Extrema direita vence no nordeste da Alemanha e amplia votação em Berlim

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Por Aquiles LinsBrasil 247

247 – O partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) ampliou sua força eleitoral neste domingo (20) em duas importantes disputas regionais alemãs, conquistando entre 37% e 38% dos votos em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental e avançando também na capital, Berlim, de acordo com pesquisas de boca de urna.

Os números foram divulgados pelas emissoras públicas ARD e ZDF e repercutidos pela AFP. As projeções indicam uma nova expansão da AfD poucas semanas depois de a legenda obter uma votação recorde na Saxônia-Anhalt, aprofundando as dificuldades políticas enfrentadas pelo chanceler Friedrich Merz e por seu partido, a União Democrata Cristã (CDU).

Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, no nordeste do país, a AfD aparece na primeira colocação, com 37% a 38%. O resultado representa mais que o dobro dos cerca de 17% conquistados pelo partido na eleição regional de 2021.

O Partido Social-Democrata (SPD), que governa o estado sob o comando de Manuela Schwesig, aparece logo atrás, entre 35,5% e 36,5%. Antes da eleição, pesquisas já mostravam uma disputa apertada entre social-democratas e AfD.

CDU despenca no nordeste alemão

A situação é particularmente difícil para a CDU de Friedrich Merz. As projeções apontam apenas entre 5% e 5,5% dos votos para o partido em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, contra aproximadamente 13% obtidos em 2021.

Caso os números sejam confirmados, será o pior resultado da CDU em uma eleição estadual na Alemanha desde o período posterior à Segunda Guerra Mundial. A legenda permanece muito próxima da cláusula de barreira de 5% necessária para entrar no Parlamento regional.

Antes da votação, pesquisas já indicavam que a CDU poderia sofrer uma derrota severa no estado. O partido aparecia com apenas 6% a 7% das intenções de voto, enquanto AfD e SPD concentravam a disputa pela primeira colocação.

O resultado coloca pressão adicional sobre Merz, que está no comando do governo federal há cerca de 16 meses e enfrenta dificuldades políticas dentro de sua própria coalizão e entre dirigentes democratas-cristãos.

AfD também cresce em Berlim

Na capital alemã, a AfD também avança em relação à eleição anterior. As primeiras projeções indicam votação entre 13,5% e 16%, ante cerca de 9% registrados em 2023.

Embora o crescimento seja expressivo, a disputa pela liderança em Berlim ocorre principalmente entre o partido de esquerda Die Linke e a CDU.

O Die Linke aparece entre 24,5% e 26% dos votos, mais que dobrando os cerca de 12% obtidos três anos atrás. Já a CDU, que venceu a eleição de 2023 com 28,2%, cai para aproximadamente 20%.

Antes da abertura das urnas, levantamentos já apontavam queda dos democratas-cristãos e crescimento da esquerda na capital, onde a crise habitacional, o custo dos aluguéis e as condições econômicas ocuparam posição central na campanha.

Nova demonstração de força da AfD

Os resultados deste domingo ocorrem apenas duas semanas após uma vitória histórica da AfD na Saxônia-Anhalt. Naquela votação, o partido recebeu quase 44% dos votos e terminou pela primeira vez na liderança de uma eleição estadual alemã no período posterior à Segunda Guerra Mundial.

A sequência mostra uma expansão significativa da legenda, especialmente nos estados que integravam a antiga Alemanha Oriental.

Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, a AfD saltou de aproximadamente 17% para até 38% entre as duas eleições estaduais. Em Berlim, a legenda também amplia sua presença, embora permaneça atrás da esquerda e da CDU nas projeções divulgadas após o fechamento das urnas.

A força eleitoral da AfD cria também um impasse para a formação dos governos regionais. Os principais partidos alemães mantêm uma política de não formar coalizões com a legenda, estratégia conhecida no país como “cordão sanitário”.

Eleições aumentam pressão sobre Merz

Os dois pleitos ganharam dimensão nacional devido ao desempenho da CDU e ao momento político vivido pelo chanceler Friedrich Merz.

Antes mesmo da votação, Merz havia convocado uma reunião com dirigentes da CDU para avaliar os resultados e cancelado uma viagem à Assembleia Geral da ONU em Nova York diante da possibilidade de uma crise dentro do partido.

As derrotas deste domingo se somam ao revés sofrido pela CDU na Saxônia-Anhalt e podem ampliar as discussões internas sobre a estratégia política do partido e os rumos do governo federal.

A CDU governa a Alemanha em coalizão com o SPD. Merz tenta avançar com mudanças no sistema de bem-estar social, investimentos nas Forças Armadas e projetos de modernização da infraestrutura, enquanto enfrenta queda de apoio popular e resistência a parte de sua agenda.

Fonte: Brasil 247

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