Fotografia de Fernando de Noronha leva brasileira ao pódio de prêmio internacional
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Uma caverna no fundo do mar de Fernando de Noronha, em Pernambuco, foi o cenário de uma das imagens que levaram a fotógrafa brasileira Fabi Fregonesi ao pódio de uma das principais premiações internacionais de fotografia. Registrada em preto e branco durante um mergulho na Caverna da Sapata, a fotografia conquistou o segundo lugar na subcategoria Esportes – Esportes de Verão, na competição não profissional do International Photography Awards (IPA) 2026.
A edição deste ano recebeu mais de 14 mil imagens de fotógrafos de 139 países, segundo a organização. O IPA promove anualmente competições para profissionais, não profissionais e estudantes.
O reconhecimento em Fernando de Noronha veio acompanhado de outros seis prêmios para Fabi. Ao todo, ela recebeu quatro menções honrosas na categoria Natureza – Subaquática e duas na categoria Macro. As imagens foram feitas em diferentes pontos do planeta, entre eles Galápagos, África do Sul, Indonésia, Maldivas, Estados Unidos e Curaçao.
Mais do que registrar paisagens, o trabalho da fotógrafa tem como foco revelar um universo que permanece invisível para grande parte das pessoas: aquele que existe abaixo da superfície do oceano.
“A fotografia subaquática permite levar para fora da água paisagens e comportamentos que poucas pessoas têm a oportunidade de conhecer”, afirma Fabi Fregonesi.
Segundo a fotógrafa, a visibilidade alcançada pelas imagens pode também contribuir para aproximar o público dos ambientes marinhos e despertar o interesse pela conservação.
A fotógrafa subaquática Fabi Fregonesi começou a mergulhar em 2009 e passou a fotografar debaixo d’água em 2012
Luciana Aith/ Divulgação
Um outro olhar para o fundo do mar
A fotografia subaquática impõe desafios que não existem da mesma maneira em terra firme. A luz, a movimentação da água, a distância em relação aos animais e o próprio tempo disponível durante um mergulho interferem na produção de cada imagem.
No trabalho reconhecido pelo IPA, Fabi explora justamente essa relação entre técnica e ambiente. A fotografia realizada em Fernando de Noronha foi feita em preto e branco, recurso que elimina as cores características do ambiente marinho e concentra a atenção na composição, nas formas e nos contrastes da cena.
Outras imagens premiadas nesta edição mostram situações distintas da vida marinha. Entre elas estão registros de um lobo-marinho durante a caça a um cardume e de peixes realizando incubação bucal, comportamento no qual os ovos ou filhotes são protegidos dentro da boca.
Na categoria Macro, o olhar se aproxima ainda mais dos organismos fotografados. Pequenos animais e detalhes da fauna subaquática ganham protagonismo, revelando estruturas que podem passar despercebidas mesmo para quem está mergulhando.
A própria trajetória de Fabi nasceu dessa aproximação gradual com o ambiente marinho. Ela começou a mergulhar em 2009 e passou a fotografar debaixo d’água em 2012, inicialmente como hobby. Depois de duas décadas trabalhando no mercado corporativo e publicitário, decidiu, em 2024, dedicar-se integralmente à fotografia.
Formada em publicidade e com pós-graduação em administração, Fabi passou cerca de duas décadas no ambiente corporativo, incluindo anos na liderança de equipes de vendas. A mudança de carreira transformou uma atividade que começou como interesse pessoal em profissão.
No próprio relato sobre sua trajetória, a fotógrafa afirma que passou a utilizar a imagem como instrumento para aproximar as pessoas da vida marinha e estimular uma percepção diferente sobre os oceanos. Ela também destaca seu interesse por tubarões e pela desconstrução de estigmas associados a esses animais.
A mudança de carreira veio acompanhada de uma sequência de reconhecimentos internacionais. Segundo o levantamento publicado em seu site, Fabi acumula premiações e menções em concursos como One Eyeland Award, 35 Awards, 1839 Photographer of the Year, Exposure One, Monochrome Awards, Ocean Geographic Pictures of the Year e Underwater Photographer of the Year.
Entre esses resultados está o terceiro lugar na categoria Wrecks, do Underwater Photographer of the Year (UPY). De acordo com a biografia publicada pela própria fotógrafa, ela foi a primeira brasileira — e a primeira mulher brasileira — a chegar ao pódio da premiação.
Para Fabi, a câmera funciona como uma espécie de ponte entre dois mundos. De um lado, estão os ambientes marinhos acessíveis a quem mergulha. Do outro, um público que dificilmente terá contato direto com cavernas, recifes, grandes animais ou pequenos organismos que vivem debaixo d’água.
Essa distância ajuda a explicar a importância da fotografia de natureza na divulgação da biodiversidade. Uma imagem pode apresentar ao público comportamentos, espécies e paisagens que normalmente permanecem restritos a pesquisadores, mergulhadores e comunidades que vivem próximas ao mar.
No caso de Fernando de Noronha, o registro premiado também coloca em evidência um dos ambientes naturais mais conhecidos e protegidos do Brasil. A imagem não documenta apenas uma atividade esportiva: transforma uma experiência de mergulho em uma representação visual de um ecossistema que permanece, para a maioria das pessoas, praticamente inacessível.
“Quando essas imagens ganham visibilidade, também ajudam a despertar o interesse pela conservação desses ambientes”, diz a fotógrafa.
O resultado no IPA se soma a uma trajetória internacional que Fabi vem construindo especialmente nos últimos dois anos. Em seu levantamento de prêmios, a fotógrafa registra reconhecimentos em diferentes concursos e categorias, incluindo fotografia de natureza, vida selvagem, macro, preto e branco e fotografia subaquática.
Em 2026, ela também apareceu entre as selecionadas do Sony World Photography Awards, com a fotografia Hunting Game, feita nas Ilhas Galápagos. A imagem mostra um lobo-marinho atravessando um cardume de peixes e foi incluída na seleção regional da América Latina.
O conjunto de trabalhos revela uma característica recorrente da fotografia da profissional, a de tentar registrar não apenas a aparência dos animais, mas também seus comportamentos e as relações que estabelecem dentro do ambiente marinho. No fundo, diz, é um exercício de tornar visível aquilo que normalmente permanece escondido.
Fonte: umsoplaneta