Globo é desmoralizada e descobre que não tem o monopólio da fala
Por Davis Sena Filho — Brasil 247
O circo da Globo pegou fogo. Ele foi literalmente incendiado e seus mediadores ficaram praticamente nus, a expor o quanto a Globo, dos irmãos Marinho, ainda não percebia, até o dia marcado para o debate de propósito mal-intencionado, que perdeu o monopólio da fala.
Porém, não se resume apenas a esta questão a estrondosa e retumbante derrota da Globo para a democracia, para as instituições republicanas, para a Constituição e para o candidato e presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.
Trata-se de uma derrota humilhante, diante da sociedade brasileira, dividida em inúmeros setores e segmentos, de maneira que a partir de agora o Brasil entrou em uma nova etapa no que diz respeito à tutela política que a Globo, desde a redemocratização, a partir das eleições de 1989, herdou dos cinco generais da ditadura militar, aqueles ditadores que os Marinho apoiaram com dedicação canina por longos 21 anos.
A Globo partidária, que se transforma de maneira errática no Partido da Imprensa, principalmente quando se trata de eleições presidenciais, foi desmoralizada, desqualificada, humilhada e seu circo eleitoral foi desconstruído de modo inapelável e estridente.
Todo mundo viu da arquibancada quando Lula percebeu a armadilha e tomou o controle do jogo, contrariou seus assessores e tratou de ir a um podcast chamado Flow, dando-lhe uma importante entrevista, em vez de subir no cadafalso da Globo para ter sua candidatura enforcada e sua integridade moral questionada por um monte de picaretas do mundo empresarial, que serviriam como linhas auxiliares do filho 01 do Jair Bolsonaro, um político inúmeras vezes denunciado por corrupção, dentre outros crimes que constam no Código Penal.
Contudo, a Globo e seus capatazes travestidos de jornalistas jamais imaginariam que tinham pés de barro. Lula esvaziou o debate, a desmanchar impiedosamente suas (más) intenções políticas e eleitorais, além de a Globo ser enquadrada pela Justiça quanto à sua arbitrariedade de deixar vazia a cadeira que seria de Lula, além de indicar seu nome.
Evidencia-se, portanto, uma intenção que denota um ato profundamente político por parte de uma empresa privada de concessão pública. Não satisfeita em agir com patifaria e tratar a ausência de Lula como se fosse um desaforo aos seus interesses, a Globo e seus jornalistas, que se comportam como capitães do mato, estavam ávidos para revidar com toda força a negativa de Lula de não participar de seu circo infernal.
Seriam quatro candidatos contra um, sendo que três deles — Zema, Caiado e Cury — não teriam a mínima chance de subir nas pesquisas e disputar um eventual segundo turno. Não, meus caros… Não mesmo. Apenas Flávio Bolsonaro, o indicado do seu pai presidiário, tornou-se competitivo ou com chance de participar do segundo turno. Por isso, ao invés de Flávio ter adversários a combatê-lo, certamente teria os três candidatos, todos de direita, como assessores e aliados para atacar Lula, principalmente o Romeu Zema.
Entretanto, o STF não está de bobeira e se mantém alerta quanto às arbitrariedades perpetradas pela Rede Globo e o jornal O Globo, que são colecionadores de ações politicamente intervencionistas, que remontam aos tempos de Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, João Goulart, Lula e Dilma Rousseff, todos alvos de ações e atos ferozes dos golpistas da família Marinho, como registra cabalmente a história do Brasil.
Por sua vez, a Globo e seus empregados não contavam com a astúcia de Lula e do radical de direita Renan Santos, do Missão, que ontem assombraram Flávio Bolsonaro. A verdade é que Flávio teme menos o presidente de 80 anos do que o líder do Missão, que é uma corruptela do fascista MBL.
Lula tem experiência e sentiu que haveria armadilhas, pegadinhas, lacrações, insultos, ou seja, desrespeitos e desconsiderações de toda ordem e tamanho, e foi para o Flow dar uma entrevista, que se deu bem demais, porque o programa atingiu um pico de 1.640.193 espectadores simultâneos ao vivo.
Contudo, se as coisas ficaram ruins para a Globo e seus jornalistas, que ficaram desmoralizados com o esvaziamento do seu circo político, nada é tão ruim que não possa piorar. E por que, cara-pálida? Porque o STF garantiu que Lula não fosse exposto pela política de esgoto da Globo, de caráter intervencionista e eleitoreiro, apenas a três dias das eleições.
A Corte Suprema determinou que a Globo, uma empresa privada, que só visa o lucro, não se valesse da cadeira vazia com o nome de Lula para beneficiar o candidato que há semanas ela tem protegido de forma escancarada e lamentável, porque prefere um fascista como Flávio Bolsonaro no poder do que um trabalhista, a exemplo de Lula.
Os irmãos Marinho, como porta-vozes da casa-grande brasileira, preferem lidar com um fascista, bem como “administrar” seus arroubos e inconsequências, a ter em troca uma política econômica neoliberal acoplada à entrega total do patrimônio público à iniciativa privada, além do alinhamento político e ideológico com os Estados Unidos, a paixão da burguesia brasileira provinciana, subalterna, subserviente e portadora de um inenarrável e estratosférico complexo de vira-lata.
Entretanto, a Globo perdeu o monopólio da fala e por isso não fala mais sozinha. Existem, para seu assombro, as mídias e a imprensa independente, que dominam a internet. Essa realidade permite que os interesses da Globo, principalmente os deletérios, sejam duramente questionados ao ponto de o debate da Globo fracassar e deixar com vergonha os profissionais de imprensa da emissora, porque o constrangimento foi tão visível que pareciam estar em um velório quando o jornalista César Tralli anunciou o cancelamento da pantomima eleitoral.
Enfim, Lula derrubou a lona do circo e o STF tratou de retirá-la e deixar o desejado oba-oba da Globo, que faria um possível show de horrores, sem condições de acontecer e, com efeito, tentar influenciar nas eleições do próximo domingo.
Gilmar Mendes autorizou Renan Santos a participar da patuscada ou da pândega ou do furdunço. Realidade que fez Flávio Bolsonaro correr como uma lebre, a fugir das presas de um coiote. Renan Santos não é linha auxiliar do Flávio como o Zema, e deseja ir para o segundo turno.
Mas os reveses do filho mimado do presidiário Jair Bolsonaro não param por aí, porque, como disse antes, a Globo ficou sem a cadeira vazia do Lula, que incrivelmente seria alvo de perguntas, obviamente debochadas e ferozes por parte da malta. Seria como se Lula tivesse se transformado em um holograma para que Flávio, com o apoio deplorável da Globo, deitasse e rolasse, a fim de angariar votos.
O STF intercedeu e não permitiu que a Globo transformasse o certame eleitoral em uma palhaçada, cujo picadeiro era o estúdio da Globo. Lula não foi ao circo armado. O STF pôs ordem no covil. A Globo ficou a chupar os dedos e foi impedida de dar mais um golpe e assim aumentar sua lamentável coleção. O mundo gira, mas a Globo parou de girar. É isso aí.
Fonte: Brasil 247