Filho de Trump e amigo de Flávio Bolsonaro querem saquear toneladas de terras raras em Minas Gerais

0

Por Kassandra Andrade de Sousa — Esquerda Diário

imagesdfggfdgfdgfdgfd.jpg?1790382518

O filho de Donald Trump está organizando uma cadeia de fornecimento de terras raras com uma das maiores empresas do Brasil no setor, a australiana Meteoric Resources que opera no sul de Minas Gerais. Essa política é parte do avanço brutal do imperialismo contra a América Latina, que no Brasil tem atuado para intervir no regime político a fim de fortalecer seu principal capacho, Flávio Bolsonaro, além de buscar explorar todas as nossas terras raras e recursos naturais, deixando para a classe trabalhadora as consequência da crise ambiental.

A cadeia de exploração que está sendo organizada para os interesses de Trump Jr e do imperialismo americano pretende que a australiana Meteoric Resourses envie cerca de 3.000 toneladas de terras raras para a canadense Ucore Rare Metals que deve processar essas terras no estado da Louisiana e mandar a matéria prima refinada para a Vulcan Elements, empresa especializada em ímãs para drones, satélites, equipamentos militares, semicondutores e carros elétricos investida pela 1789 Capital, empresa de Trump Jr.

A exploração dessas terras é feita pela Meteoric na região sul de Minas Gerais, nas cidades de Andradas, Poços de Caldas e Caldas, numa área total de 192 quilômetros quadrados que possui cerca de 1,6 bilhão de toneladas de terras raras. Em Março deste ano, a Meteoric assinou um memorando com a Ucor para iniciar o envio de amostrar para avaliações de qualidade das terras extraídas de Minas. Em junho, a Meteoric afirmou para o mercado australiano que extraiu 43 toneladas de minério de Caldeira, um tipo de argila iônica rica em elementos de terras raras.

Apesar de já ter extraído tantas toneladas de terras raras, a exploração comercial ainda não está liberada, mas a empresa já solicitou os licenciamentos necessários. Toda essa cadeia internacional de mineração, exportação e processamento de terras raras acontece no marco da dependência americana do processamento concentrado na China. Trump busca explorar até a última gota de petróleo e o último centímetro de terra do Brasil para vencer a sua disputa com a China, afundando nosso continente em uma profunda crise climática que sofre a cada com devastações como os terremotos na Venezuela e Colômbia, o Super El Niño e as enchentes brutais em todas as regiões do Brasil.

A mineração em particular já causou milhares de mortes e migração ambiental nos últimos anos no Brasil: a mineração de ferro levou a crise de Mariana (MG) em 2015, o garimpo ilegal de ouro em terras Yanomami durante anos contaminou rios e matou dezenas de pessoas, a mineração de sal-gema em Maceió gerou subsidência do terreno, afundando 5 bairros e forçando 60 mil pessoas a deixarem suas casas. Esses são apenas alguns exemplos que expressam as consequências desumanas do avanço da mineração a serviço dos interesses do imperialismo que tem a extrema-direita nacional como seu aliado e capacho.

Flávio Bolsonaro afirmou em março na Conferência de Ação Política Conservadora, congresso internacional de articulação dos interesses da extrema-direita, que o Brasil será “a solução os Estados Unidos quebrarem a dependência da China por minérios críticos, especialmente terras raras”. O filho 01 de Bolsonaro está totalmente comprometido em entregar o Brasil de mãos beijadas a Trump, inclusive prometendo convocar membros do governo americano para compor sua gestão.

O Brasil e a América Latina não pode ser quintal de disputa entre China e Estados Unidos! Contra a entrega de nossas riquezas, é preciso que a classe trabalhadora se coloque como sujeito político com programa próprio, com independência de classe e sem confiança na Frente Ampla e no Judiciário que atuam para garantir a manutenção dos interesses de Trump. Vivemos um momento de profunda crise climática no mundo, e os responsáveis por esse cenário são os latifundiários que incineram milhões de quilômetros de florestas para produzir commodities e as mineradoras que destroem nossos solos. Lula se mostrou incapaz de oferecer uma alternativa real para o avanço da extrema-direita e de Trump, tendo feito um governo que apenas fortaleceu esses setores garantindo privatizações, entrega de terras raras e trilhões pro agro.

A classe trabalhadora precisa assumir seu papel como a única classe capaz de impor uma saída revolucionária para as constantes crises do capitalismo. Precisamos impor uma Assembleia Constitucional Livre e Soberana imposta pela força da mobilização independente dos trabalhadores em aliança com os indígenas, LGBTQIAP+, negros e mulheres sem a tutela das institucionais burguesas do regime como o judiciário e os militares. Só assim poderemos questionar profundamente as estruturas dessa sociedade degrada que massacra os trabalhadores em nome dos lucros de poucos parasitas bilionários, colocando de pé uma nova sociedade o bem comum esteja acima do lucro.

Foto: Área de mineração da Meteoric Caldeira Mineração Ltda. subsidiária da Meteoric Resoursces no sul de Minas Gerais

Fonte: Esquerda Diário

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *