Expedição investiga ilha no Pacífico em busca de destroços do avião de Amelia Earhart
Por Luan Monteiro — Jornal Opção

Quase nove décadas depois do desaparecimento de Amelia Earhart, uma nova expedição tenta encontrar pistas que ajudem a esclarecer o destino de uma das aviadoras mais famosas da história. Pesquisadores da Universidade Purdue e do Instituto do Legado Arqueológico chegaram na segunda-feira, 12, à ilha de Nikumaroro, no Pacífico Sul, para investigar uma formação que pode corresponder a partes do avião pilotado por Earhart em sua tentativa de dar a volta ao mundo, em 1937.
O local, conhecido como Objeto Taraia, foi identificado em imagens de satélite próximas à costa da ilha, que pertence à República de Kiribati. A equipe pretende verificar se a formação tem relação com os destroços de um Lockheed Electra 10-E, aeronave utilizada por Earhart em seu último voo. A expedição reúne 17 pesquisadores e conta com o apoio de outros 17 tripulantes da embarcação Marin Mainiku. Os trabalhos de campo devem durar cinco dias, conforme as condições do mar e das marés.
“É incrivelmente gratificante estarmos tão perto de concluir nossa inspeção do Objeto Taraia e, potencialmente, desvendar, finalmente, o mistério do desaparecimento de Amelia Earhart e Fred Noonan há mais de 89 anos”, afirmou Rick Pettigrew, diretor-executivo do Instituto do Legado Arqueológico e líder da missão, em comunicado à imprensa.
A investigação começará com uma inspeção da superfície da península de Taraia, onde os pesquisadores procurarão objetos e vestígios capazes de ajudar a determinar a origem da formação. Em seguida, a equipe utilizará equipamentos para examinar o fundo da lagoa próxima à costa, onde o suposto material estaria parcialmente encoberto.
Entre os instrumentos previstos está o magnetômetro, que detecta alterações no campo magnético provocadas por determinados metais. Os pesquisadores também utilizarão sonar, tecnologia que emite ondas sonoras para localizar objetos submersos ou escondidos sob sedimentos.
Se os primeiros resultados indicarem a presença de material compatível com uma aeronave, a equipe poderá recorrer a uma draga hidráulica para remover parte dos sedimentos e permitir uma inspeção visual mais detalhada. Estimativas feitas a partir de fotografias aéreas apontam que a formação estaria a aproximadamente três metros da margem, em águas rasas.
A identificação, entretanto, depende de evidências materiais. Para relacionar o objeto ao avião de Earhart, será necessário encontrar características compatíveis com o modelo Lockheed Electra, como o formato das peças, a composição metálica e os padrões de rebites utilizados na montagem da estrutura.
Amelia Earhart conquistou reconhecimento internacional em 1932, quando se tornou a primeira mulher a atravessar sozinha o oceano Atlântico de avião. Cinco anos depois, iniciou uma nova empreitada: dar a volta ao mundo acompanhada pelo navegador Fred Noonan, seguindo uma rota próxima à Linha do Equador.
Em 2 de julho de 1937, os dois decolaram da Nova Guiné em direção à ilha Howland, no Pacífico, onde deveriam reabastecer a aeronave. Eles nunca chegaram ao destino. Durante as buscas, um navio da Guarda Costeira dos Estados Unidos captou transmissões de rádio atribuídas à aviadora, mas nem Earhart nem Noonan foram encontrados.
Uma das últimas mensagens indicava que a piloto tentava seguir uma linha de navegação no sentido norte-sul para localizar terra firme antes que o combustível acabasse. A rota considerada pela expedição passava por Nikumaroro, ilha situada a cerca de 640 quilômetros a sudeste de Howland.
A possibilidade de que a dupla tenha alcançado Nikumaroro é investigada desde o final da década de 1980. Ao longo dos anos, pesquisadores encontraram fragmentos de alumínio e acrílico, além de objetos como um zíper e partes de um canivete. Nenhum desses materiais, porém, foi associado de maneira conclusiva à aviadora ou à aeronave.
Em 1940, restos humanos encontrados na região também foram considerados potencialmente relacionados ao caso. Os ossos, contudo, desapareceram durante a Segunda Guerra Mundial, impossibilitando análises posteriores que poderiam contribuir para esclarecer a identidade da pessoa.
Hipótese divide especialistas
A investigação do Objeto Taraia ganhou impulso depois que um ciclone tropical atingiu a região, em 2015, alterando características da ilha e de sua lagoa. Imagens de satélite obtidas nos anos seguintes revelaram uma formação que, na interpretação de Rick Pettigrew e de sua equipe, apresenta dimensões compatíveis com partes de uma aeronave e pode estar parcialmente soterrada por sedimentos.
A hipótese, entretanto, não é consenso entre os pesquisadores que estudam o desaparecimento. Ric Gillespie, diretor-executivo do Grupo Internacional para a Recuperação de Aeronaves Históricas (TIGHAR), também considera possível que Earhart tenha chegado a Nikumaroro, mas discorda da interpretação de que a formação seja parte do avião.
Em entrevista ao jornal Deutsche Welle, Gillespie avaliou que o objeto identificado nas imagens pode ser uma planta arrancada pela tempestade e carregada pela água até a ilha. Ele também destacou que buscas realizadas na mesma área, em 2001 e 2007, com detectores de metais, não encontraram vestígios relevantes.
A nova expedição deverá verificar se a formação corresponde a material de origem aeronáutica ou se pode ser explicada por outro fenômeno. Até que sejam identificadas características específicas do Lockheed Electra, a hipótese permanece sem comprovação.
Se os pesquisadores conseguirem confirmar a presença de partes do avião, a descoberta poderá representar um avanço importante na investigação sobre o desaparecimento de Amelia Earhart e Fred Noonan. Por enquanto, quase 89 anos depois do último voo, o destino da dupla continua sem uma resposta definitiva.
Leia também
Exposição celebra o mês das mulheres com história de ícones do feminismo
O post Expedição investiga ilha no Pacífico em busca de destroços do avião de Amelia Earhart apareceu primeiro em Jornal Opção.
Fonte: Jornal Opção