China defende multilateralismo e propõe cooperação global para enfrentar desafios comuns

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Por Redação Brasil 247 — Brasil 247

247 – A China defendeu o fortalecimento do multilateralismo e uma maior cooperação entre as nações para enfrentar conflitos, desigualdades e os desafios globais. Em discurso na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, o vice-presidente chinês Han Zheng afirmou que Pequim trabalhará com todos os países para construir uma “comunidade com um futuro compartilhado para a humanidade”, informou a Xinhua. A participação de Han na Assembleia Geral ocorreu entre 24 e 26 de setembro.

Segundo Han, o cenário internacional é marcado pela persistência de conflitos geopolíticos, pelo aumento das diferenças de desenvolvimento entre países e pela multiplicação de desafios que não podem ser solucionados isoladamente. Nesse contexto, o vice-presidente apresentou as quatro iniciativas globais formuladas pelo presidente Xi Jinping — Desenvolvimento, Segurança, Civilização e Governança Global — como parte da proposta chinesa para enfrentar esses problemas e reformar o sistema de governança internacional.

Na área de segurança, Han defendeu a preservação do sistema internacional centrado nas Nações Unidas e da ordem internacional estabelecida após a Segunda Guerra Mundial. Segundo ele, disputas entre países devem ser solucionadas pelo diálogo e pela consulta, com respeito à Carta da ONU e ao direito internacional. O vice-presidente também se posicionou contra ações militares unilaterais realizadas sem autorização do Conselho de Segurança e afirmou que as grandes potências têm responsabilidade especial na preservação da paz.

Desenvolvimento e Sul Global

O desenvolvimento ocupou posição central no discurso chinês. Han defendeu uma parceria internacional baseada em igualdade e inclusão, com prioridade para redução da pobreza, segurança alimentar e transição energética. Também cobrou dos países desenvolvidos o cumprimento de compromissos de financiamento para o desenvolvimento e para o enfrentamento das mudanças climáticas.

A China também voltou a destacar a necessidade de ampliar a representação e a voz dos países do Sul Global nas instituições internacionais. Segundo Han, eventuais reformas das Nações Unidas devem fortalecer a organização e aumentar sua capacidade de responder às transformações do sistema internacional, preservando ao mesmo tempo o princípio da igualdade soberana entre os Estados.

A redução da desigualdade tecnológica foi outro ponto abordado. Ao tratar da inteligência artificial, Han defendeu uma abordagem centrada nas pessoas, capaz de utilizar a tecnologia para o desenvolvimento e para o bem comum. Para o governo chinês, a expansão da IA deve ser acompanhada de esforços para diminuir a desigualdade digital e distribuir seus benefícios de maneira mais ampla.

Na economia, o vice-presidente criticou o protecionismo e defendeu a preservação do sistema multilateral de comércio centrado na Organização Mundial do Comércio. Segundo ele, nenhum país consegue se desenvolver plenamente sem um ambiente internacional aberto e cooperativo.

Diálogo entre diferentes civilizações

Han também relacionou a estabilidade internacional ao respeito à diversidade cultural e política. A posição apresentada por Pequim é de que os países devem respeitar os caminhos de desenvolvimento escolhidos por outros povos e ampliar o diálogo entre diferentes civilizações, evitando preconceitos ideológicos e tentativas de estabelecer modelos universais.

Nesse sentido, a China sustenta que países grandes e pequenos devem participar em condições de igualdade da governança internacional e que decisões sobre problemas globais precisam ser construídas por meio de consultas. Pequim também defende reformas destinadas a tornar o sistema internacional mais representativo dos países em desenvolvimento.

O vice-presidente lembrou ainda que 2026 marca 55 anos da restauração do assento da República Popular da China nas Nações Unidas, determinada pela Resolução 2758 da Assembleia Geral em 1971. Han afirmou que, desde então, seu país tem procurado contribuir para a estabilidade internacional, o desenvolvimento econômico e a ampliação da participação dos países em desenvolvimento na governança mundial.

Segundo dados apresentados por Han, a China respondeu por aproximadamente 30% do crescimento econômico mundial nos últimos anos e mobilizou mais de US$ 23 bilhões por meio da Iniciativa de Desenvolvimento Global. O país também concedeu acesso com tarifa zero aos produtos provenientes dos países africanos e das nações menos desenvolvidas com as quais mantém relações diplomáticas.

Ao encerrar sua participação, Han reafirmou a visão de Pequim de que os grandes desafios contemporâneos exigem mais cooperação internacional, e não menos. A proposta chinesa, segundo o vice-presidente, passa pelo fortalecimento das Nações Unidas, pelo diálogo para a solução de conflitos, pelo desenvolvimento compartilhado e pela construção de uma ordem internacional em que os países do Sul Global tenham maior participação nas decisões.

Fonte: Brasil 247

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