Federação Psol-Rede pede ao Itamaraty expulsão de diplomata dos EUA
Por Paulo Emilio — Brasil 247
247 – O presidente da Federação PSOL-Rede e candidato a deputado federal, Juliano Medeiros, encaminhou uma representação ao Ministério das Relações Exteriores pedindo que Kimberly Kelly, responsável interina pela Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, seja declarada persona non grata. A iniciativa tem como fundamento uma série de episódios que, na avaliação do dirigente, configurariam interferência do governo de Donald Trump em assuntos internos brasileiros.
Segundo a coluna Painel, da Folha de São Paulo, entre os episódios citados por Medeiros está o fechamento da embaixada e de consulados dos Estados Unidos no Brasil nesta sexta-feira (2), anunciado sob a alegação de questões de segurança. O dirigente também solicita às autoridades brasileiras que apurem as circunstâncias que levaram à medida.
“Há uma sucessão de iniciativas do governo Donald Trump que atingem diretamente a soberania brasileira e a autonomia das nossas instituições”, afirma Medeiros na representação encaminhada ao Itamaraty.
Pedido mira Kimberly Kelly
A representação solicita especificamente que Kimberly Kelly seja considerada persona non grata. Ela está à frente da representação diplomática estadunidense no Brasil, enquanto Daniel Perez, designado pelo governo Trump para assumir como embaixador, ainda não recebeu o aval do governo brasileiro, segundo a Folha.
Medeiros argumenta no documento que a declaração de persona non grata é uma prerrogativa do governo brasileiro e não depende da existência de condenação criminal.
Ao justificar a solicitação, a representação também aborda os deveres atribuídos aos integrantes de missões diplomáticas no país onde exercem suas funções.
“Os agentes diplomáticos têm o dever de respeitar as leis e os regulamentos do Estado acreditado e de não se imiscuir nos assuntos internos desse Estado, além de determinar que as instalações da missão sejam utilizadas de forma compatível com suas funções diplomáticas”, afirma o documento.
Interferência e soberania brasileira
Para sustentar o pedido, Medeiros também menciona reportagem do jornal britânico The Guardian segundo a qual o governo estadunidense estaria financiando grupos contrários ao Supremo Tribunal Federal (STF). A representação cita ainda um alerta da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) de que a pressão dos Estados Unidos sobre o Brasil teria atingido “nível crítico”.
“O conjunto desses episódios exige uma resposta firme das instituições brasileiras, posto que as relações diplomáticas entre Estados soberanos pressupõem respeito à autodeterminação dos povos, à independência dos Poderes e ao direito de cada país de decidir, sem pressão ou tutela estrangeira, os rumos de sua própria democracia”, diz um trecho da representação.
Fonte: Brasil 247