“Goiás importa quase 70% do arroz que consome”, revela presidente da Agrodefesa

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Por Bruna Ariadne — Jornal Opção

“Goiás importa quase 70% do arroz que consome”, revela presidente da Agrodefesa

Mesmo com a força do agronegócio, Goiás ainda importa quase 70% do arroz consumido no Estado. O cenário, segundo o presidente da Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa), José Ricardo Caixeta, abre espaço para a expansão da produção no Nordeste Goiano, especialmente no Vão do Paranã.

Em entrevista ao Jornal Opção, Caixeta afirmou que a região reúne áreas irrigadas e características favoráveis para aumentar a produção do cereal.

“Goiás hoje importa mais da metade do arroz que consome. Se não me engano, importamos quase 70%. A região tem um perfil muito adequado para o cultivo do arroz”, afirmou.

Segundo ele, o Vão do Paranã conta com uma área irrigada que pode chegar a 13 mil hectares.

“Temos de 12 mil a 13 mil hectares de área irrigada, com sistema de alagamento do arroz, utilizando aquela técnica tradicional”, explicou.

José Ricardo Caixeta | Foto: Rosi Campos/Jornal Opção

De região esquecida a nova fronteira agrícola

O potencial não se limita ao arroz. Caixeta também vê espaço para transformar o Nordeste Goiano em uma nova frente de produção de frutas.

O presidente da Agrodefesa afirmou que, quando ingressou na administração pública, em 2019, encontrou estruturas de irrigação subutilizadas e comunidades com dificuldades de infraestrutura.

“Na verdade, não havia propriamente um projeto de irrigação. Havia duas barragens subutilizadas e uma área de aproximadamente 10 a 12 hectares destinada somente à produção de arroz”, relatou.

A partir daí, segundo ele, estudos passaram a avaliar outras possibilidades para o aproveitamento da água armazenada.

“Foi quando se identificou o potencial da região em razão de suas características naturais. É uma região onde chove menos, mais seca e muito propícia, inclusive, para a produção de frutas. Hoje, há um projeto de fruticultura sendo implementado, aproveitando o investimento que já havia sido feito para o acúmulo e a reservação de água”, afirmou.

A região concentra também grande número de assentamentos rurais. Em Flores de Goiás, segundo Caixeta, são cerca de 26 ou 27 assentamentos, que reúnem entre 2,5 mil e 2,8 mil famílias.

“Quando fui conhecer a região, em 2019, aquelas famílias não tinham estrada, ponte ou energia elétrica. Eram produtores que estavam esquecidos e sem perspectiva produtiva”, disse.

Frutas entram no radar

O clima mais seco, que representa uma limitação para determinadas culturas, pode ser uma vantagem para a produção irrigada de frutas.

Caixeta cita como referência o polo de Petrolina e Juazeiro, no Nordeste brasileiro, que utiliza irrigação para produzir frutas em uma região de baixa precipitação.

“São solos extremamente férteis, mas é uma região onde chove pouco. Isso pode ser ruim para algumas culturas, mas, para outras, são condições muito favoráveis. Podemos citar como exemplo a fruticultura na região de Petrolina e Juazeiro, que se tornou um fantástico polo exportador de frutas”, afirmou.

Segundo ele, produtores goianos chegaram a participar de uma missão à região para conhecer o modelo.

“Inclusive, fizemos uma missão e levamos alguns produtores para conhecer aquela região, para que pudessem ver que aquilo que é desenvolvido no Nordeste do Brasil também poderia ser feito no Nordeste Goiano”, contou.

Para Caixeta, arroz, frutas, pecuária e produção irrigada de grãos podem dividir espaço nessa nova frente de expansão.

“A fruticultura, aproveitando a estrutura fundiária que já estava estabelecida, também é muito adequada para a região. Além disso, a pecuária tem avançado e até mesmo a produção de grãos já vem crescendo em áreas irrigadas”, concluiu.

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Fonte: Jornal Opção

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