Boaventura de Sousa Santos: ‘Medo de Flávio Bolsonaro faz esquerda perder temor de ir às ruas’

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Por João Antonio Cunha — Brasil 247

247 – O sentimento de paralisia que ameaçava tomar conta do campo progressista após os primeiros desdobramentos eleitorais foi superado por uma onda de mobilização nas ruas. É o que aponta o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos em entrevista concedida à TV 247. Para o intelectual, a percepção concreta do risco institucional e de uma hiperconcentração de poder provocou um ponto de virada, transformando o abatimento em militância ativa nas capitais e grandes centros urbanos do país.

“A política do medo e do ódio, implantada pela extrema-direita, virou-se contra eles. As pessoas ficaram com medo da arrogância de quererem controlar tudo — e quando se perde o medo de ir às ruas, ganha-se esperança.”

— Boaventura de Sousa Santos

O protagonismo da juventude e a luta pautada na vida real

Durante o programa, imagens transmitidas do Rio de Janeiro mostraram a praia de Copacabana e as estações de metrô tomadas por manifestantes. Boaventura destacou o papel da juventude nesse movimento espontâneo, traçando um paralelo com grandes mobilizações globais recentes em cidades como Paris, Madri e Nova Deli.

Segundo o sociólogo, as pautas concretas que afetam diretamente o cotidiano dos trabalhadores e dos jovens — como a defesa de condições dignas de trabalho e o fim da escala 6×1 — tornaram-se catalisadores fundamentais de engajamento social.

Sociologia das ausências: o Brasil das grandes cidades versus o interior

Ao analisar o mapa eleitoral, Boaventura aplicou o conceito de “sociologia das ausências” para interpretar os contrastes geográficos do país:

  • Grandes Centros Urbanos: Apresentam forte efervescência democrática, motivada pela diversidade econômica e maior visibilidade das pautas sociais.
  • Interiores e Regiões de Monocultura: Áreas sob forte influência do agronegócio tendem a ser mais sensíveis às instabilidades e crises econômicas internacionais, gerando cenários de maior vulnerabilidade e apelo conservador.

Para o acadêmico, o desafio das forças progressistas é expandir o diálogo além das capitais, ouvindo as ansiedades e demandas específicas das populações do interior do país.

O Brasil como farol geopolítico internacional

Dimensão Impacto da Eleição Brasileira no Cenário Global Resistência à Extrema-Direita Demonstra globalmente que ondas autoritárias e ultraconservadoras não são invencíveis. Bloco BRICS Garante a manutenção de um Sul Global multipolar, soberano e comprometido com a cooperação multilateral. Símbolo Histórico Reafirma o Brasil como referência mundial do Fórum Social Mundial e de experiências de participação popular.

Ao encerrar sua análise, Boaventura de Sousa Santos destacou que os olhos do mundo estão voltados para o processo brasileiro. O resultado das urnas no Brasil não definirá apenas os rumos da política nacional, mas emitirá um sinal decisivo para o futuro das democracias em todo o planeta.

Fonte: Brasil 247

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