China cai no gosto de visitantes estrangeiros; turismo cresce com salto de 24,1% nas entradas sem exigência de visto
Por Leonardo Sobreira — Brasil 247
247 – A China registrou um aumento expressivo no número de visitantes estrangeiros no terceiro trimestre de 2026. Impulsionadas por novas políticas de imigração, as entradas sem exigência de visto cresceram 24,1% na comparação anual, alcançando quase 9 milhões de pessoas, segundo dados divulgados pela Administração Nacional de Imigração (NIA) na terça-feira (20). A reportagem foi publicada no Diário do Povo.
Entre julho e setembro, os estrangeiros realizaram 23,27 milhões de cruzamentos de fronteira, um aumento de 15,6% em relação ao ano anterior. As entradas isentas de visto representaram 77,5% de todo o fluxo de estrangeiros no período. No total geral, incluindo cidadãos chineses, as autoridades registraram 192 milhões de entradas e saídas no trimestre (alta de 7,9%).
A crescente popularidade do país ocorre em meio a esforço para facilitar o turismo receptivo, o que inclui a ampliação das isenções de vistos, melhorias na infraestrutura e serviços adaptados ao público internacional.
Desde dezembro de 2023 — quando lançou uma isenção unilateral para seis nações —, a China expandiu a política gradativamente, alcançando viajantes de 50 países em setembro de 2026, com permissão de estadia de até 30 dias. Além disso, em dezembro de 2024, o período de trânsito sem visto para 57 países elegíveis foi estendido de 72 ou 144 horas para 240 horas.
O avanço latino-americano e o fenômeno “China Haul” – A flexibilização tem atraído turistas de regiões distantes. Nos três primeiros meses do ano (até 25 de março de 2026), o número de latino-americanos que visitaram a província de Guizhou cresceu mais de 17% em relação ao ano anterior, segundo a Ctrip, principal plataforma de turismo da China. Brasil, Argentina e México lideram as chegadas da região, com destaque para o mercado mexicano, que triplicou seu volume de emissão de turistas.
Na internet, tendências como “China Travel”, “China Shopping” e “Chinamaxxing” ganharam força. Durante o feriado da Semana Dourada (Dia Nacional da China), no início de outubro, viralizou o chamado “China Haul” — vídeos de visitantes estrangeiros chegando com malas vazias, enchendo-as de compras locais e exibindo os produtos online.
Para facilitar esse consumo, áreas turísticas instalaram pontos de envio internacional, permitindo que os visitantes despachem suas compras diretamente para seus países de origem. O país também tem ampliado o acesso a serviços de pagamento móvel para estrangeiros e introduzido guias turísticos baseados em inteligência artificial, que oferecem interações multilíngues em tempo real.
Experiências além dos cartões-postais – Para muitos visitantes, o apelo da China ultrapassa os pontos turísticos tradicionais. O turismo de imersão na vida cotidiana tem crescido, com estrangeiros explorando mercados locais e bairros residenciais.
“Mais visitantes estão se aventurando em bairros urbanos e comunidades rurais para vivenciar a vida cotidiana, oferecendo uma visão mais diversa e vívida da China, que vai da economia noturna à revitalização rural”, destacou o especialista do setor, Wu Guoping.
O turismo médico e de bem-estar também desponta como atrativo. Uma zona piloto em Hainan relatou um aumento acentuado de pacientes estrangeiros vindos de quase 20 países este ano. Já o município de Tianjin criou rotas focadas na medicina tradicional chinesa, combinando passeios com serviços de bem-estar, experiências culturais e atividades educacionais.
Essas iniciativas integram o plano de desenvolvimento turístico da China para o período de 2026-2030, lançado em julho. A meta do governo é atrair 190 milhões de visitas estrangeiras anuais até 2030, gerando uma receita superior a US$ 150 bilhões por ano com o turismo receptivo. O plano prevê o fomento de experiências tecnológicas, rotas que mesclam cultura tradicional com modernidade e produtos especializados focados em culinária, história e artesanato.
Fonte: Brasil 247