Evo repudia desgoverno boliviano que quer “converter serviço militar em servilismo imperial”

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Por Hora do Povo — Hora do Povo

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Ex-presidente boliviano adverte que as Forças Armadas existem para defender as imensas riquezas naturais do país – como o lítio – e não para entregá-las aos Estados Unidos

“Se as Forças Armadas vão estar a serviço dos Estados Unidos, para que enviar nossos filhos ao quartel? O governo de Rodrigo Paz quer converter o serviço militar boliviano em servidão imperial e isso jamais aceitaremos”, afirmou o ex-presidente Evo Morales, durante o programa dominical transmitido pela Rádio Kawsachun.

Morales destacou que o papel das Forças Armadas é fundamental na atual conjuntura política e social que o país atravessa e que há muitos militares patriotas que não aceitam e jamais capitulariam diante da submissão ao estrangeiro. “Nosso Exército tem de cumprir a Constituição e a Lei Orgânica das Forças Armadas (LOFA) que aponta exatamente para a defesa dos recursos naturais – está escrito textualmente”, acrescentou.

Evo apontou que a reação tem sido ampla, sobretudo por parte das mães. Neste momento, esclareceu o ex-presidente, “é uma medida que está sendo tomada em prejuízo do povo”.  “Por que haveríamos de abandonar o quartel agora? E isso já começou, porque em vez de recrutar mil, recrutaram apenas cem em algumas regiões do país. A situação é gravíssima”, condenou.

“POLÍTICA NEOCOLONIAL E SERVIL AOS EUA”

Esta é uma política arbitrária que o líder descreveu como “neocolonial e servil aos interesses dos Estados Unidos sob a administração do governo Rodrigo Paz”, uma vez que o papel das Forças Armadas é crucial para o presente e para o futuro da nação.

O ex-presidente fez um apelo ao institucionalismo militar para que permaneça ao lado do povo e garanta a proteção dos recursos da Mãe Terra. “Há homens militares patriotas que defenderão nossos recursos naturais”, reiterou o ex-dirigente do Movimento ao Socialismo, convocando as agências de aplicação da lei a cumprir rigorosamente o que está estabelecido na Constituição Política do Estado para cumprir seu papel histórico.

NÃO AO CAPACHISMO INERENTE AO “ESCUDO DAS AMÉRICAS DE TRUMP”

Da mesma forma, Evo questionou diretamente a interferência do chamado “Escudo das Américas” nas estruturas militares e policiais da Bolívia, rechaçando a presença e as instruções das forças estrangeiras no território nacional. Segundo o dirigente, os treinamentos supostamente destinados a combater o crime organizado buscam unicamente criminalizar os movimentos sociais com as falsas “etiquetas de narcoterrorismo”.

“O Escudo das Américas é liderado pelos Estados Unidos, um país que sobrevive graças à instalação de intervenções e guerras no mundo e que também é o maior devedor da economia mundial”, destacou o ex-presidente, para quem tais ações respondem a um mecanismo de pressão diante da crescente “aversão dos bolivianos em relação às medidas econômicas neocoloniais”.

Finalmente, Evo condenou as recentes declarações do ministro da Presidência, Fernando Aramayo, que solicitou a intervenção da Organização dos Estados Americanos (OEA) e o apoio da sua rede policial para “gerir o ordenamento público interno”, defendendo a necessidade da sociedade boliviana permanecer alerta em relação às retrógradas “políticas de segurança e defesa” anunciadas pelo atual Executivo.

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Fonte: Hora do Povo

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