Goiás negocia centro de autopeças chinesas e hotel para MotoGP durante missão na China

0

Por Luan Monteiro — Jornal Opção

Goiás negocia centro de autopeças chinesas e hotel para MotoGP durante missão na China

O Governo de Goiás busca atrair investimentos chineses para a instalação de um centro de distribuição de autopeças em Senador Canedo e de uma estrutura de hospedagem para o MotoGP de 2027, em Goiânia. As iniciativas integram a agenda do secretário estadual de Indústria, Comércio e Serviços, Joel Sant’Anna, que embarcou nesta terça-feira, 20, para a China. Os projetos, entretanto, ainda estão em fase de articulação e não tiveram contratos definitivos anunciados.

A missão inclui seis frentes principais: participação na Feira Internacional de Macau, reuniões com a fabricante Weichai, tratativas para o hotel do MotoGP, prospecção de investimentos em terras raras, negociação de uma central de distribuição de autopeças chinesas e visita à GAC, montadora com operações relacionadas à Mitsubishi em Catalão, no sudeste goiano.

Em entrevista ao Jornal Opção, Joel afirmou que a viagem combina a promoção comercial de pequenas e médias empresas goianas com reuniões voltadas à atração de grandes investimentos. Segundo ele, a agenda não começa com a assinatura de contratos, mas com a apresentação de oportunidades e o aprofundamento de conversas com empresários que já mantêm relações com Goiás ou avaliam instalar operações no Estado.

Uma das principais frentes da missão é a negociação para instalar em Senador Canedo uma central de distribuição de peças automotivas chinesas. A proposta é atender ao mercado brasileiro com componentes para veículos das 14 marcas chinesas presentes no país. A estrutura funcionaria como ponto de distribuição nacional, com a perspectiva de atrair, posteriormente, fabricantes para Goiás.

Ao explicar o projeto, Joel afirmou que a proposta inicial é concentrar a distribuição de componentes em território goiano para atender às diferentes marcas chinesas que comercializam veículos no Brasil. A expectativa é que a presença da central também abra caminho para novos investimentos industriais. “A gente tem uma reunião com empresários que estão querendo montar uma central de distribuição de peças em Senador Canedo, para distribuir para todo o Brasil, de todas as marcas de carros chineses”, disse o secretário.

A estratégia do governo é aproveitar a expansão das montadoras chinesas no mercado brasileiro para atrair empresas ligadas à cadeia automotiva. A instalação de fabricantes, contudo, é uma etapa posterior e depende do avanço das conversas. Até o momento, não foram divulgados valores de investimento, cronograma de implantação ou estimativa de empregos gerados pela central.

Hotel para o MotoGP ainda está em negociação

Outra frente é a implantação de uma estrutura de hospedagem para atender aos visitantes do MotoGP, previsto para Goiânia em 2027. A proposta envolve o Governo de Goiás, o Grupo Flamboyant e uma empresa chinesa. Entre as possibilidades avaliadas está a construção de um hotel-cápsula ou de uma estrutura pré-moldada, que possa ser instalada em prazo reduzido e atender à demanda extraordinária durante as provas.

Segundo Joel Sant’Anna, o Grupo Flamboyant deverá disponibilizar uma área próxima ao autódromo para receber o empreendimento. A intenção é concluir a instalação até abril, embora o formato definitivo, os custos e a capacidade de hospedagem ainda dependam das negociações. “O Flamboyant está cedendo uma área ao lado do autódromo, e os chineses dão conta de construir um hotel pré-moldado até o mês de abril”, afirmou.

A estrutura não será instalada dentro do autódromo, mas em um terreno contíguo. O secretário também mencionou a possibilidade de uma parceria com duração de três anos, relacionada a quatro provas do campeonato. O projeto busca ampliar a oferta de hospedagem durante o evento, mas ainda não teve os termos finais formalizados. Não foram informados o valor do investimento, o número de unidades ou a quantidade de pessoas que poderão ser acomodadas.

Weichai e GAC estão na agenda

A programação inclui reuniões com a Weichai, fabricante chinesa que já mantém uma unidade em Itumbiara. Uma das pautas é discutir a possibilidade de ampliar a operação industrial no município. A agenda também prevê uma visita ao escritório da GAC, em Guangzhou, montadora chinesa que mantém uma joint venture com a Mitsubishi relacionada à operação industrial em Catalão.

Joel afirmou que a missão inclui contatos com empresas que já possuem negócios em Goiás e com grupos que estudam ampliar a presença no Estado. A proposta é apresentar oportunidades e avançar nas conversas sobre expansão industrial. A visita à GAC, nesse contexto, faz parte da aproximação com o setor automotivo chinês e da busca por novos investimentos.

Além dessas reuniões, o governo pretende prospectar oportunidades nos segmentos de baterias, carregadores para veículos elétricos, placas solares, materiais hospitalares e produtos farmacêuticos. O secretário também mencionou conversas envolvendo empresas do setor químico e farmacêutico em Anápolis. As possibilidades estão em fase de prospecção e ainda não representam investimentos confirmados.

Terras raras e minerais estratégicos

A mineração também integra a missão. A agenda inclui contatos com investidores interessados em terras raras e outros minerais estratégicos, utilizados na fabricação de equipamentos eletrônicos, tecnologias avançadas e componentes relacionados à transição energética.

Goiás já possui operações e projetos nesse segmento. Entre eles estão a mina da Serra Verde, em Minaçu, e iniciativas em desenvolvimento da Aclara Resources, em Nova Roma, e da Appia, em Iporá. O objetivo é apresentar o potencial mineral do Estado e atrair capital para ampliar a exploração e o processamento desses recursos.

A missão reúne representantes do setor empresarial e busca estabelecer contatos com grupos chineses que possam investir na cadeia mineral goiana. A agenda, entretanto, tem caráter de prospecção: não foram anunciados contratos, valores de investimentos ou cronogramas para novos empreendimentos decorrentes das reuniões.

A primeira etapa da viagem é a participação na 31ª Feira Internacional de Macau, voltada à aproximação comercial e à abertura de mercados para pequenas e médias empresas. Segundo Joel Sant’Anna, a delegação levou informações de aproximadamente 150 empresas goianas interessadas em ampliar as oportunidades de negócios no exterior.

O secretário explicou que a feira tem um perfil diferente das reuniões previstas com grandes grupos industriais. “A Feira de Macau é para isso, para pequenas e médias empresas abrirem mercado para a China. Depois, a gente tem reuniões com empresas maiores, com potencial de ampliar fábricas que já estão em Goiás ou de trazer novas operações para o Estado”, afirmou.

A programação inclui ainda a participação na Feira de Cantão, prevista para os dias 27 e 28 de outubro, além de encontros com empresários e representantes de companhias chinesas. A intenção é combinar a promoção das exportações goianas com a atração de investimentos produtivos.

A China é um dos principais parceiros comerciais de Goiás. De acordo com as informações divulgadas pelo governo estadual, mais de 43% das exportações goianas entre janeiro e setembro tiveram o país asiático como destino. A missão busca fortalecer essa relação, diversificar os mercados e ampliar a presença de empresas goianas no comércio internacional.

Leia também

Fim da escala 6×1: setores em Goiás alertam para alta de custos, enquanto economista prevê estímulo ao consumo

O post Goiás negocia centro de autopeças chinesas e hotel para MotoGP durante missão na China apareceu primeiro em Jornal Opção.

Fonte: Jornal Opção

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *