FMI reduz projeções de crescimento da América Latina diante de choque energético e fraco avanço em IA

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Por Guilherme Levorato — Brasil 247

247 – O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para baixo as suas previsões de crescimento econômico para a América Latina e o Caribe neste ano e no próximo. Segundo a instituição, a maior parte da região vem se beneficiando pouco do boom da inteligência artificial, avanço tecnológico que tem ajudado outras economias globais a absorverem o choque energético provocado pela guerra no Oriente Médio, segundo reportagem da Reuters.

No relatório Perspectiva Econômica Global, divulgado em Bangcoc, o Fundo projetou um crescimento regional de 2,3% para este ano. O índice representa uma desaceleração em relação à expansão de 2,5% registrada em 2025 e fica abaixo da estimativa de 2,4% feita em julho para 2026. Para 2027, a projeção do FMI para a América Latina e o Caribe também caiu, passando de 2,7% para 2,5%.

As revisões para baixo na região ocorrem em um momento no qual o Fundo elevou ligeiramente a estimativa de crescimento global deste ano de 3,0% para 3,1%. O FMI atribuiu a resiliência dessa “economia global dividida” ao redirecionamento das fontes de energia e aos pesados investimentos impulsionados pela inteligência artificial.

A guerra no Oriente Médio transformou a energia em um choque inflacionário em escala planetária, elevando o preço do petróleo Brent a patamares cerca de 45% superiores aos verificados no período pré-guerra. Os custos mais elevados de combustível e energia pressionam o orçamento de famílias e empresas, enquanto os temores de uma inflação persistente impulsionaram os custos globais de financiamento para os níveis mais altos em décadas.

Na avaliação do FMI, o impacto do choque energético na América Latina varia de acordo com a capacidade de os ganhos dos países exportadores de commodities superarem as perdas das nações importadoras de energia, além da credibilidade das metas de inflação dos bancos centrais. O organismo destacou que “há pouca compensação proveniente da recuperação do setor tecnológico na maioria dos países”.

Entre as principais economias latino-americanas analisadas em separado pelo relatório, a Argentina sofreu o maior corte em suas projeções. O Fundo prevê que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) argentino desacelere para 2,1% neste ano, ante os 4,5% computados em 2025 e bem abaixo dos 3,5% projetados em julho. Para 2027, a estimativa do país caiu de 4,0% para 3,5%. Por outro lado, a inflação argentina deve registrar queda, passando de 41,9% em 2025 para 32,5% neste ano.

As projeções para o crescimento da economia do Brasil caíram para 2,2% neste ano e 1,9% para 2027, abaixo dos números divulgados em julho, que apontavam 2,4% e 2,2%, respectivamente. Se antes o FMI previa que a atividade no país “permaneceria resiliente”, agora espera uma desaceleração no próximo ano. Entre os fatores apontados estão as condições monetárias restritivas aplicadas para reconduzir a inflação à meta, a retirada de estímulos fiscais por parte do governo e as incertezas no cenário internacional.

O México apresentou uma trajetória oposta nas previsões de curto prazo, com sua estimativa de crescimento para 2026 elevada de 1,2% para 1,5%. Se antes a melhora mexicana era associada a políticas internas menos restritivas, o Fundo agora destaca o papel das exportações — beneficiadas inclusive por cadeias de suprimento ligadas à inteligência artificial — e a estabilização dos investimentos. Apesar disso, a projeção para o México em 2027 caiu de 1,9% para 1,8%, com o FMI ressaltando que incertezas comerciais continuarão a frear a atividade.

O relatório apresenta ainda um panorama desafiador para outros países da América do Sul: o crescimento do Chile deve desacelerar de 2,5% para 0,6% neste ano; a economia da Bolívia deve encolher 3,0%, vinda de uma contração de 1,6% em 2025; e a inflação na Venezuela deve disparar de 252,0% para 467,9%.

Diante deste quadro, o FMI alertou que os riscos gerais continuam inclinados para o lado negativo. A instituição advertiu que eventuais turbulências nos mercados financeiros podem atingir com força os países emergentes, elevando os custos de endividamento público, pressionando as moedas locais e provocando um aperto adicional nas condições financeiras internas.

Fonte: Brasil 247

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