Fachin pede parecer da PGR sobre afastamento de Andrei Rodrigues da PF

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Por Otávio Rosso — Brasil 247

247 – O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, decidido pelo ministro André Mendonça e revertido no dia seguinte.

A medida reacende um dos pontos centrais da crise interna no Supremo, aberta após decisões envolvendo investigações sobre o suposto desvio de emendas parlamentares para o filme Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, e apurações relacionadas ao escândalo do banco Master.

A decisão de Mendonça, assinada em 8 de setembro, afastou Andrei Rodrigues do comando da PF e determinou que a Corregedoria da corporação apurasse sua conduta. No despacho, o ministro afirmou que a Polícia Federal deveria abrir procedimentos investigatórios de natureza penal e administrativo-disciplinar.

“À Polícia Federal, por meio da sua Corregedoria, que promova a abertura de procedimentos investigatórios de natureza penal e administrativo-disciplinar voltados à apuração dos graves fatos identificados, devendo submeter a este relator as medidas que considerar necessárias no curso das apurações”, dizia a decisão de Mendonça.

No dia seguinte, porém, o ministro Flávio Dino determinou a reintegração de Andrei Rodrigues ao cargo. A decisão foi tomada após pedido apresentado pelo próprio diretor-geral da PF no âmbito da investigação sobre o suposto desvio de emendas parlamentares destinadas ao filme Dark Horse.

“Com o objetivo de impedir a produção de danos irreparáveis a processos submetidos à minha relatoria, defiro a tutela provisória para determinar ao Exmo presidente da República, autoridade competente para nomeação do diretor-geral da Polícia Federal, que assegure a imediata reintegração de Andrei Augusto Passos Rodrigues”, escreveu Dino.

No mesmo dia, Fachin suspendeu as decisões que tratavam do afastamento de Andrei, mantendo o chefe da Polícia Federal no cargo. Agora, ao pedir manifestação da PGR, o presidente do STF busca ouvir o órgão antes de novos desdobramentos sobre a validade e os efeitos da medida tomada por Mendonça.

O caso tem impacto político e institucional porque se conecta a investigações sensíveis em curso no Supremo. O senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência da República pelo PL, é investigado em um dos inquéritos que apura o financiamento da cinebiografia Dark Horse.

A crise no STF também se intensificou em meio ao embate entre ministros sobre a condução de inquéritos sob relatoria de Mendonça. À época, o ministro Alexandre de Moraes já havia pedido que o colega fosse investigado pelo que classificou como “indícios de crimes” na condução de apurações, especialmente no caso relacionado ao banco Master.

O despacho de Moraes ocorreu dois dias depois de Mendonça retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal que revelou mensagens de Daniel Vorcaro, dono do banco Master, com o ministro Alexandre de Moraes.

Fonte: Brasil 247

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