Casal usou 80.000 garrafas plásticas descartadas no lugar de tijolos para construir uma casa de 1.700 pés em Bangladesh por cerca de 1/4 do custo tradicional
Por Carlos Emanoel Freires dos Santos — Catraca Livre
Uma Garrafa PET pode ganhar outra função depois do consumo. Em Bangladesh, um casal usou 80.000 recipientes descartados, areia e argamassa para erguer uma casa de 1.700 pés². O projeto combina reciclagem de plástico, economia na obra e uma alternativa ao uso convencional de tijolos.
Como nasceu a ideia da casa feita com garrafas?
Rashedul Islam e Asma Khatun deixaram Daca em busca de uma vida mais tranquila para os dois filhos. Sem dinheiro suficiente para comprar tijolos cerâmicos, os professores pesquisaram técnicas de reaproveitamento e decidiram reunir embalagens descartadas no distrito de Lalmonirhat.
A proposta enfrentou desconfiança no início. Mesmo assim, o casal passou a comprar os recipientes de catadores locais e transformou o material em parte da estrutura. A iniciativa também ajudou a retirar resíduos de áreas urbanas, rios e terrenos próximos às comunidades.
Qual foi o método usado na construção sustentável?
As garrafas foram preenchidas com areia fina compactada e assentadas com argamassa convencional. Os recipientes maiores, de aproximadamente um litro, ficaram nas fundações. As embalagens menores, de meio litro, foram usadas nas divisórias superiores. Assim, cada fileira funcionou como uma camada de blocos reaproveitados.
O que muda no conforto e na resistência?
O preenchimento com areia cria uma barreira térmica entre os ambientes interno e externo. Segundo o relato sobre a obra, a residência permanece mais fresca nos dias quentes e conserva melhor o calor em períodos frios. A estrutura também foi descrita como capaz de suportar ventos fortes e tremores, embora projetos semelhantes precisem de avaliação técnica local.
O material utilizado é o tereftalato de polietileno, conhecido como PET. Esse plástico é leve, resistente e pode ser reciclado. Na casa de Bangladesh, porém, as embalagens foram reaproveitadas diretamente, sem passar primeiro por um processo industrial de transformação.
Por que a alternativa reduziu o custo da obra?
A residência custou cerca de 400 mil takas, valor equivalente a aproximadamente um quarto do preço estimado para uma construção tradicional com alvenaria cerâmica. A economia veio da substituição parcial do tijolo e da compra de recipientes junto a catadores.
Os principais materiais e serviços envolvidos foram:
- Garrafa PET descartada, adquirida de trabalhadores da coleta;
- Areia transportada para preencher e compactar os recipientes;
- Cimento usado na argamassa entre as fileiras;
- Mão de obra para organizar as paredes e finalizar a residência.
Que impacto essa solução pode gerar?
A reciclagem de plástico ganha uma aplicação concreta quando o resíduo deixa de ser apenas um problema de descarte. Ao evitar que 80.000 garrafas chegassem ao solo ou à água, o projeto reduziu a quantidade de embalagens abandonadas. A troca de parte do tijolo também diminuiu a dependência de materiais produzidos em fornos.
Para outras comunidades, a experiência mostra que a construção sustentável pode unir habitação acessível e reaproveitamento de resíduos. A técnica não substitui normas de segurança, cálculo estrutural ou fiscalização, mas apresenta um caminho possível para transformar materiais sem uso em paredes, reduzir custos e fortalecer a reciclagem de plástico.
Uma casa que transforma descarte em moradia
O caso de Bangladesh chama atenção porque conecta três desafios cotidianos: o excesso de embalagens, o preço dos materiais e a falta de moradias acessíveis. A Garrafa PET, quando preparada com areia e incorporada corretamente à alvenaria, deixou de ser apenas um resíduo e passou a integrar uma solução habitacional.
A experiência também reforça que cada projeto precisa considerar clima, solo, ventilação, resistência e legislação local. Ainda assim, o uso de garrafas no lugar de parte do tijolo revela como a reciclagem de plástico pode participar de uma construção sustentável com impacto direto no orçamento e no ambiente.
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Fonte: Catraca Livre