IA transforma dados em ações de marketing e sustentabilidade para pequenos negócios

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Por Aquiles Lins — Brasil 247

247 – Pequenos negócios estão recorrendo à inteligência artificial para transformar dados de vendas, faturamento, divulgação e presença digital em decisões concretas de gestão. Uma ferramenta desenvolvida especificamente para micro e pequenas empresas brasileiras utiliza informações sobre cada empreendimento para apresentar recomendações personalizadas em áreas como marketing, vendas e sustentabilidade.

A solução, chamada MIA, sigla para Marketing Intelligence Assistant, integra a Plataforma Crescimento Sustentável e foi desenvolvida pelo Sebrae. Segundo informações divulgadas pela Agência Sebrae de Notícias, a ferramenta parte de um diagnóstico do empreendimento para identificar medidas que possam ser adotadas de acordo com a realidade de cada negócio.

O processo de avaliação é dividido em quatro etapas. O empreendedor informa o segmento e o tipo de operação da empresa, o faturamento acumulado nos últimos 12 meses, os canais digitais utilizados e os valores investidos em publicidade.

A partir dessas informações, a inteligência artificial cruza os dados e produz orientações voltadas à operação da empresa, em vez de responder apenas a comandos pontuais.

“Quando a gente fala de inteligência artificial dentro da Plataforma, o ponto mais importante é entender que a tecnologia não é o fim. Ela é o meio para tornar o Sebrae cada vez mais próximo do empreendedor e cada vez mais capaz de transformar dados em orientação prática”, afirma Graziele Santana, analista da Unidade de Tecnologia da Informação e Comunicação (UTIC) do Sebrae.

Recomendações levam em conta realidade de cada negócio

Segundo Graziele, a personalização é uma das diferenças da ferramenta em relação aos sistemas de inteligência artificial de uso geral.

“A diferença para uma inteligência artificial genérica é justamente essa: ela não responde a uma pergunta isolada. Ela compreende o contexto daquele negócio e transforma os dados disponíveis em recomendações acionáveis de marketing, vendas e sustentabilidade”, diz.

A ferramenta também foi estruturada considerando características específicas dos pequenos empreendimentos brasileiros. “As ferramentas globais foram treinadas em bases amplas, com pouco foco em micro e pequenas empresas e sem conhecer as particularidades do mercado brasileiro. A MIA foi treinada para o empreendedor daqui e fala a língua dele”, acrescenta Graziele.

A intenção é fazer com que informações normalmente dispersas sejam usadas na definição de medidas concretas. O empreendedor pode, por exemplo, receber indicações relacionadas ao posicionamento digital, aos investimentos em divulgação e às práticas de sustentabilidade da empresa.

“Estamos falando da possibilidade de levar uma orientação cada vez mais personalizada para milhares de empresas simultaneamente. Saímos de uma tecnologia que apenas informa para uma tecnologia que ajuda a decidir e agir”, afirma a analista.

Empresa usa IA para avançar em práticas ESG

A aplicação das recomendações também pode auxiliar empresas interessadas em aprimorar critérios ambientais, sociais e de governança, conhecidos pela sigla ESG.

A Papel Semente, que fabrica desde 2009 papel reciclado com sementes de flores, hortaliças e temperos, utilizou a inteligência artificial da plataforma durante o processo de busca pelo Selo Diamante, nível máximo de reconhecimento destinado a organizações com maior grau de maturidade nas práticas ESG.

Segundo a CEO da empresa, Andrea Carvalho, o sistema facilitou a identificação de pontos que poderiam ser aprimorados.

“Eu achei muito prático, porque ela faz a leitura e você tem a resposta rápida, e com isso entende qual processo você pode fazer para melhoria ou para atender aquela prática. Para mim, foi muito rápido. Você vê a coisa acontecendo”, afirma.

Entre as medidas adotadas estão iniciativas voltadas à eficiência energética. Depois das recomendações recebidas, a companhia realizou campanhas internas de conscientização sobre o consumo de energia, envolvendo os funcionários, e passou a comprar energia proveniente de fonte renovável.

Diagnóstico ajuda a tirar medidas do papel

Andrea destaca que um dos desafios enfrentados pelos negócios de menor porte é traduzir conceitos associados à sustentabilidade em procedimentos que possam ser efetivamente incorporados à rotina da empresa.

“Como pequenos e médios negócios, a gente parte achando que as coisas são muito complexas. Eu tenho uma característica de tentar descomplicar as coisas e trazer, aterrar e executar”, afirma.

Para a empresária, certificações também funcionam como uma forma de demonstrar ao mercado que determinadas práticas não estão apenas no discurso, mas foram efetivamente incorporadas à operação.

“Quando vem um selo, a gente consegue comprovar que o que a gente faz é verdadeiro, isso dá valor ao nosso produto, à nossa marca. Esse valor a gente repassa para o mercado. A gente olha para o selo como um grande farol. Não é atingir por atingir, mas conquistar o selo por ter efetivamente melhores práticas adotadas na nossa empresa”, finaliza Andrea.

Fonte: Brasil 247

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