Irã aguarda resposta dos EUA a plano para reabrir o Estreito de Ormuz

0

Por José Reinaldo — Brasil 247

247 – Teerã aguarda uma posição oficial de Washington sobre a proposta de reabrir o Estreito de Ormuz e interromper os combates no Oriente Médio. O plano, apresentado pelo Irã durante a Assembleia Geral da ONU, prevê que as duas medidas sejam implementadas em sete dias, segundo a Reuters.

A iniciativa foi transmitida aos Estados Unidos por mediadores do Catar. De acordo com a Reuters, o Wall Street Journal informou que o presidente americano, Donald Trump, rejeitou a oferta e manifestou, em conversas privadas, dúvidas de que o Irã aceite suas exigências. A reportagem do jornal atribui a informação a autoridades americanas não identificadas. Antes disso, uma autoridade dos EUA havia descrito os contatos indiretos como “positivos e construtivos”.

O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, afirmou na sexta-feira (25), em Nova York, que a aceitação da proposta daria início à contagem de sete dias para a reabertura da rota marítima e a suspensão das hostilidades na região. “Se os EUA estiverem realmente empenhados em chegar a um acordo e reabrir o Estreito de Ormuz, tudo já está preparado”, disse. Segundo ele, as partes poderiam então negociar outros temas definidos em comum.

O plano iraniano abrange a interrupção dos confrontos em todas as frentes, inclusive no Líbano. Em contrapartida, Teerã exige que os Estados Unidos encerrem o bloqueio de seus portos, liberem recursos iranianos congelados e suspendam as sanções ao petróleo do país, conforme Araqchi.

O programa nuclear é um dos principais obstáculos a um entendimento mais amplo. Trump afirma que não permitirá que o Irã obtenha uma arma nuclear. Uma autoridade iraniana de alto escalão, por sua vez, disse à Reuters que o país não abrirá mão do enriquecimento de urânio nem aceitará enviar para o exterior seu estoque de urânio altamente enriquecido, mesmo que Washington concorde com o plano de paz.

Em entrevista ao programa Face the Nation, da CBS, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou que seu governo está disposto a discutir o programa nuclear e outros assuntos, mas não aceitará “intimidação ou coerção”. “O Irã não busca a guerra, mas se defenderá de pressões, ameaças e ataques”, afirmou. Ele acrescentou que o país já havia concordado que “não devemos desenvolver armas nucleares”.

A guerra começou em 28 de fevereiro, com ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã. Desde então, períodos de pausa foram seguidos por novos bombardeios. O conflito matou milhares de pessoas, atingiu a economia iraniana e restringiu o tráfego pelo Estreito de Ormuz, passagem estratégica para o transporte mundial de petróleo.

A violência também se estendeu a países vizinhos. No Iêmen, os houthis, aliados de Teerã, intensificaram ataques contra alvos sauditas. A coalizão liderada pela Arábia Saudita informou neste sábado (26) ter interceptado dois mísseis balísticos lançados em direção a Khamis Mushait e dois drones que seguiam para Riad. Ataques a cidades, instalações de energia e embarcações ampliam a pressão sobre o abastecimento de petróleo e ameaçam a rota alternativa pelo Mar Vermelho.

Em meio à escalada, Araqchi apresentou ao chanceler saudita, príncipe Faisal bin Farhan, o entendimento entre Irã e Omã sobre rotas seguras de navegação no Estreito de Ormuz, segundo o Ministério das Relações Exteriores iraniano. Representantes da defesa da Turquia e do Paquistão também se reuniram em Riad para discutir cooperação de inteligência e coordenação militar com a Arábia Saudita.

No Iêmen, a continuidade dos combates agrava a situação humanitária. A agência da ONU para a infância informou na sexta-feira que houve aumento da desnutrição aguda entre crianças no país.

Fonte: Brasil 247

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *