Flávio Bolsonaro viajou em avião de Daniel Vorcaro, revela revista Piauí
Por Redação TVT — TVT News
O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, utilizou um avião executivo pertencente ao banqueiro Daniel Vorcaro para retornar da Flórida, nos Estados Unidos, para Brasília em 19 de janeiro de 2025.
A informação foi publicada pela revista Piauí, em reportagem do jornalista Breno Pires. A aeronave, um Legacy 650 de prefixo PP-NLR, é a mesma que transportou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, em agosto do mesmo ano, conforme revelado pelo jornal O Globo.
Leia mais sobre Flávio Bolsonaro no avião de Vorcaro na TVT News, com informações da reportagem da revista Piauí.
O que você precisa saber sobre Flávio Bolsonaro no avião de Vorcaro
- Por que Flávio usou o avião: A viagem foi feita em família, com a mulher, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, e as duas filhas do casal. O senador retornava de uma passagem pela Flórida na véspera da posse de Donald Trump.
- Quem mais estava no avião: Além da família, o amigo e advogado Willer Tomaz viajou no mesmo jato. Tomaz é investigado pela Polícia Federal no esquema de desvios bilionários do INSS e confirmou à Piauí ser dono de uma das três cotas da aeronave.
- O avião é o mesmo usado por Moraes: A aeronave PP-NLR é a mesma que, sete meses depois, foi filmada transportando o ministro Alexandre de Moraes. O escritório de Viviane Barci confirmou a contratação do táxi aéreo, mas negou vínculo pessoal com Vorcaro.
- Laranjas e mansão ligada a Flávio: Uma empregada doméstica, Lídia Maria Figueiredo Mazelli, aparece como presidente de 14 empresas ligadas a Willer Tomaz, incluindo uma relacionada a uma mansão em Angra dos Reis associada a Flávio Bolsonaro.
- Para entender: O vídeo do Fábio Porchat, da série “Revelando”, mostra as ligações entre a igreja Lagoinha, o banco Master e Flávio Bolsonaro.
Flávio Bolsonaro usou o avião de Daniel Vorcaro
A reportagem da Piauí apurou que a empresa Prime You, que tinha Daniel Vorcaro como um dos sócios, já era dona de um terço das cotas da aeronave na data do voo. A aquisição foi realizada no fim de 2024. A Prime You também era a operadora do jato, por meio da Prime Aviation Táxi Aéreo e Serviços.
A piauí cruzou registros de tráfego aéreo, dados de pousos e decolagens e informações do Registro Aeronáutico Brasileiro para identificar a aeronave.
Segundo informações da própria empresa, Vorcaro foi sócio da Prime You de 2021 até setembro de 2025. Um relatório da Polícia Federal mostra que cada uma das cotas de 33,33% valia 5,5 milhões de dólares em maio de 2025. Nessa época, a empresa negociava a transferência da participação para o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher de Alexandre de Moraes, negociação que não se concretizou.

Quem mais estava no avião de Vorcaro
Além de Flávio Bolsonaro, sua mulher e suas duas filhas, o advogado e empresário Willer Tomaz estava a bordo. Tomaz é apontado pela Polícia Federal como uma peça central no esquema de fraudes em benefícios do INSS, investigado na Operação Sem Desconto.
Tomaz confirmou à Piauí que era dono de uma das três cotas do avião. Ele declarou que o uso era estritamente privado e que oferecia caronas cordiais a amigos sem custos ou contrapartidas. Afirmou ainda que jamais fez negócios com Daniel Vorcaro e que só soube que o banqueiro era cotista da mesma aeronave em abril de 2026, quando denunciou o contrato e entrou em litígio formal com a operadora Prime You.
A relação entre Tomaz e Flávio Bolsonaro já era pública. Em 2021, durante a CPI da Covid, o senador se referiu ao advogado como “meu amigo”. Reportagens mostram que os dois fizeram pelo menos cinco viagens internacionais juntos em 2025. Tomaz também cedeu um imóvel de uma empresa ligada a ele para uso de Flávio durante a campanha presidencial de 2026.
O avião é o mesmo que Alexandre de Moraes usou
O jato Legacy 650 de prefixo PP-NLR ficou nacionalmente conhecido após o jornal O Globo revelar, em setembro de 2026, um vídeo que mostra o ministro Alexandre de Moraes e sua esposa, Viviane Barci, desembarcando da aeronave no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro.

