Imprensa não pode manter a lorota da ‘escolha difícil’ após o debate da ‘Band’, avalia Marcos Coimbra

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Por Leonardo Miazzo — Carta Capital

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A figura de Flávio Bolsonaro agindo pelas costas de Lula ilustra quem é o candidato do PL, afirma o sociólogo e diretor do instituto Vox Populi

A vergonhosa participação de Flávio Bolsonaro (PL) no debate da TV Band contra o presidente Lula (PT), na noite deste domingo 18, pode ter  ajudado a abrir os olhos de uma parte da imprensa para os riscos de uma eventual vitória da extrema-direita no segundo turno, afirmou a CartaCapital  o sociólogo Marcos Coimbra, diretor do instituto Vox Populi.

“Depois de ontem, não dá para manter a lorota da escolha difícil”, avalia Coimbra.   “Com  o ‘pablomarçalismo’ revelado, não sei se se se a família Marinho convidaria Flávio para para almoçar.”

Em 8 de outubro de 2018, O Estado de S.Paulo publicou um editorial intitulado Uma escolha difícil, em referência à disputa entre Jair Bolsonaro (PL) e Fernando Haddad (PT). Na ocasião, o jornal dos Mesquita chamou o ex-capitão de “truculento apologista da ditadura militar” e classificou o petista de “preposto de um presidiário”. E acrescentou: “Não será nada fácil para o eleitor decidir-se entre um e outro”.

Segundo Coimbra, o debate já não tende a alterar de forma significativa o índice de indecisos, a uma semana do segundo turno. Ele afirma que esse tipo de programa perdeu relevância no Brasil e e em outros países, como os Estados Unidos.

Ainda assim, prosseguiu o sociólogo, pode ter um peso sobre a parcela politicamente ativa da sociedade que fingia se tratar de uma eleição entre dois lados equilibrados.

“Flávio não inventou nada com aquele comportamento ridículo de ficar atrapalhando o Lula com aquele passeio pelas costas. A figura do cara agindo pelas costas é sugestiva de quem é Flávio Bolsonaro “, critica o sociólogo. “Meu desejo é que ele tenha ajudado a abrir os olhos de uma parte dos formadores de opinião para a imensa ameaça que representa a eleição de um sujeito como Flávio Bolsonaro.”

Uma pesquisa Nexus/BTG Pactual divulgada nesta segunda-feira 19 mostra empate técnico nas intenções de voto, a seis dias da eleição: 50,3% para Flávio, 49,7% para Lula. A margem de erro é de dois pontos percentuais.


Leonardo Miazzo

Editor de CartaCapital

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Fonte: Carta Capital

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