Girafas conseguem “somar” comida escondida, mas se confundem quando o desafio vira uma subtração

0

Por Gabriel Correa — Catraca Livre

Quatro girafas viram pedaços de cenoura em dois recipientes. Os pesquisadores fecharam as tampas, acrescentaram comida a um deles e pediram que cada animal escolhesse onde havia mais. Na tarefa de combinar quantidades escondidas, o grupo teve desempenho acima do acaso. Quando o experimento passou a retirar cenouras ou transferi-las de um recipiente a outro, o resultado caiu ao nível esperado por sorte. A diferença não mostra que girafas resolvam contas escritas, mas levanta uma pergunta interessante: como acompanham uma quantidade que deixam de ver enquanto ela muda?

Os animais conseguiram acompanhar algumas combinações de quantidades sem visualizar o resultado.

Como funcionava o teste com cenouras?

No estudo publicado em 2026 na Scientific Reports, pesquisadores ligados à Universidade de Barcelona testaram quatro girafas em cativeiro. Os animais viam as quantidades iniciais em dois recipientes amarelos; depois, as tampas fechavam. Uma terceira vasilha verde continha pedaços que seriam acrescentados a uma das opções. A girafa acompanhava o movimento da comida, mas não via o total final antes de escolher com o focinho ou a língua.

O desenho procura distinguir uma escolha baseada apenas no que está à vista de uma escolha que exige lembrar e atualizar uma quantidade. As cenouras tinham tamanhos aproximados, e havia tarefas de controle para verificar se as girafas distinguiam os números iniciais. Uma matéria sobre habilidades numéricas de girafas ajuda a apresentar a curiosidade, embora os detalhes do resultado devam vir do artigo científico.

Retirar e transferir alimentos apresentou dificuldades maiores durante os testes.

O que mudou entre somar e retirar comida?

Na condição de combinação, o grupo escolheu a maior porção com frequência superior ao acaso. A análise individual, porém, mostrou nuances: duas girafas mantiveram bom desempenho mesmo quando uma estratégia mais simples, seguir a vasilha manipulada, não bastava. Nas tarefas em que peças eram retiradas ou passavam de uma opção para outra, nenhum indivíduo demonstrou desempenho equivalente. Esses contrastes limitam a conclusão a tipos específicos de desafio.

Os cientistas não puseram sinais de adição ou subtração diante dos animais. “Somar” é uma comparação abreviada com o processo de acrescentar itens e acompanhar o resultado. A subtração pode exigir mais etapas de memória ou controle de atenção. Também é possível que detalhes do desenho da tarefa afetem o desempenho. O estudo apresenta hipóteses, não uma medida completa de inteligência da espécie.

  • Quatro girafas participaram das tarefas.
  • A combinação de itens ocultos superou o acaso.
  • Retiradas e transferências tiveram desempenho mais fraco.

Por que comparar girafas com outros animais?

Pesquisas sobre números em animais concentram-se com frequência em primatas e aves. Girafas pertencem aos ungulados, grupo de mamíferos com cascos menos examinado nesse tipo de experimento. Já havia estudos sobre escolher amostras de alimentos com base em proporções; a nova tarefa perguntou se os animais podiam acompanhar uma mudança numa quantidade escondida.

Vídeos sobre o experimento tornam mais concreta a sequência de vasilhas, tampas e escolha. Eles ajudam a entender por que a resposta certa não estava simplesmente exposta ao olhar da girafa. O passo seguinte é reconhecer o que uma filmagem isolada não mostra: comparação entre condições, controles e diferenças individuais, essenciais para interpretar os acertos.

Confira o vídeo compartilhado pelo canal do YouTube WGN Living, que apresenta o experimento com girafas e escolhas de comida:

A vida na savana exigiria essa capacidade?

Pode ser útil lembrar onde há mais alimento ou acompanhar grupos que se separam e se reúnem, mas o experimento com quatro animais não demonstra que a capacidade surgiu por uma pressão ecológica específica. Essa possibilidade aparece na discussão dos autores como caminho de investigação. Em ambiente natural, fontes de comida mudam e decisões são tomadas em contextos muito mais complexos do que dois potes.

Também seria inadequado comparar diretamente uma girafa e um chimpanzé como se participassem da mesma prova. Métodos e motivações variam entre espécies. O valor do estudo é expandir a pergunta a um animal pouco examinado na cognição numérica. Controles adicionais, amostras maiores e novos tipos de desafio podem mostrar quais estratégias realmente são usadas.

O que a escolha diante dos potes revela?

Mostra que ao menos algumas das girafas testadas conseguiram lidar com uma combinação simples de quantidades que já não estavam visíveis. Não autoriza afirmar que todas fazem aritmética como estudantes nem que jamais consigam retirar itens mentalmente. Nas condições avaliadas, subtração e transferência se mostraram difíceis. A diferença é parte da descoberta, não uma falha a esconder.

Quando uma girafa toca o recipiente e encontra mais cenouras, a cena parece uma brincadeira. Para os pesquisadores, ela só ganha sentido depois de repetir escolhas, alternar condições e descartar atalhos mais fáceis. Por trás de um pedaço de comida escondido, surge uma janela cautelosa para a maneira como esse animal acompanha mudanças no mundo.

O post Girafas conseguem “somar” comida escondida, mas se confundem quando o desafio vira uma subtração apareceu primeiro em Catraca Livre.

Fonte: Catraca Livre

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *