Globo cancelou debate após decisão de conselho formado por executivos e família Marinho
Por Otávio Rosso — Brasil 247
247 – O cancelamento do debate presidencial que a TV Globo realizaria na noite de quinta-feira (1º) foi decidido com participação direta do conselho de administração do Grupo Globo, que já havia estabelecido que o encontro deveria ser suspenso caso novas decisões judiciais modificassem as regras acertadas previamente com os partidos. As informações são da coluna Outro Canal, do F5, da Folha de São Paulo.
O conselho — formado por executivos do grupo e integrantes da família Marinho — vinha discutindo ao longo do dia a possibilidade de cancelar o debate e referendou a decisão tomada pela emissora. Entre os integrantes citados pela coluna estão Carlos Henrique Schroeder, Paulo Marinho, Roberto Marinho Neto, Alberto Pecegueiro, Rodrigo Xavier e Paula Bellizia.
A orientação interna teria sido estabelecida depois que uma decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, garantiu a participação de candidatos do Novo em debates eleitorais. A medida levou à inclusão de Romeu Zema no confronto presidencial da Globo. Nunes Marques considerou que deveriam ser contabilizados os cinco deputados atualmente filiados à legenda para a aplicação da regra legal sobre participação em debates.
Integrantes do conselho da Globo avaliaram que o Judiciário estava interferindo em uma questão relacionada à organização editorial do encontro. A determinação interna passou a ser a de colocar o cancelamento em discussão caso novas decisões alterassem novamente o formato previsto.
Decisões sobre Renan Santos e púlpitos antecederam cancelamento
O cenário se agravou poucas horas antes do horário previsto para o debate. A ministra Estela Aranha, do TSE, determinou que a Globo não poderia exibir o púlpito vazio de candidatos que decidissem não comparecer ao evento. A decisão atendeu a um pedido da coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que já havia comunicado sua ausência.
Estela Aranha também estabeleceu que os demais candidatos não poderiam simular perguntas ao participante ausente. Segundo a ministra, a ausência implicaria apenas a perda da oportunidade de participação naquela rodada, sem outras consequências para o candidato.
Posteriormente, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a inclusão do candidato Renan Santos (Missão) no debate. A decisão representou uma nova alteração na composição planejada para o encontro, depois de pedidos anteriores do candidato terem sido rejeitados. O cancelamento ocorreu após essa determinação e a decisão de Flávio Bolsonaro (PL) de não participar.
De acordo com a coluna Outro Canal, foi nesse momento que a Globo acionou o protocolo discutido anteriormente pelo conselho de administração.
O editorial divulgado pela emissora para explicar o cancelamento também teria sido alinhado com a alta direção do grupo. A Globo afirmou discordar da interferência judicial nas regras acertadas para o debate.
Flávio Bolsonaro desistiu após mudanças
A Globo havia inicialmente convidado Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante). Romeu Zema passou a integrar a lista depois da decisão de Nunes Marques, tomada na terça-feira (29).
Lula informou na quarta-feira (30) que não compareceria ao encontro. No horário em que ocorreria o debate, o presidente participou de uma entrevista ao Flow Podcast.
Flávio Bolsonaro, que até então havia confirmado presença, anunciou sua desistência depois das decisões envolvendo o púlpito dos ausentes e a participação de Renan Santos. O candidato atribuiu sua saída ao que classificou como “censura” imposta ao evento pela Justiça Eleitoral e realizou uma transmissão ao vivo com aliados.
Com as ausências dos dois candidatos e as mudanças determinadas pela Justiça, a Globo decidiu cancelar integralmente o programa. O debate seria o último promovido pela emissora antes do primeiro turno das eleições, marcado para domingo (4). A legislação eleitoral permitia a realização de debates no rádio e na televisão até quinta-feira (1º), com possibilidade de extensão até as 7h de sexta-feira (2).
Fonte: Brasil 247