Governo da Bolívia ameaça militarizar o país para reprimir protestos populares

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Por José ReinaldoBrasil 247

247 – O governo boliviano admitiu declarar estado de sítio e mobilizar as Forças Armadas caso sejam retomados os protestos contra suas medidas econômicas, após prorrogar o estado de emergência por mais 90 dias e assinar um acordo de US$ 1,9 bilhão com o Fundo Monetário Internacional (FMI). As informações são da teleSUR.

A advertência foi feita nesta terça-feira (15), pelo porta-voz da Presidência boliviana, José Luis Gálvez, em um cenário marcado pela resistência de organizações indígenas, camponesas, operárias e docentes às políticas adotadas pelo Executivo.

“Fiquem tranquilos (…) que, se necessário, será declarado estado de sítio, a força constitucional será utilizada, haverá militarização e os direitos constitucionalmente permitidos dentro da estrutura da lei serão violados”, afirmou Gálvez.

Estado de emergência é prorrogado

A manifestação do porta-voz ocorreu após a aprovação de um decreto que estende por mais 90 dias o estado de emergência no país. A medida foi encaminhada à Assembleia Legislativa e amplia os instrumentos disponíveis ao governo para enfrentar mobilizações e bloqueios.

A decisão coincide com a assinatura do acordo de US$ 1,9 bilhão com o FMI e com o aumento da rejeição popular à alta dos preços do diesel. Esses fatores elevaram a tensão entre o Executivo e os setores sociais mobilizados.

Ao comentar os conflitos registrados anteriormente, Gálvez afirmou que existiam “fatores políticos desestabilizadores que ameaçavam a democracia, a ordem constitucional e privavam as pessoas de alimentos, medicamentos, oxigênio, e causavam a morte de vidas inocentes que não conseguiam chegar ao hospital”.

Sindicatos e movimentos sociais, por sua vez, consideram que a adoção de estados de emergência e a possibilidade de intervenção militar fazem parte de uma tentativa de criminalizar os protestos e retomar práticas de repressão estatal.

Medidas econômicas enfrentam resistência

As mobilizações se intensificaram em resposta a mudanças econômicas e regulatórias impulsionadas pelo governo de Rodrigo Paz. Entre os principais pontos de conflito está o Decreto Supremo 5503, questionado por flexibilizar o investimento estrangeiro e dispensar projetos considerados estratégicos de avaliações ambientais.

Outra medida contestada é a Lei 1720. Organizações sociais afirmam que a legislação pode favorecer a concentração de terras e ameaçar pequenas propriedades rurais.

A oposição às medidas reúne diferentes setores da sociedade boliviana, especialmente organizações indígenas e camponesas, trabalhadores sindicalizados e profissionais da educação.

Bloqueios atingiram diferentes regiões

A escalada da crise levou à instalação de mais de 90 bloqueios de estradas em diferentes pontos do território boliviano. As interrupções atingiram Cochabamba, La Paz, Oruro, Potosí, Chuquisaca e Santa Cruz.

Os bloqueios provocaram dificuldades no abastecimento de alimentos, combustíveis e medicamentos nas principais cidades. O governo utiliza os efeitos das interrupções para justificar medidas de emergência e a eventual participação das Forças Armadas na contenção das manifestações.

Com a prorrogação do estado de emergência, a ameaça de militarização e a continuidade da resistência às medidas econômicas, o confronto entre o governo de Rodrigo Paz e os movimentos sociais permanece como o principal foco da crise política na Bolívia.

Fonte: Brasil 247

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