Governo Trump silencia sobre reconhecer resultado das eleições antecipando mais interferência no Brasil
Por Redação — Esquerda Diário

A resposta enviada nesta quinta-feira (15) pelo Departamento de Estado norte-americano a congressistas democratas é mais um capítulo da ingerência imperialista dos Estados Unidos sobre a América Latina. Questionado diretamente por parlamentares se respeitaria o resultado da próxima eleição presidencial no Brasil, o governo de Donald Trump simplesmente fugiu da resposta, limitando-se a discursos vazios sobre “eleições justas”.
A carta do governo americano respondeu a um requerimento liderado pelo senador Bernie Sanders e assinado por mais de 30 congressistas democratas. Os parlamentares cobravam garantias explícitas de que os EUA respeitariam o processo eleitoral no Brasil, além de expressarem preocupação com a interferência em andamento.
Assinado por Katherine Bowles, secretária assistente do Escritório de Assuntos Legislativos do Departamento de Estado, o texto afirma que os EUA apoiam “o direito do povo brasileiro a um processo eleitoral livre e justo” e que continuarão a dialogar com “o setor privado e o governo eleito”. No entanto, a resposta evitou se comprometer explicitamente a reconhecer e respeitar o resultado do pleito, mantendo um tom evasivo que mostra que Trump seguirá com a política imperialista de interferência no Brasil e na América Latina.
Os congressistas também questionaram a aplicação da Lei Global Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), lembrando o caráter inédito de sancionar um magistrado de uma corte suprema de um país aliado.
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Desde o tarifaço, que afeta sobretudo o povo trabalhador, à designação das facções criminosas como organizações terroristas, com ameaças e chantagens nas embaixadas e consulados, Trump deixa claro que quer a política brasileira sob seu controle, em prol da competição estratégica com a China no país e de olho no nosso petróleo e em nossas terras raras.
Rejeitamos veementemente qualquer tentativa de ingerência dos Estados Unidos na América Latina. O Esquerda Diário, por meio da Corrente Revolução Permanente, defende um programa independente e impulsiona a campanha “Abaixo o Escudo das Américas!”, exigindo a saída do imperialismo da Venezuela e o fim imediato do bloqueio criminoso contra Cuba. A América Latina não é e jamais será o quintal de Washington.
A força para combater o imperialismo e a extrema-direita não virá de conciliações, mas da organização da classe trabalhadora. Exemplo disso foi a recente mobilização no Brasil, decisiva para pressionar o Senado a votar pelo fim da escala 6×1. Esse protagonismo operário é o ponto de apoio necessário para fortalecer a luta anti-imperialista na região — seja diante da interferência norte-americana nas eleições brasileiras, seja ao lado das manifestações que hoje enfrentam os aliados de Trump no Chile, na Colômbia e na Argentina.
Fonte: Esquerda Diário