Flávio Bolsonaro quer privatizar o Banco do Brasil a serviço dos banqueiros imperialistas
Por Redação — Esquerda Diário

A equipe econômica de Flávio Bolsonaro (PL) colocou o Banco do Brasil entre as estatais que podem ser privatizadas em um eventual governo do candidato. O projeto é herdado dos planos de seu pai, Jair Bolsonaro, quando era presidente, e é inspirado no filhote de Trump na Argentina, Javier Milei. As greves de bancários da Caixa mostram o caminho de como enfrentar esse projeto da extrema-direita que aumenta o controle dos bancos imperialistas sobre o país!
Daniella Marques, coordenadora de seu programa econômico e ex-presidente da Caixa no governo Jair Bolsonaro, afirmou que o BB “poderia” ser privatizado e justificou a possibilidade pelo valor de mercado do banco em relação ao seu patrimônio. A privatização do BB aparece dentro de um programa mais amplo de entrega do país ao grande capital imperialista, concentrado em grandes bancos internacionais, que poderão ter ainda mais controle sobre a nossa economia.
Além do BB, Daniella defendeu a revisão das empresas controladas pela União, com possibilidade de privatização ou liquidação, e citou expressamente a Ceitec entre as companhias que, em sua avaliação, não deveriam permanecer sob controle estatal. Trata-se da empresa de semi condutores, um componente estratégico para a produção de tecnologias ligadas à “indústria 4.0” e que está no centro da disputa geopolítica e comercial entre EUA e China. A empresa foi privatizada por Jair Bolsonaro e reestatizada pelo atual governo.
Antes de assumir a coordenação econômica de Flávio, Daniella foi secretária de Produtividade e Competitividade, assessora especial de Paulo Guedes e presidente da Caixa durante o governo Bolsonaro.
Para os Correios, a proposta apresentada é primeiro reestruturar as contas e a gestão para depois decidir sobre seu futuro. A coordenadora também afirmou que um eventual governo Flávio pretende promover cortes de gastos, rever benefícios tributários e realizar um “revogaço” de normas. Lembramos que Jair Bolsonaro foi parte de impor uma série de ataques aos ecetistas, que travaram uma forte greve contra o desmonte da empresa por parte desse governo e os planos de leiloar os Correios para a Amazon ou a Magazine Luiza.
As intenções de privatizar o Banco do Brasil já estavam no governo bolsonarista anterior, com Paulo Guedes sendo defensor aberto dessa proposta. Agora, além de revigorar o plano privatista e de ataques aos trabalhadores de seu pai, faz referência declarada ao governo de Javier Milei na Argentina, aliando-se no projeto entreguista e de subordinação do país aos interesses dos EUA.
Em evento do grupo empresarial Esfera Brasil, em 14 de setembro, Daniella classificou Milei como um “ótimo exemplo” em redução de burocracia e impostos e afirmou que a campanha pretende se inspirar nas reformas argentinas. As reformas de Milei foram responsáveis pelo aumento da pobreza, chegando a mais de 30% da população, corroendo os salários, enquanto cortou uma série de direitos trabalhistas, entregou riquezas do país para multinacionais que destroem a Patagonia, as geleiras, destruindo o meio ambiente para aumentar seus lucros.
A discussão sobre o futuro dos bancos e das empresas públicas ocorre enquanto trabalhadores dessas próprias estatais protagonizam mobilizações nacionais. Funcionários do Banco do Brasil realizaram paralisações em setembro; os trabalhadores da Caixa seguem em uma forte greve nacional, que chegou a realizar atos em unidade com a greve dos Correios que se encerrou na semana passada. As mobilizações colocam no centro do debate as condições de trabalho, em especial sobre o Plano de Saúde, que está sendo cortado (afetando diretamente os salários) para mandar mais lucros e dividendos para o Estado destinar ao pagamento da dívida pública. Uma dívida que é controlada por grandes bancos imperialistas, como o espanhol Santander, os americanos JP Morgan, Goldmann Sachs e Merryl Lynch, os mais interessados na privatização do Banco do Brasil.
Essas greves, que tem os bancários da Caixa como mais forte exemplo, mostram a disposição dos trabalhadores de lutarem contra o sucateamento das estatais e o ataque aos seus direitos, que são o ponto de partida para todo projeto que precariza a empresa e leva a sua privatização. Um projeto que a extrema-direita quer radicalizar e está sendo levada adiante hoje pelo governo Lula, mostrando que é com a mobilização dos trabalhadores que podemos enfrentar os planos da extrema-direita, não com a conciliação do PT que freia a mobilização e rifa cada vez mais nossos direitos.
As greves dos bancários e dos Correios podem ser um ponto de apoio para que os trabalhadores entrem em cena na política nacional com uma resposta política independente à crise política envolvendo o Banco Master, o STF e o conjunto das instituições desse regime degradado. Contra a República dos banqueiros, apoie a greve dos bancários e correios!
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Fonte: Esquerda Diário