Por Ricardo Mezavila — Brasil 247

Apesar de a camisa da CBF — que não é a camisa da nação: é a camisa das bets — estampar-se com força nas redes, vestida por artistas, celebridades e nomes da imprensa que apoiam o presidente Lula, isso ainda é insuficiente para garantir uma virada no segundo turno de 25 de outubro.

Não serão André Janones, Edinho Silva e Camilo Santana, nem Janja e Sidônio Palmeira, que sozinhos comandarão uma virada histórica.

Não podemos exaltar heróis que não existem. Mas temos de avançar: como pessoas comuns, eleitores conscientes, que pensam, contextualizam e saem às ruas para defender direitos conquistados com luta.

No Holocausto, por exemplo, não surgiram heróis do tipo que costumamos imaginar. Sobreviventes e historiadores nos ensinam isso com clareza. O escritor e sobrevivente italiano Primo Levi afirmava que ali “o homem foi reduzido a coisa”: não havia heróis nem vilões definidos, mas seres humanos fragilizados, confusos, que cediam ou resistiam em pequenas escolhas do dia a dia.

Elie Wiesel, sobrevivente e autor de A Noite, reforçou que não havia heróis naquela imensa treva — apenas vítimas — e que o sofrimento, por si só, não gera nobreza.

Se não há heróis, o que há somos nós. E juntos nunca seremos apenas vítimas. A mudança não virá de um nome ou de uma imagem bonita nas redes: virá da coragem de cada um de fazer a escolha certa, de pé no chão, com consciência e memória. A responsabilidade não está no outro — está em cada um de nós, na urna e na rua.

Fonte: Brasil 247

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