Brasil merece ter Flávio Dino como presidente após passagem no STF, afirma Felipe Camarão
Por Aquiles Lins — Brasil 247
247 – Felipe Camarão, vice-governador do Maranhão e candidato do PT ao governo estadual, defendeu que Flávio Dino dispute a Presidência da República depois de concluir sua trajetória no Supremo Tribunal Federal (STF). Ex-secretário e ex-aluno do ministro, Camarão afirmou que o magistrado deveria voltar à política quando encerrar sua “missão” na Corte.
A declaração foi dada em entrevista à Folha de S.Paulo, publicada neste domingo (20), na qual Camarão também abordou o rompimento com o governador Carlos Brandão (MDB), a disputa pelo comando do Maranhão e as acusações de interferência política dirigidas a Dino por antigos aliados.
“O Flávio é uma joia da República que tem que ser preservada. Acho que o Brasil merece tê-lo como presidente um dia, depois que acabar a missão dele no Supremo. Acho que ele faz muita falta na política”, afirmou Camarão.
O petista também atribuiu a Dino sua formação política. “O Flávio, para mim, é um exemplo de cidadão, de homem, de jurista. É um brilhante, sempre foi. Tudo que eu aprendi na política foi com ele.”
Trajetórias semelhantes
Camarão destacou ainda as semelhanças entre sua trajetória profissional e a de Dino. Antes de entrar na política, o atual ministro do STF foi juiz federal e professor de Direito da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Camarão é procurador federal e também lecionou na instituição.
“Total. Nesse ponto a gente é muito parecido. Ele, juiz federal, eu, procurador federal. Ele, professor de direito da UFMA, eu também. A diferença foi que ele, como juiz, precisou sair do cargo para ser candidato. Eu continuo procurador, meu cargo permite que eu me afaste e seja candidato. Mas a nossa origem é rigorosamente a mesma”, declarou.
Durante os governos Dino, entre 2015 e 2022, Camarão passou pelas secretarias de Gestão e Previdência, Cultura, Governo e Educação. Dino deixou o governo estadual, foi eleito senador em 2022 e depois licenciou-se do mandato para assumir o Ministério da Justiça no governo Lula. Posteriormente, foi indicado por Lula para o STF.
Racha no grupo político
A aliança construída durante os governos de Dino se desfez após Carlos Brandão, que havia sido vice do atual ministro e o sucedeu no Palácio dos Leões, romper com a ala política mais próxima do ex-governador.
A divisão se aprofundou a partir do fim de 2024. Camarão deixou a Secretaria de Educação após se licenciar para coordenar a campanha de Duarte Jr. à Prefeitura de São Luís e não retornou ao posto.
O conflito extrapolou o Executivo estadual e chegou aos tribunais. Processos de interesse direto da política maranhense passaram a tramitar sob a relatoria de Dino no Supremo, levando integrantes do grupo de Brandão a questionarem a atuação do ministro. Reportagem publicada pela própria Folha neste sábado (19) mostrou que a disputa entre antigos aliados reacendeu críticas e questionamentos sobre a atuação de Dino em casos ligados ao Maranhão; o ministro e seus aliados rejeitam a acusação de interferência política.
Camarão afirmou não ver motivo para que Dino se declare suspeito nesses processos.
“Eu não falo com o Flávio há meses. A gente se encontrou num velório há pouco tempo, se cumprimentou, mas eu evito falar com ele para que ninguém nos acuse de estar fazendo política. Enquanto eu estiver na política, não vou admitir covardia contra Flávio Dino, porque ele não está mais na política para se defender.”
Na sequência, acrescentou: “Se o Flávio estivesse fazendo política com a toga, ele já tinha afastado o Brandão faz tempo, porque elementos tem muitos”.
Rompimento com Brandão
Desde o racha, Camarão perdeu espaço na administração estadual. Embora permaneça formalmente como vice-governador e more na residência oficial destinada ao cargo, afirma não exercer funções na gestão.
Segundo ele, Brandão retirou sua participação em dois conselhos, eliminou gratificações destinadas à equipe da vice-governadoria e chegou a suspender a conexão de internet da residência oficial.
“Ele cortou tudo, até a internet da casa. Uso meu plano pessoal. A única coisa que o Brandão não teve coragem de cortar, eu formalizei [o pedido], foi o gabinete militar, porque eu disse que a minha segurança poderia estar em risco.”
Camarão também atribui ao rompimento político um pedido feito pelo Ministério Público Estadual para afastá-lo do cargo, relacionado à suspeita de participação em um esquema de corrupção envolvendo policiais militares responsáveis por sua segurança. O pedido de afastamento foi suspenso pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). O vice afirma ter sido vítima de uma armação organizada pelo grupo de Brandão.
Disputa pela sucessão no Maranhão
O principal ponto de ruptura entre os dois grupos foi a definição da candidatura ao governo estadual em 2026. Aliados de Camarão afirmam que existia um acordo pelo qual Brandão deixaria o governo para concorrer ao Senado, abrindo caminho para que o vice assumisse o Palácio dos Leões e disputasse a reeleição.
Brandão decidiu permanecer no cargo até o fim do mandato e apoiou a candidatura do sobrinho, Orleans Brandão (MDB).
À Folha, o governador afirmou que desistiu da disputa pelo Senado porque seu grupo político não aceitava entregar o governo ao atual vice.
“Fiz uma reunião e no meu grupo disseram: ‘rapaz, tu vai entregar pro adversário? Aí a gente vai morrer’. Eu tinha toda chance de ser candidato a senador. Se eu fosse pensar em mim, eu tinha sido, mas o grupo não aceitou. Então eu fui para o sacrifício, deixei de ser candidato para salvar o grupo”, declarou Brandão.
Camarão sustenta que sua posição eleitoral seria diferente caso tivesse assumido o governo.
“Acho que a eleição já estaria até definida a nosso favor. Porque hoje estou entre duas máquinas, a da prefeitura da capital [de Braide], e a do governo estadual.”
Na pesquisa mencionada pela Folha, Eduardo Braide (PSD), prefeito de São Luís, aparece à frente, seguido de Orleans Brandão, enquanto Camarão ocupa a terceira colocação.
Defesa do legado de Dino
Apesar de Dino ter deixado formalmente a atividade partidária ao ingressar no Supremo, sua trajetória permanece presente na campanha de Camarão. O programa de governo do petista menciona o ministro repetidas vezes e reivindica a continuidade de políticas implantadas durante sua passagem pelo governo estadual. Em agosto, a Folha contabilizou 16 referências a Dino no documento apresentado pela candidatura.
“A minha candidatura é também para defender o legado que o Flávio deixou no Maranhão e está sendo destruído”, afirmou Camarão.
O candidato também enfrenta dissidências dentro do próprio PT maranhense. Parte das lideranças estaduais apoia Orleans Brandão, enquanto outros integrantes do partido estão no palanque de Eduardo Braide.
“A história vai cobrar no futuro essa posição”, declarou Camarão.
Fonte: Brasil 247