Haddad defende remoção de ‘laranjas podres’ do STF para fortalecer as instituições

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Por Guilherme LevoratoBrasil 247

247 – O ex-ministro da Fazenda e candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), declarou nesta sexta-feira (11) que o fortalecimento das instituições brasileiras, a exemplo do Supremo Tribunal Federal (STF), passa pela adoção de mecanismos rígidos de transparência e pela remoção de “laranjas podres”. As declarações foram dadas durante entrevista a uma emissora de rádio de Aparecida, no interior paulista, e abordaram desdobramentos recentes, como a derrubada do sigilo dos inquéritos envolvendo o Banco Master.

Ao comentar os rumos e a credibilidade das estruturas de Estado, o candidato rechaçou caminhos pragmáticos ou trocas partidárias pontuais como solução para crises políticas e institucionais. “Às vezes, você pensa que tem uma saída fácil para a política. ‘Ah, vou mudar de partido, vou trocar de roupa’. Na verdade, temos que corrigir as instituições brasileiras. Se o Supremo está errado, tira do Supremo quem está criando problema. Se a Polícia Federal tem alguma coisa errada, tira da Polícia Federal o policial que está fazendo errado. Isso vale para qualquer agremiação”, afirmou Haddad.

Tensão no STF e o caso Banco Master

As falas de Haddad ocorrem em meio a um cenário de forte movimentação no Poder Judiciário. O presidente do STF, ministro Edson Fachin, agendou para a próxima terça-feira (15) uma sessão plenária na qual a Corte deliberará sobre a autorização para abertura de inquérito contra o ministro Alexandre de Moraes. A decisão vem após a revelação de diálogos em que o empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, solicita intervenções junto ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal, além de indagar sobre o momento oportuno para deixar o país a fim de evitar eventual prisão.

Paralelamente, setores da esquerda têm questionado a conduta do ministro André Mendonça, relator dos processos do caso Master no Tribunal. Há suspeitas de tentativas de interferência no processo eleitoral promovidas por meio de vazamentos seletivos de informações sigilosas a menos de 30 dias do primeiro turno. Diante desse quadro, o próprio presidente Lula (PT) defendeu publicamente a ampla publicidade dos autos. A determinação para que Mendonça levantasse o sigilo de todos os processos foi expedida por Fachin na noite de quinta-feira (10).

“Eu acredito muito em transparência. Quando a luz do sol bate, ela resolve muitas doenças, inclusive a da corrupção”, disse Haddad. “É dar transparência e liberdade para investigar. Temos muita coisa para fazer, mas eu confio muito nas instituições e acredito no fortalecimento delas, tirando as laranjas podres de dentro”.

Miltância no PT e críticas a Flávio Bolsonaro

O questionamento sobre a permanência nas fileiras petistas partiu da pergunta de um ouvinte sobre a possibilidade de o ex-ministro migrar para outra legenda com o objetivo de obter maior êxito eleitoral. O ouvinte citou as três derrotas consecutivas de Haddad em disputas anteriores e o cenário das pesquisas de intenção de voto no estado, em que aparece em desvantagem em relação ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Haddad rebatia afirmando ter mais de 41 anos de militância contínua no PT, ressaltando que sua trajetória na legenda é mais longa do que seu próprio tempo de casamento. Em seguida, utilizou a abertura das investigações sobre o Banco Master para contra-atacar seus opositores.

“Todo grupo, qualquer que seja, tem problemas. Hoje mesmo levantaram o sigilo do caso do Master no Supremo Tribunal Federal. O que descobrimos hoje? Que o Flávio Bolsonaro está investigado por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Você vai perguntar para a pessoa se ela vai sair do partido dele? Ele já está sendo investigado por três crimes, por causa do dinheiro do Vorcaro”, contestou.

Agenda religiosa em Aparecida

Antes da entrevista concedida à rádio, Fernando Haddad cumpriu agenda institucional no município de Aparecida, no Vale do Paraíba, onde esteve com o arcebispo Dom Mário Antônio da Silva, empossado em maio deste ano. A cidade é o principal polo de turismo religioso do país por abrigar o Santuário Nacional de Aparecida, destino de milhões de romeiros anualmente. Durante o encontro, o candidato comprometeu-se a desenvolver políticas públicas para impulsionar o turismo religioso na região e reforçar a estrutura de segurança pública voltada à proteção das peregrinações, demanda destacada pelos moradores locais.

Fonte: Brasil 247

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