Fachin acolhe pedido da PGR e determina que Mendonça libere todos os sigilos do caso Master em até 24 horas

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Por Alexandre BarbosaTVT News

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, acolheu nesta sexta-feira (11) o pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) e determinou que o ministro André Mendonça promova, em até 24 horas, a remessa de todos os procedimentos contidos ou relacionados à Pet 15.556 e à Operação Compliance Zero, bem como o levantamento integral do sigilo desses autos. Entenda a atualização dos sigilos do caso Master com a TVT News.

A decisão atende também a solicitações dos ministros Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin, que enviaram ofícios ao presidente da Corte defendendo o acesso ampliado ao material antes da sessão plenária marcada para a próxima terça-feira (15), quando o STF analisará as investigações e petições ligadas ao caso Master.

A medida representa uma escalada na crise interna do Supremo, que se arrasta desde a noite de quinta-feira (10), quando Mendonça, relator do caso, retirou o sigilo de apenas parte dos procedimentos, mantendo sob confidencialidade documentos considerados relevantes por outros ministros da Corte. A decisão de Fachin ressalva exclusivamente diligências em andamento ou ainda não executadas cuja divulgação possa comprometer a efetividade das apurações.

Vice-PGR pediu a Fachin o levantamento total dos sigilos

O pedido acolhido por Fachin partiu do vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand Filho, que em manifestação enviada ao presidente do STF afirmou que “grande parte” dos procedimentos relacionados à Operação Compliance Zero ficou de fora da lista de processos cujo sigilo foi levantado por André Mendonça.

No documento, o vice-PGR sustentou que a liberação parcial poderia “induzir à ideia equivocada de que a transparência que animou a medida proposta por Vossa Excelência perca, ao fim e ao cabo, o seu sentido último”. Diante disso, requereu “seja determinado o levantamento do sigilo, sem exceção, de todas as peças e procedimentos vinculados à PET 15556”.

A manifestação foi assinada apenas por Chateaubriand. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, que é citado em mensagens trocadas com o banqueiro Daniel Vorcaro, não subscreveu o documento.

Ministro Zanin pediu acesso à totalidade das mídias no celular de Vorcaro

No mesmo dia, o ministro Cristiano Zanin encaminhou ofício a Fachin solicitando que seja disponibilizado em HD específico a íntegra da mídia referenciada na Informação de Polícia Judiciária de Análise (IPJ-A) nº 3298613/2026, incluindo o material que suportou o Laudo nº 4281/2025, extraído do celular de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro dono do Banco Master.

Zanin afirmou que o material está diretamente relacionado ao caso e que a decisão de Fachin para a quebra de sigilo já abrange o conteúdo. O aparelho foi apreendido na primeira fase da Operação Compliance Zero, em 18 de novembro, e contém a íntegra das mensagens que a Polícia Federal atribui a uma suposta interlocução entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.

Em análise publicada na rede social X, o advogado e jornalista Fernando Boscardin destaca que o ofício de Zanin é “o mais revelador até aqui”. Boscardin observa que o ministro não pede o laudo nem a IPJ-A em si, mas “a íntegra da mídia” que suportou o laudo — ou seja, o material bruto por trás da conclusão pericial.

Análise que faço do ofício de Zanin, que entrou no jogo, sobre as supostas mensagens entre Moraes e Vorcaro. Talvez o ofício mais revelador até aqui.

Repare no que ele pede exatamente: não o laudo, não a IPJ-A em si, mas “a íntegra da mídia” que suportou o laudo. Ele não quer a… pic.twitter.com/iQltDZ0lLu

⚖WE THE PEOPLE 🙌 .•. (@Boscardin) September 11, 2026

“Se bastasse confiar no que a Polícia Federal já escreveu sobre as mensagens, o laudo resolveria. Pedir a mídia crua é dizer, sem dizer: ‘não vou votar em cima do relatório de outra pessoa sobre o que o telefone contém, quero ver eu mesmo’”, analisa Boscardin. Para ele, a solicitação registra “por escrito que a versão policial, por si só, não é base suficiente para abrir investigação contra um colega de Corte”.

Moraes lista documentos que não foram liberados e pede a Fachin sessão para análise conjunta

O ministro Alexandre de Moraes também enviou ofício a Fachin no qual afirma que André Mendonça promoveu uma “escolha seletiva” ao cumprir parcialmente a determinação de levantar o sigilo. Segundo Moraes, foram disponibilizadas 4.334 peças de um total de 4.514 existentes no sistema eletrônico do STF, uma diferença de 180 documentos que permaneceram sob confidencialidade.

Moraes apresentou uma tabela detalhada demonstrando o saldo de peças não disponibilizadas em cada procedimento, incluindo o INQ 5.026 (Operação Compliance Zero), que registra 501 peças disponibilizadas contra 586 indicadas no sistema digital, resultando em 85 documentos excluídos.

Além disso, o ministro pediu que seja realizada a análise conjunta das PET 16.704 e PET 16.662, conforme decisão anterior do próprio Fachin que reconheceu “relação de conexão e continência” entre os feitos, sob risco de “decisões contraditórias e de tumulto processual”. Moraes sustenta que o julgamento fracionado “obstaculiza gravemente a análise probatória” e prejudica a apreciação total dos fatos pelos ministros julgadores.

Levantamento de sigilo revelou que Flávio Bolsonaro é investigado por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas

Entre os documentos que se tornaram públicos com o levantamento parcial de sigilo está a informação de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, é investigado no Supremo Tribunal Federal por suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção relacionadas ao financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A investigação foi autorizada pelo ministro André Mendonça em 22 de julho, após pedido da Polícia Federal com concordância da PGR, e tramitava sob sigilo até a decisão de Fachin que determinou a abertura dos autos.

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Registros extraídos do celular de Daniel Vorcaro pela PF apontam contatos, reuniões e cobranças do senador sobre os aportes para o filme. Foto: Reprodução

Segundo relatório da Polícia Federal, mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro mostram a participação direta de Flávio Bolsonaro nas tratativas sobre os aportes para o filme, incluindo reuniões presenciais e cobranças de pagamentos ao longo de 2025. Em um dos áudios, o senador demonstra preocupação com possíveis atrasos nos compromissos assumidos com o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh.

O inquérito busca esclarecer se houve prática de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos correlatos no contexto do financiamento do filme junto ao Banco Master. Flávio Bolsonaro nega irregularidades.

O financiamento da produção também é alvo de uma segunda apuração no STF, sob relatoria do ministro Flávio Dino, que investiga possíveis desvios de emendas parlamentares destinadas ao projeto.

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Fonte: TVT News

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