O escritório de advocacia de Viviane Barci confirmou a contratação do serviço de táxi aéreo, mas negou qualquer vínculo pessoal com Vorcaro, afirmando que ele nunca esteve presente nos voos. A reportagem da Piauí identificou que a aeronave usada por Flávio Bolsonaro em janeiro de 2025 é exatamente a mesma que, sete meses depois, transportou o ministro do STF.
A dona formal do avião era a Fraction 024, cujo capital se dividia em três partes iguais. Uma era de Tomaz, outra de Laércio Cosentino, fundador da TOTVS, e a terceira foi comprada pela Prime You no fim de 2024.
Os elos entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz
A proximidade entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz já era conhecida antes da revelação sobre o voo.
Durante a CPI da Covid, Flávio Bolsonaro se referiu publicamente a Tomaz como seu amigo. Em 2022, o senador tentou indicar o advogado para uma vaga no Conselho Nacional de Justiça, mas a indicação não avançou.
Em 2025, os dois fizeram viagens internacionais juntos, incluindo uma safari na África do Sul. Segundo a piauí, a viagem de janeiro de 2025 à Flórida também ocorreu em meio à estadia dos dois no Hard Rock Hotel & Casino, na região de Miami.
A relação também envolve imóveis. Em agosto de 2026, a piauí revelou que Flávio Bolsonaro utilizou durante a campanha em São Paulo um apartamento comprado por uma empresa de Tomaz de Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro.
No caso do avião, a reportagem de Breno Pires acrescenta mais um elemento a essa relação: Tomaz era proprietário de uma das três cotas da aeronave e estava no mesmo voo de Flávio Bolsonaro e sua família em janeiro de 2025.
De carona no Avião de Vorcaro: Flávio Bolsonaro, Willer Tomaz e a laranja
Uma reportagem da newsletter Noites Húngaras em parceria com o ICL Notícias revelou que Lídia Maria Figueiredo Mazelli, de 61 anos, trabalhou por cerca de um ano e meio no escritório de Willer Tomaz, entre março de 2019 e setembro de 2020. Após deixar o emprego, passou a responder, ao menos no papel, como dirigente de 14 empresas ligadas ao antigo patrão.
Entre as empresas está a WT Administração de Imóveis e Bens, relacionada a uma mansão na Ilha Comprida, em Angra dos Reis. A mansão foi usada por Flávio Bolsonaro. O imóvel, avaliado em cerca de R$ 10 milhões, esteve no centro de uma disputa judicial e passou a ter a posse transferida para uma empresa ligada a Tomaz.
Lídia foi localizada na periferia do Distrito Federal e negou conhecer Willer Tomaz. Ela afirmou aos jornalistas que trabalha como doméstica e disse desconhecer que seu nome aparecesse à frente das empresas.
A reportagem identificou o nome de Lídia em 14 empresas, incluindo negócios relacionados a imóveis, aviação, comunicação, investimentos, mineração e meios de pagamento. Uma dessas empresas opera um hangar para jatos executivos em Brasília. Outra, a RioPag, atua no processamento de pagamentos de casas de apostas credenciadas pela Loteria do Estado do Rio de Janeiro.
Os elos entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz
A proximidade entre o senador e o advogado investigado vai além das viagens. Durante a campanha presidencial de 2026, Flávio Bolsonaro utilizou um imóvel de uma empresa ligada a Tomaz. Antes de passar para a empresa do advogado, o imóvel havia sido propriedade de Fabiano Zettel, cunhado e apontado operador financeiro de Daniel Vorcaro.

A Polícia Federal também identificou que Tomaz teria colocado uma aeronave à disposição do senador. Um relatório da corporação aponta Flávio Bolsonaro como “liderança e sustentáculo” das atividades do grupo investigado nas fraudes do INSS.
Procurado anteriormente pelo GLOBO sobre os deslocamentos, Flávio afirmou manter com Willer uma “relação de amizade legítima”. O senador disse que “qualquer tentativa de insinuar irregularidade a partir dessa afinidade pessoal é mera ilação, sem qualquer fundamento nos fatos”.
Para entender: veja também o vídeo do Fábio Porchat
O ator e roteirista Fábio Porchat apresentou o segundo episódio da série “Revelando”, intitulado “Grandes Igrejas, Master Negócios“. O programa procura reconstruir as relações entre personagens ligados ao caso, partindo do casamento entre Natália Vorcaro e Fabiano Zettel, realizado sob a bênção do pastor André Valadão, da Igreja Batista Lagoinha.
Entre os nomes mencionados estão os pastores André Valadão e Fabiano Zettel, o deputado Nikolas Ferreira, a advogada Viviane Barci de Moraes, o senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. A produção afirma trabalhar com documentos, dados, pesquisas, reportagens jornalísticas e conexões entre personagens e acontecimentos para construir os episódios.
O perfil oficial da série no Instagram foi retirado do ar pela Meta após a repercussão do episódio, mas voltou ao ar horas depois. O vídeo completo permanece disponível no YouTube e chegou ao primeiro lugar entre os vídeos mais vistos do dia na plataforma, checando a quase 5 milhões de visualizações.
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Fonte: TVT News