França tem 550 mil nas ruas e 400 detidos durante protestos (vídeo)
Por Leonardo Lucena — Brasil 247
247 – Uma onda de protestos contra o aumento do custo de vida e as condições dos serviços públicos mobilizou cerca de 550 mil pessoas na França neste sábado (17), incluindo 110 mil manifestantes em Paris, segundo o ministro do Interior, Laurent Nuñez. Os confrontos resultaram em aproximadamente 400 detenções e deixaram 60 policiais feridos, dois deles hospitalizados após perderem a consciência. As manifestações, que começaram entre estudantes e ganharam apoio de trabalhadores e integrantes do movimento dos “coletes amarelos”, também registraram incêndios, saques e depredações.
Segundo o Le Monde, os protestos atingiram cidades como Paris, Toulouse, Marselha e Angers, onde grupos de manifestantes enfrentaram as forças de segurança e atacaram instalações públicas.
O ministro Laurent Nuñez relatou saques ou tentativas de saque em cinco municípios: Paris, Rouen, Nantes, Toulouse e Marselha. O governo responsabilizou grupos ligados à esquerda radical e à extrema esquerda por parte dos episódios de violência, enquanto organizações sindicais questionaram a atuação policial durante as passeatas.
O balanço divulgado pelo Ministério do Interior mostra a dimensão nacional da mobilização, que teve início com reivindicações relacionadas à educação pública e passou a incorporar críticas à perda do poder aquisitivo, aos preços dos combustíveis e à desigualdade social.
A polícia recorreu a gás lacrimogêneo em diferentes cidades. Manifestantes também ergueram barricadas, incendiaram objetos nas ruas e entraram em confronto com agentes responsáveis pelo policiamento das passeatas.
O ministro Laurent Nuñez afirmou que a maioria das pessoas detidas era composta por adultos sem ligação direta com o movimento estudantil que deu origem aos protestos. Segundo ele, as autoridades identificaram ações direcionadas contra prédios públicos e dispõem de imagens que poderão auxiliar na identificação dos envolvidos.
O político francês também anunciou uma reunião com o primeiro-ministro Sébastien Lecornu para avaliar a situação. Ao comentar os confrontos, defendeu o direito dos policiais de se protegerem quando enfrentam manifestantes que utilizam armas.
Manifestantes invadem prédios públicos em Angers
Na cidade de Angers, no oeste da França, grupos de manifestantes entraram na prefeitura e na sede da administração regional de Maine-et-Loire. De acordo com informações fornecidas pela administração local à AFP e divulgadas pelo Le Monde, um foco de incêndio atingiu a sala de correspondência do prédio regional.
Um funcionário utilizou um extintor para controlar as chamas antes que o fogo alcançasse outras dependências. Os manifestantes também causaram danos à entrada da prefeitura e atacaram estabelecimentos comerciais. As autoridades regionais estimaram que aproximadamente 10 mil pessoas participaram do protesto na cidade. Desse total, entre 300 e 400 estiveram envolvidas em ataques contra lojas e instalações públicas.
Toulouse registra saques, barricadas e feridos entre sindicalistas
Em Toulouse, no sul da França, as manifestações terminaram com ataques a estabelecimentos comerciais, incêndios em lixeiras e barricadas em diferentes ruas. Segundo o Le Monde, a polícia isolou a praça do Capitólio após um princípio de incêndio e interveio em outros bairros para conter os confrontos.
As estimativas de participação apresentaram divergências. O governo regional contabilizou 32 mil manifestantes, enquanto os sindicatos afirmaram que aproximadamente 80 mil pessoas participaram da mobilização. A tensão aumentou por volta das 16h30, no horário local, quando as forças de segurança tentaram interromper a passeata.
Durante a intervenção, quatro dirigentes sindicais sofreram ferimentos e precisaram deixar o local. O secretário-geral da união departamental da Confederação Geral do Trabalho (CGT) no Alto Garona, Cédric Caubère, responsabilizou as autoridades pela ação policial. “Responsabilizamos diretamente o prefeito regional e seu chefe de gabinete, assim como o primeiro-ministro, pelas ordens dadas à polícia”, afirmou ao Le Monde.
O prefeito de Toulouse, Jean-Luc Moudenc, apresentou uma avaliação diferente sobre os acontecimentos. Em publicação na rede social X, o prefeito acusou o partido França Insubmissa e setores da CGT de oferecerem cobertura política a participantes envolvidos nas depredações.
Paris reúne 110 mil pessoas e amplia esquema de segurança
Na capital francesa, aproximadamente 110 mil pessoas participaram dos protestos, segundo o Ministério do Interior. As autoridades reforçaram a presença policial na região central, principalmente nas proximidades da Avenida Champs-Élysées e do Arco do Triunfo. Os dois pontos turísticos ficaram fora dos trajetos autorizados para as passeatas. Parte dos manifestantes vestiu coletes de alta visibilidade, em referência ao movimento dos “coletes amarelos”, que ganhou projeção internacional durante o primeiro mandato do presidente Emmanuel Macron.
