GEO vira a nova disputa por visibilidade das marcas na internet, aponta relatório sobre consumo na América Latina
Por Allan Ravagnani — Carta Capital
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Relatório da LatAm Intersect mostra que consumidores latino-americanos recorrem cada vez mais à inteligência artificial para decidir compras
A visibilidade das marcas na internet ganhou um novo campo de disputa: as respostas geradas por inteligência artificial. Segundo o relatório “Confiança em tempos incertos: Como o consumidor latino-americano está mudando em 2026”, da LatAm Intersect, 65% dos consumidores da região já usam IA para buscar informações antes de decidir uma compra.
Diante desse cenário, ganha espaço o Generative Engine Optimization (GEO), conjunto de práticas voltado a aumentar a presença de marcas nas respostas produzidas por modelos de IA. Antes, o consumidor comparava várias opções antes de escolher. Agora, muitas vezes recebe apenas uma resposta, e o GEO pode determinar se essa resposta aponta para uma marca ou para a concorrente.
Nesse novo formato de busca, não basta aparecer em um mecanismo de busca tradicional. É preciso que o modelo de IA entenda quem é a marca, o que ela vende e por que é uma opção confiável diante de outras alternativas, em qualquer mercado da região.
Uma análise da Ahrefs encontrou correlação de 0,664 entre menções a marcas na internet e a presença dessas marcas em sistemas de IA. No caso dos backlinks tradicionais de SEO, a correlação cai para 0,218.
O dado indica que o que outras fontes dizem sobre uma empresa passa a valer mais do que apenas os aspectos técnicos do próprio site. Esse respaldo se constrói em espaços como relatórios, blogs, redes sociais e newsletters, por meio de uma narrativa que se repete e reforça a autoridade da marca diante dos modelos de IA.
Um estudo de pesquisadores de Princeton, Georgia Tech e IIT Delhi mostrou que distribuir conteúdo em diferentes publicações, em vez de concentrá-lo só no site próprio, pode aumentar em até 325% as citações que um modelo de IA faz a uma marca em suas respostas.
Ou seja, quanto mais espalhada estiver a presença de uma marca na internet, maiores são as chances de aparecer quando o consumidor pergunta a uma IA onde comprar ou o que escolher.
A adoção de ferramentas de IA já é regra entre empresas latino-americanas. De acordo com o Banco Interamericano de Desenvolvimento, 85% das startups da região usam inteligência artificial generativa, e esse uso já aparece em resultado de negócio: a Linux Foundation aponta que 57% das empresas melhoram a satisfação do cliente e 54,3% aumentam as vendas ao adotar essas ferramentas.
O relatório Redegal 2026 mostra que a adoção de IA entre consumidores chega a 76% no Brasil e a 70% no México, enquanto 74% dos diretores de marketing da região já direcionaram parte do investimento que fariam em SEO tradicional para iniciativas ligadas aos mecanismos generativos. A confiança segue o mesmo caminho: 57% dos brasileiros confiam na IA tanto quanto confiam em outras pessoas, e 42% da Geração Z acredita que a tecnologia vai mudar a forma de comprar.
Para quem empreende na região, a leitura é direta: a visibilidade nas respostas de IA já entra na mesma conta que preço e distribuição na disputa por cliente.
“Existem muitos caminhos já estruturados para ganhar posicionamento, mas acredito que há um muito mais intuitivo e que, muitas vezes, as empresas não valorizam tanto: pensar em como seus próprios clientes buscam. Se uma marca consegue antecipar o que seu usuário pesquisaria para encontrar a marca, já percorreu boa parte do caminho. O desafio está em responder exatamente ao que essa audiência espera encontrar”, afirma Lívia Gammardella, diretora de marketing e digital da LatAm Intersect.
Segundo Gammardella, o maior risco de uma marca não é errar a palavra-chave, e sim não ser notada pelo modelo. Quanto mais uma informação é respaldada por fontes confiáveis espalhadas pela internet, maior tende a ser sua credibilidade diante dessas plataformas.
O canal de busca mudou, mas o desafio de fundo segue o mesmo para empresas de qualquer porte ou país: como os modelos de IA leem o conteúdo de uma marca para além de um conjunto de palavras-chave, e como a visibilidade nessas respostas passa a decidir quem o consumidor escolhe.
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Fonte: Carta Capital