EUA diz que Brasil falhou no combate ao tráfico e cita PCC e Comando Vermelho
Por Vinícius Nunes — Carta Capital
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Em determinação enviada ao Congresso, governo Trump afirma que as facções transformaram o Brasil em um centro de circulação global de cocaína
O governo dos Estados Unidos afirmou em manifestação divulgada nesta quarta-feira 16 que o Brasil “falhou em confrontar” o PCC e o Comando Vermelho , organizações que Washington classificou como terroristas . A avaliação consta da determinação presidencial sobre os principais países de trânsito ou produção de drogas no ano fiscal de 2027, enviada ao Congresso norte-americano.
No documento, a administração de Donald Trump afirma que as duas facções “transformaram o Brasil em um centro para os fluxos globais de cocaína” e diz que os grupos representam uma ameaça crescente à segurança internacional.
Na sequência, o texto afirma que PCC e CV “são uma ameaça crescente à paz e à segurança em todo o mundo” e cobra que o governo brasileiro adote medidas para derrotá-las “antes que elas se espalhem e cresçam”.
A menção ao Brasil aparece em um documento que identifica países considerados grandes pontos de trânsito ou produção de drogas. O Brasil, porém, não aparece na lista principal de países classificados pelos EUA nessa categoria . O próprio documento ressalva que a presença de um país na relação não significa necessariamente uma avaliação negativa sobre os esforços atuais de seu governo no combate às drogas.
A cobrança do governo norte-americano ocorre meses depois de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) levar o tema diretamente à Casa Branca . Em 26 de maio, durante encontro com Trump em Washington, o senador afirmou ter pedido ao presidente que PCC e Comando Vermelho fossem incluídos na lista de organizações terroristas dos Estados Unidos.
Três dias depois, em 29 de maio, os EUA oficializaram a classificação das duas facções como “Terroristas Globais Especialmente Designados” . A medida foi anunciada pelo Departamento de Estado.
Na ocasião, a pasta afirmou que a classificação fazia parte da estratégia do governo Trump de “desmantelar cartéis e organizações criminosas em nossa região e garantir a segurança do povo americano”.
A determinação divulgada nesta quarta-feira retoma esse enquadramento e amplia a cobrança sobre o governo brasileiro. O documento afirma que outros governos da região adotaram medidas contra o tráfico e o chamado narcoterrorismo, enquanto atribui ao Brasil uma atuação insuficiente diante das duas facções.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) e o influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo. Foto: Reprodução/redes sociais
A nova manifestação também ocorre no momento em que Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo estão em Washington para reuniões com integrantes do governo Trump. A dupla tem encontros com membros do Departamento de Estado para tratar da crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal e, especificamente, do julgamento realizado na terça-feira 15 sobre a possibilidade de investigação de Alexandre de Moraes . As agendas devem continuar na quinta-feira, com reuniões previstas na Casa Branca.
Eduardo havia afirmado, após a sessão do STF, que pretendia levar aos Estados Unidos os registros do julgamento e que esperava uma “nova rodada de sanções”.
Durante a sessão de terça-feira, o ministro Flávio Dino mencionou as informações sobre eventuais sanções e defendeu que o pronunciamento feito por Cármen Lúcia fosse encaminhado ao presidente Lula (PT) e ao Itamaraty. Segundo Dino, a medida poderia contribuir para uma interlocução institucional com os Estados Unidos em meio às ameaças de novas punições.
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A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.
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Fonte: Carta Capital