O movimento surgiu em 2018, inicialmente contra o aumento dos impostos sobre o diesel, e posteriormente incorporou reivindicações relacionadas ao custo de vida e à desigualdade. Em Paris, a manifestante Lola, de 19 anos, relacionou os protestos às dificuldades econômicas da população e à atuação da polícia contra estudantes.
“Estamos lutando porque o custo de vida está insuportável, porque o preço dos combustíveis está muito alto, porque estudantes do ensino médio estão sendo violentamente atacados e feridos em todo o país simplesmente por tentarem protestar e pedir mais professores e condições dignas de ensino”, afirmou.
Em Marselha, as autoridades também registraram danos à sede da prefeitura e confrontos entre manifestantes e policiais. Após conversas com o primeiro-ministro e o ministro do Interior, o governo decidiu deslocar reforços policiais para a cidade. O Le Monde relatou ainda episódios de tensão em Lille e Lyon, além de danos materiais em outros centros urbanos.
Macron condena ataques e anuncia punições
O presidente francês, Emmanuel Macron, reagiu aos acontecimentos por meio de uma publicação na rede social X. O chefe de Estado afirmou que as autoridades responsabilizarão judicialmente os envolvidos em ataques a instalações públicas, estabelecimentos comerciais e prédios administrativos.
Macron também defendeu a preservação do direito de manifestação pacífica e criticou os grupos que recorreram à violência. “Vamos todos fazer bloco contra os semeadores do caos, que buscam apenas derrubar nossas instituições e impedir que aqueles que expressam pacificamente suas reivindicações o façam”, escreveu.
Na sexta-feira (16), o presidente já havia pedido calma diante das convocações para uma nova jornada de mobilizações. Os protestos ocorrem quando Macron se aproxima do encerramento de seu mandato e enfrenta dificuldades para administrar as contas públicas francesas.
O governo busca reduzir o endividamento do Estado, mas as medidas econômicas ainda não conseguiram tranquilizar os investidores. Os custos de financiamento da dívida francesa alcançaram os níveis mais altos em mais de duas décadas, aumentando a pressão sobre a administração pública. Ao mesmo tempo, trabalhadores e estudantes cobram investimentos na educação e em outros serviços, além de medidas para enfrentar o encarecimento da vida.
Denúncias de violência policial são investigadas
A atuação das forças de segurança também passou a ocupar espaço nas manifestações depois que participantes denunciaram ferimentos provocados durante a repressão aos atos estudantis. Um dos casos envolve um adolescente que perdeu uma das mãos após pegar uma granada de efeito moral. O órgão responsável pela fiscalização da atividade policial investiga pelo menos 24 denúncias de violência atribuída a agentes de segurança.
A repercussão dos episódios levou as autoridades francesas a suspender temporariamente o uso de determinadas granadas durante manifestações estudantis. Antes dos protestos deste sábado, o ministro do Interior Laurent Nuñez informou que a polícia poderia voltar a utilizar os equipamentos.
O governo defende a necessidade de garantir condições para os policiais enfrentarem situações de violência. Representantes de organizações sindicais, por sua vez, questionam o emprego da força contra participantes das passeatas. As investigações sobre a atuação policial ocorrem paralelamente às apurações sobre os ataques a edifícios públicos, os saques e os confrontos registrados durante a mobilização.
Bombeiros se unem a adolescentes e enfrentam a polícia em Paris. Os jovens protestam contra falta de professores em escolas ou a substituição de professores definitivos por temporários. Os atos se espalham por várias cidades na França e ganharam contornos violentos. Mais de 7 mil… pic.twitter.com/13Eqbownla
— Renato Souza (@reporterenato) October 12, 2026
Protestos contra crise econômica aumentam a tensão e os conflitos na França
Milhares de pessoas foram às ruas da França contra o aumento do custo de vida e a deterioração das condições sociais. Em Paris, veículos foram incendiados perto da Praça da República. As mobilizações… pic.twitter.com/z8IMx84tdg
— HispanTV Brasil (@HispanTV_Brasil) October 17, 2026
A contestação estudantil ganha força em França, com os estudantes universitários a juntarem-se esta quinta-feira (1 de outubro) aos alunos do secundário que estavam nas ruas desde a semana passada. Pelo menos duas escolas foram incendiadas e um diretor ficou ferido após lhe terem… pic.twitter.com/4UISnitmiZ
— Senso Crítico
(@SensoCrtico1) October 17, 2026
Manifestantes invadem prefeituras e ateiam fogo a prédio em protestos contra custo de vida na Françahttps://t.co/EszqMD5bKV
— caderno netuniano (@cadernonetunian) October 17, 2026
Fonte: Brasil 247
(@SensoCrtico1)