Governo prepara nova rodada de renegociação de dívidas antigas, diz jornal. Alívio para os bancos pode virar dor de cabeça?

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Por Camille LimaSeu Dinheiro

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O endividamento voltou a bater à porta do governo. Com a inadimplência dos brasileiros no maior nível em mais de uma década, a equipe econômica prepara uma nova proposta para tentar destravar dívidas antigas que ainda mantêm milhões de brasileiros longe do crédito, segundo informações do jornal O Globo

A ideia, desta vez, não seria apenas colocar credor e devedor frente a frente para negociar. Ao Extra, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo estuda uma espécie de “leilão” para comprar carteiras de dívidas antigas dos consumidores

O desenho ainda não foi detalhado, mas a lógica seria diferente das últimas versões do Desenrola.  

Em vez de o consumidor precisar acessar uma plataforma e aceitar individualmente uma oferta, o próprio governo organizaria o leilão para que as carteiras fossem adquiridas com descontos significativos.  

A estratégia buscaria, de um lado, limitar o impacto sobre as contas públicas e, de outro, retirar dos bancos e prestadores de serviços dívidas cuja expectativa de recuperação já é baixa. 

Segundo Durigan, o programa seria direcionado a pessoas em que a renda e situação profissional melhoraram, mas que continuam negativadas por débitos antigos, acumulados em um período de juros elevados e dificuldades econômicas.  

Já para os bancos, isso representaria o surgimento de um novo comprador para ativos estressados. 

Mais um programa de renegociação de dívidas

A proposta não seria a primeira tentativa do governo de enfrentar o endividamento das famílias. As duas rodadas do Desenrola, os programas 1 e 2, alcançaram cerca de 19 milhões de brasileiros. 

Na primeira edição, foram incluídas dívidas bancárias e contas de consumo, como luz e gás. O programa utilizou uma plataforma de renegociação, aberta depois de um leilão que definiu quais credores participariam de acordo com os descontos oferecidos. 

Já a segunda rodada ficou restrita às dívidas de crédito bancário. Nesse caso, a renegociação era feita diretamente com os bancos, de acordo com faixas de desconto estabelecidas pelo governo, que também atuava como garantidor das operações. 

Agora, a mira estaria nas dívidas mais antigas. Durigan avalia que parte do elevado endividamento das famílias tem origem na crise econômica e nas dificuldades enfrentadas durante a pandemia de covid-19. 

A avaliação do ministro é que programas desse tipo precisam ser realizados de forma recorrente para reduzir o estoque de dívidas das famílias. O problema é que, enquanto o governo discute uma nova rodada de alívio, o indicador de inadimplência continua avançando. 

Segundo dados do Banco Central citados pelo O Globo, a inadimplência das pessoas físicas chegou a 5,8% em julho, o maior nível desde março de 2011. 

O alerta do mercado 

Para os bancos, uma nova rodada de renegociação pode funcionar como uma espécie de faxina no balanço.  

Afinal, ao transformar dívidas de recuperação difícil em dinheiro ou em ativos com maior perspectiva de recuperação, a medida poderia aliviar os estoques problemáticos no curto prazo. 

É justamente esse efeito que o UBS BB considera potencialmente positivo. Mas o banco de investimento chama atenção para um efeito colateral no horizonte mais longo: o aumento do risco moral. 

Na avaliação dos analistas, a repetição de programas de renegociação pode criar um incentivo para que alguns consumidores adiem o pagamento de suas dívidas na expectativa de conseguir condições melhores no futuro.  

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Fonte: Seu Dinheiro

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