Irã e EUA trocam ameaças após ataques houthis à Arábia Saudita
Por Redação Brasil 247 — Brasil 247
247 – A troca de ameaças entre Irã e Estados Unidos após os ataques houthis à Arábia Saudita ampliou o conflito regional, colocou rotas estratégicas de energia sob pressão e aumentou o risco de cancelamento de voos e fechamento do espaço aéreo no Oriente Médio.
Segundo a Reuters, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, advertiu que a liderança iraniana poderia enfrentar o colapso econômico ou ser eliminada caso não aceitasse um acordo. Em resposta, o comando militar central do Irã anunciou que qualquer nova ofensiva provocaria uma retaliação prolongada contra bases e interesses norte-americanos.
As Forças Armadas iranianas também afirmaram que países aliados de Washington na região seriam tratados como participantes do conflito se colaborassem com um ataque. O comando declarou possuir informações sobre a preparação de uma nova ofensiva, mas não apresentou detalhes sobre a origem dos dados nem sobre os possíveis alvos.
As novas advertências aprofundam um impasse que se arrasta há meses. Estados Unidos e Irã mantêm posições divergentes, enquanto os efeitos militares e econômicos do confronto atingem outros países do Oriente Médio e interferem no abastecimento mundial de petróleo e gás.
Em conversa telefônica com um jornalista da Fox News, Trump afirmou que as autoridades iranianas teriam três caminhos: chegar a um entendimento, enfrentar o agravamento da crise econômica ou correr o risco de perder sua liderança. A declaração foi relatada pelo jornalista, sem a divulgação de uma citação direta do presidente norte-americano.
Apesar do tom ameaçador, Trump indicou que estaria disposto a se encontrar com o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian. O chefe de Estado iraniano é esperado em Nova York para participar da Assembleia Geral das Nações Unidas, o que abre uma possível janela diplomática em meio à escalada.
Desde o início do conflito, desencadeado pelos ataques realizados por Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro, Trump tem mencionado a possibilidade de ampliar as operações militares. Até agora, porém, as ameaças de uma ofensiva de maior alcance não foram concretizadas.
Ataques houthis atingem entorno de Riad
A tensão aumentou após o movimento houthi, do Iêmen, lançar mísseis e drones contra Riad, capital da Arábia Saudita. Os ataques ocorreram depois de avanços militares do grupo na guerra civil iemenita, retomada com maior intensidade no início de setembro.
Um vídeo da Reuters mostrou uma grande coluna de fumaça preta nas proximidades do principal aeroporto internacional de Riad depois de explosões registradas durante a noite. O governo saudita não comentou diretamente o episódio.
A coalizão liderada pela Arábia Saudita, que combate os houthis no Iêmen, informou ter impedido outras investidas contra o território do reino. A sequência de ataques coloca Riad diante de uma decisão estratégica: manter os bombardeios para tentar conter o avanço houthi ou reduzir as operações militares na expectativa de evitar novas ações contra aeroportos, instalações de energia e outras estruturas essenciais.
Os países árabes do Golfo já sofrem os efeitos da guerra iniciada sem aviso prévio pelos Estados Unidos e por Israel. Cidades da região passaram a ficar expostas a ataques iranianos, enquanto o bloqueio do Estreito de Ormuz prejudica exportações e atividades econômicas.
Estados Unidos alertam para escalada imprevista
Diante da ofensiva houthi, o Departamento de Estado dos Estados Unidos emitiu um alerta de segurança sobre a possibilidade de uma escalada inesperada no Oriente Médio. O governo recomendou que cidadãos norte-americanos aumentem a vigilância e acompanhem eventuais cancelamentos de voos e fechamentos do espaço aéreo.
O aviso evidencia o risco de que o confronto ultrapasse as frentes militares já abertas e atinja de maneira mais intensa a aviação civil e a infraestrutura de países aliados de Washington.
A ampliação territorial dos houthis representa outro fator de instabilidade. Com seus recentes avanços pela costa do Iêmen, o movimento passou a ocupar posições próximas ao Estreito de Bab el-Mandeb, passagem que conecta o Mar Vermelho às rotas marítimas da Ásia.
O controle dessa área facilita a interferência houthi no tráfego de navios e aumenta a possibilidade de bloqueio de uma das principais vias do comércio internacional. A região concentra embarcações que transportam petróleo, gás e mercadorias entre a Ásia, o Oriente Médio, a Europa e o norte da África.
Bloqueios pressionam mercado de energia
A situação torna-se ainda mais grave porque o Irã já restringe a maior parte do transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz. Com Ormuz e Bab el-Mandeb ameaçados simultaneamente, as exportações de energia produzida no Golfo ficam quase totalmente isoladas dos mercados internacionais.
A redução do fluxo de petróleo e gás amplia a pressão sobre as cotações internacionais e agrava uma crise energética com efeitos para países importadores. O Estreito de Ormuz é a principal saída marítima para produtores como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuwait e Iraque.
Ao mesmo tempo, o bloqueio norte-americano aos portos iranianos impede Teerã de comercializar parte significativa de seu próprio petróleo. A medida contribui para a deterioração da economia iraniana, já afetada pelo conflito e pelas restrições internacionais.
Mesmo diante dos prejuízos econômicos, não há sinais concretos de retomada do cessar-fogo provisório firmado em junho. O acordo entrou em colapso em julho, depois de divergências entre as partes sobre as condições acertadas.
O governo iraniano reiterou que não reabrirá o Estreito de Ormuz enquanto não forem cumpridos os termos do acordo de junho conforme a interpretação de Teerã.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, defendeu a continuidade simultânea das ações militares e das negociações. Segundo ele, o país precisa combater seus adversários e recorrer à diplomacia para consolidar eventuais avanços, num cenário em que as ameaças militares convivem com a possibilidade de contatos durante a Assembleia Geral da ONU.
Fonte: Brasil 247