EUA preparam termos para negociar tarifaço com Brasil somente após as eleições

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Por Paulo Emilio — Brasil 247

247 – A negociação entre Brasil e Estados Unidos sobre o tarifaço de 37,5% imposto pelo governo de Donald Trump ganhou um novo passo com o compromisso de Washington de colocar por escrito as exigências que pretende levar à mesa. A expectativa do lado brasileiro é que o documento seja apresentado nas próximas semanas e estabeleça parâmetros para as conversas comerciais.

Segundo reportagem da jornalista Mariana Sanches, do UOL, o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, assumiu o compromisso durante uma reunião com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o chanceler Mauro Vieira. O encontro ocorreu à margem da reunião ministerial do G20, em Milwaukee, no estado de Wisconsin.

De acordo com Elias Rosa, Greer não estabeleceu uma data precisa, mas a avaliação brasileira é que o documento deverá chegar em três ou quatro semanas, provavelmente no início de novembro.

“Greer me disse: ‘esse é meu dever de casa’, fazer esse documento de referência pra gente poder trabalhar a partir daí”, afirmou Elias Rosa ao UOL.

O encontro representou a primeira reunião presencial bilateral de alto nível desde que os Estados Unidos anunciaram, em julho, o tarifaço de 37,5% contra produtos brasileiros.

A sobretaxa alcança cerca de 20% dos produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos e afeta particularmente setores como têxteis, calçados e móveis de madeira.

Segundo Elias Rosa, o representante comercial estadunidense demonstrou disposição para tentar impulsionar um acordo comercial entre os dois países até dezembro. O ministro brasileiro reconheceu, porém, que a complexidade e a amplitude da negociação tornam difícil a concretização de um entendimento nesse prazo.

“Foi a reunião mais positiva que tivemos”, disse Elias Rosa.

Documento deve delimitar exigências dos EUA

Um dos principais interesses brasileiros na atual etapa das conversas é estabelecer previamente quais serão as reivindicações de Washington.

Os negociadores brasileiros querem que os Estados Unidos detalhem por escrito os setores envolvidos, as tarifas que pretendem discutir, as condições relacionadas às exportações, as questões de competitividade e os mercados que deverão integrar as tratativas.

Na avaliação brasileira relatada pelo UOL, a formalização das demandas permitiria delimitar o alcance da negociação e evitar que novas exigências fossem acrescentadas sucessivamente à medida que Brasília fizesse concessões.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem se queixado, segundo a reportagem, de uma dinâmica na qual os estadunidenses apresentam reivindicações em sequência e “embolsam” concessões sem estabelecer previamente todos os pontos que pretendem discutir.

É justamente esse modelo de negociação que o governo brasileiro procura evitar ao cobrar um documento de referência antes do aprofundamento das conversas.

Tarifas continuam durante as negociações

Apesar do avanço representado pela promessa de formalização das demandas estadunidenses, Washington não concordou com uma das reivindicações apresentadas pelo Brasil.

Greer não aceitou o pedido para suspender a aplicação das tarifas de 37,5% durante o período de negociação.

Até a publicação da reportagem, nem o representante comercial nem o USTR, órgão comandado por ele, haviam divulgado comentários públicos sobre o conteúdo do encontro com os representantes brasileiros.

A reunião também ocorreu a poucos dias do primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras. Segundo a reportagem, não havia expectativa de um anúncio mais substantivo nesse momento, e as negociações devem ganhar uma nova etapa depois do processo eleitoral.

A avaliação é de que setores da administração Trump já demonstraram preferência pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversário do presidente Lula na disputa presidencial. O contexto eleitoral, portanto, integra o ambiente político no qual as conversas comerciais estão ocorrendo, embora o compromisso assumido por Greer seja de natureza comercial.

Big techs, etanol e terras-raras entram no radar

O documento prometido pelos Estados Unidos poderá revelar a extensão das reivindicações que Washington pretende apresentar ao Brasil.

Entre os assuntos que o governo brasileiro espera encontrar estão questões relacionadas à regulação das big techs e medidas destinadas a facilitar o comércio de produtos industriais, eletroeletrônicos e químicos.

O etanol, que já esteve no centro de outras negociações comerciais entre os dois países, também deverá voltar à pauta.

Outro tema esperado é o interesse estadunidense nas terras-raras existentes no território brasileiro, tanto na exploração dos recursos minerais quanto nas etapas de processamento e refino.

Fonte: Brasil 247

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