Fusões e aquisições no mercado de de minerais críticos já movimentam US$ 6 bilhões em 2026, aponta estudo

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Por Luis Mauro Filho — Brasil 247

247 – As operações de fusões e aquisições envolvendo projetos de minerais críticos movimentaram US$ 6 bilhões entre janeiro e o início de outubro de 2026, mais que o dobro dos US$ 2,3 bilhões registrados durante todo o ano anterior. Os números fazem parte de um levantamento da A&M Infra, divisão de infraestrutura da consultoria Alvarez & Marsal, que identificou uma aceleração dos negócios relacionados a matérias-primas estratégicas para a transição energética.

O estudo mostra que os projetos de terras raras concentraram uma parcela expressiva das negociações. Entre 2025 e 2 de outubro de 2026, esses minerais representaram 42% dos US$ 8,2 bilhões contabilizados em transações no segmento.

Os números evidenciam a concentração de recursos em empreendimentos ligados à exploração de minerais utilizados em tecnologias industriais, equipamentos eletrônicos e soluções relacionadas à transformação da matriz energética.

Entre as operações de maior valor identificadas pela consultoria está a aquisição da mineradora Serra Verde, localizada em Minaçu, no estado de Goiás, pela norte-americana USA Rare Earth. A transação foi anunciada por US$ 2,8 bilhões, figurando entre os principais negócios do período.

Outro destaque é o projeto Caldeira, situado em Caldas, no sul de Minas Gerais, adquirido pela australiana Lynas em uma negociação de US$ 672 milhões. Assim como a Serra Verde, o empreendimento está relacionado ao segmento de terras raras, que responde por uma parcela significativa dos valores movimentados no mercado.

Empresas chinesas concentram 30% dos valores negociados

Os grupos chineses também aparecem entre os principais investidores em projetos de minerais críticos. Segundo a A&M Infra, empresas da China responderam por 30% dos valores negociados nas operações analisadas.

Diferentemente das transações concentradas em terras raras, os investimentos chineses abrangem diferentes segmentos da mineração, incluindo níquel, alumínio e ouro.

Entre as companhias identificadas pelo levantamento estão CMOC, Chalco, MMG, Baiyin e CNMC, grupos que atuam em diferentes áreas da cadeia mineral.

A participação dessas empresas demonstra que a movimentação de capital no setor não está restrita aos projetos de terras raras. O levantamento também identifica operações envolvendo minerais tradicionais, mas relevantes para diferentes cadeias industriais.

Mineradoras brasileiras captam US$ 600 milhões

Além das aquisições de projetos, o levantamento aponta a entrada de recursos em empresas de mineração que ainda desenvolvem seus empreendimentos.

As chamadas junior mining, companhias de menor porte dedicadas principalmente à pesquisa, exploração e desenvolvimento de projetos minerais, captaram US$ 600 milhões no Brasil entre julho de 2025 e outubro de 2026.

Os recursos foram obtidos por meio da emissão de títulos e ações em mercados internacionais, especialmente nas bolsas do Canadá e da Austrália, além de aportes diretos de capital.

Esse financiamento atende às necessidades de empreendimentos que ainda não chegaram à etapa de produção comercial e precisam realizar investimentos antes de iniciar a operação.

Grande parte dos projetos de minerais críticos analisados permanece em fase pré-operacional. Nessa etapa, as empresas trabalham para cumprir exigências de licenciamento ambiental, comprovar e certificar suas reservas minerais e estruturar o financiamento necessário à construção das unidades produtivas.

A captação de recursos, portanto, ocorre em diferentes fases dos empreendimentos, desde o desenvolvimento inicial das reservas até a preparação das instalações para a extração e o processamento mineral.

Os dados da Alvarez & Marsal abrangem tanto operações de mudança de controle de projetos quanto investimentos destinados ao avanço de empresas ainda em desenvolvimento. O levantamento mostra que o crescimento financeiro do setor ocorre em um mercado no qual parte significativa dos empreendimentos ainda depende de licenças, certificações e financiamento para iniciar a produção.

Fonte: Brasil 247

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