controlado pelos Houthi, informou que sete pessoas morreram e 40 ficaram feridas, incluindo crianças, após um ataque aéreo atingir lojas em um mercado no cruzamento de Mawiya, na província de Taiz, no sudoeste do país. Mais tarde, o governo do Iêmen reconhecido internacionalmente afirmou que suas forças atacaram um acampamento militar e veículos dos Houthi no mesmo local.

Fonte: Brasil 247

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