Denúncias de assédio eleitoral no trabalho disparam antes do 1º turno

0

Por João Antonio Cunha — Brasil 247

247 – O Ministério Público do Trabalho (MPT) recebeu 738 denúncias de assédio eleitoral no ambiente de trabalho até quarta-feira (30). O número representa um crescimento de 231% em relação ao mês anterior.

Até agosto, haviam sido registradas 223 denúncias, o que significa que os casos mais que triplicaram em apenas um mês. Apesar do aumento recente, o total ainda está abaixo do registrado nas eleições de 2022, quando o MPT recebeu mais de 3,3 mil denúncias. Naquele pleito, o número havia sido 1.600% maior do que o contabilizado em 2018.

Desde 2023, a Justiça do Trabalho registrou 823 processos relacionados a assédio eleitoral em todo o país. Desse total, 189 foram cadastrados em 2026. O levantamento considera processos registrados com esse assunto e não significa que a prática tenha sido reconhecida pela Justiça em todos os casos.

Os dados integram o Painel Nacional de Monitoramento do Assédio Eleitoral (PNMAE), criado para identificar e acompanhar ocorrências relacionadas à prática na Justiça do Trabalho.

Pressão eleitoral também chega ao WhatsApp

A pressão por posicionamentos políticos no ambiente profissional não se limita ao espaço físico das empresas. Pesquisa do Centro de Pesquisas Judiciárias (CPJ) do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e do Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT) identificou ocorrências também em mensagens, grupos e redes sociais.

O estudo analisou 138 processos ajuizados até dezembro de 2025. O WhatsApp apareceu em 37% das ações como meio utilizado para a prática de assédio eleitoral, enquanto as redes sociais foram citadas em 14,5% dos casos.

Os pesquisadores também encontraram situações envolvendo manifestações verbais, comunicados, mecanismos psicológicos, mobilizações obrigatórias e ameaças ou vantagens econômicas relacionadas à escolha política.

Uma segunda etapa da pesquisa analisou uma amostra quantitativa maior, formada por 688 processos ajuizados até junho de 2026. Em 32,1% deles havia dois ou mais réus. Em um dos processos, 19 pessoas foram apontadas como praticantes de assédio eleitoral.

Entre os réus estavam, além de empregadores, tomadores de serviços, sócios, administradores e gestores. Na amostra qualitativa, 88% das ações foram apresentadas por trabalhadores. Desse grupo, 57% eram homens e 43% mulheres. O MPT foi responsável por 12% dos processos.

A prática pode envolver pressão pelo voto, ameaças de demissão, promessa de benefícios ou exigência de participação em atividades de campanha. As ocorrências também podem acontecer por meio de WhatsApp e redes sociais.

Fonte: Brasil 247

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *