Governo Lula barrou pauta política dos EUA em discussões sobre tarifaço

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Por Paulo EmilioBrasil 247

247 – O Ministério das Relações Exteriores rejeitou a inclusão de questões relacionadas à política interna brasileira nas negociações com os Estados Unidos destinadas a solucionar o impasse provocado pelas tarifas impostas pelo governo de Donald Trump. O chanceler Mauro Vieira determinou que a diplomacia brasileira mantivesse as discussões concentradas em assuntos comerciais e econômicos.

O documento reunia 21 demandas apresentadas pelo governo Trump em outubro de 2025, depois da imposição de tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros. A existência da lista de exigências apresentada pelos Estados Unidos foi revelada pelo jornal O Estado de São Paulo e confirmada pelo O Globo.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi informado sobre o conteúdo das demandas. De acordo com o Globo, Vieira deixou claro ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que questões relacionadas à política interna brasileira não seriam incluídas nas negociações entre os dois governos.

Na prática, a orientação do Itamaraty estabeleceu uma divisão entre as duas agendas: Brasília permaneceria aberta a discutir tarifas, regras comerciais e outros pontos econômicos, mas não negociaria decisões do Judiciário, processos envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro ou alterações na política interna do Brasil.

Lista misturava demandas comerciais e políticas

O documento apresentado pelos Estados Unidos, segundo a reportagem, reunia reivindicações de naturezas distintas.

Na área econômica e regulatória, a lista mencionava o Pix, a atuação do Banco Central, o etanol, o desmatamento e barreiras investigadas pelos Estados Unidos com base na Seção 301 de sua legislação comercial.

A pauta também incluía críticas relacionadas ao tratamento dispensado a opositores no Brasil. Segundo a reportagem, essas questões poderiam alcançar a situação de Bolsonaro.

A apresentação da lista ocorreu em um contexto no qual Trump já havia associado publicamente sua política tarifária em relação ao Brasil ao processo contra o ex-mandatário brasileiro.

Vieira levou exigências ao conhecimento de Lula

Diplomatas brasileiros em Washington tiveram acesso ao documento em 16 de outubro de 2025, quando Mauro Vieira estava na capital estadunidense preparando o encontro que Lula teria com Trump dez dias depois, na Malásia. 

Após tomar conhecimento do conteúdo, o chanceler telefonou para Lula. Segundo a reportagem, Vieira explicou ao presidente a abordagem feita pelos norte-americanos e informou que havia rejeitado a possibilidade de negociar assuntos relacionados à política interna brasileira.

O episódio voltou a ser tratado no dia seguinte durante uma reunião no Palácio da Alvorada com integrantes do governo.

A orientação adotada foi preservar as negociações econômicas com Washington, mas estabelecer um limite para seu alcance. Dessa maneira, o Brasil continuaria disposto a negociar tarifas e regras comerciais sem condicionar eventuais avanços a decisões tomadas por instituições brasileiras.

Itamaraty separou tarifaço de questões internas

Vieira transmitiu a posição brasileira a Marco Rubio e indicou ao secretário de Estado que as exigências políticas apresentadas pelos Estados Unidos não teriam espaço na negociação. Permaneceriam em discussão os pontos comerciais e regulatórios considerados pertinentes às relações econômicas entre os dois países.

Essa separação era particularmente relevante porque o tarifaço havia sido anunciado em meio a divergências políticas entre os dois governos. Ao mesmo tempo, as negociações buscavam reduzir o impacto das tarifas sobre as exportações brasileiras e encontrar uma saída diplomática para a disputa comercial.

Trump havia relacionado tarifa a Bolsonaro

Em julho de 2025, Trump relacionou publicamente a sobretaxa adicional de 40% aplicada a produtos brasileiros ao processo envolvendo Bolsonaro, classificando-o como uma “caça às bruxas”.

A cobrança de 40% havia sido adicionada à tarifa de 10% anunciada anteriormente pelos Estados Unidos, levando a tributação de determinados produtos brasileiros a 50%.

Posteriormente, mercadorias brasileiras foram retiradas ou poupadas das alíquotas mais elevadas, enquanto os dois governos mantiveram canais diplomáticos para negociar as divergências comerciais.

A tentativa de Brasília de separar as duas agendas significava que as discussões tarifárias poderiam prosseguir sem que decisões políticas ou judiciais internas fossem incorporadas como contrapartidas.

Pauta política ficou fora do encontro na Malásia

A separação defendida pelo Itamaraty também se refletiu no encontro realizado entre Lula e Trump em 26 de outubro de 2025, na Malásia.

As reivindicações políticas que haviam aparecido no documento entregue anteriormente aos representantes brasileiros não voltaram a ser apresentadas durante a conversa entre os presidentes, de acordo com a reportagem.

O encontro ficou concentrado nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos e na busca por uma solução para as tarifas aplicadas aos produtos brasileiros.

Fonte: Brasil 247

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