EUA deixam últimas bases no Iraque e abrem espaço para aliados do Irã
Por Redação Brasil 247 — Brasil 247
247 – As forças dos Estados Unidos devem sair de suas últimas bases no Iraque até quarta-feira (30), em uma retirada celebrada por grupos armados ligados ao Irã. Segundo a Reuters, autoridades de segurança iraquianas alertam que a perda do apoio militar americano também pode favorecer a reorganização de células do Estado Islâmico.
A saída foi acertada em 2024, durante o governo de Joe Biden, e está sendo executada pela administração de Donald Trump em meio à guerra dos EUA contra o Irã. A Reuters relata que a retirada encerra a presença nas bases de um país onde cerca de 4.500 militares americanos morreram ao longo de mais de duas décadas de conflito.
Para Jasim al-Bahadli, analista iraquiano especializado em grupos xiitas alinhados a Teerã, a mudança altera o equilíbrio de forças no país. “O Irã tem a ganhar estrategicamente com a saída da coalizão, pois isso elimina uma presença militar que, durante anos, serviu de contrapeso à influência de Teerã no Iraque”, afirmou. Ele avalia que os grupos armados tentarão converter a retirada em maior participação nas decisões políticas e de segurança.
Abu Mojtaba al-Yasiri, comandante da Resistência Islâmica no Iraque, organização que reúne facções apoiadas pelo Irã, classificou a saída americana como “uma vitória histórica para os grupos de resistência islâmica iraquianos e para os iraquianos honrados, e uma derrota esmagadora para o projeto americano”. À Reuters, disse: “Em 30 de setembro, celebraremos o virar de uma página sombria da história do Iraque e o fracasso da ocupação em impor sua vontade ao nosso país.”
A retirada tem amplo apoio entre os iraquianos, mas seu ritmo provoca preocupação. “Acreditamos que o Iraque ainda não está plenamente preparado para assumir a responsabilidade pela segurança neste momento”, disse Abdulrahman al-Zobaie, líder tribal sunita em Fallujah. “Todos os iraquianos almejam a plena soberania, e nenhum iraquiano contestaria isso. Mas acredito que a saída da coalizão liderada pelos EUA dessa forma, criando um vazio, é o que todos os iraquianos temem.”
O risco de uma retomada do Estado Islâmico é apontado por autoridades do governo federal iraquiano e da região curda semiautônoma, no norte. Embora o grupo tenha perdido o território que controlava no Iraque, mantém uma rede de células clandestinas. No auge de sua expansão, chegou a ocupar um terço do país.
O comandante curdo Sirwan Barzani afirmou que a falta de inteligência, apoio logístico e drones americanos poderá facilitar a reorganização dos extremistas. “Há mais de duas semanas, temos observado movimentação de células adormecidas do Estado Islâmico, depois que foi anunciado publicamente que haveria uma retirada oficial da coalizão internacional do Iraque até o fim de setembro”, disse. Segundo ele, a notícia elevou o moral dos integrantes do grupo.
Forças de segurança iraquianas informaram ter identificado uma suposta célula que preparava atentados suicidas para coincidir com a retirada. O coronel Khalid al-Bayati, autoridade de segurança em Kirkuk, afirmou que o Estado Islâmico “busca transmitir a mensagem de que o grupo ainda é forte e capaz de realizar ataques sangrentos”.
Os Estados Unidos invadiram o Iraque em 2003 e retiraram suas tropas ao fim de 2011. Os militares retornaram menos de três anos depois para apoiar as forças iraquianas na campanha contra o Estado Islâmico, entre 2014 e 2017. Desde então, Bagdá manteve relações políticas e militares próximas tanto com Washington quanto com Teerã, enquanto confrontos entre forças americanas e grupos apoiados pelo Irã ocorreram em território iraquiano.
A guerra deste ano contra o Irã voltou a expor essa posição do Iraque. Dos 18 militares americanos registrados como mortos no conflito, sete estavam no país. O mais recente era um sargento do Exército que morreu em julho durante a detonação controlada de um drone em uma base próxima a Erbil.
Fonte: Brasil 247