EUA criam 29 mil vagas de trabalho em setembro com forte desaceleração no ritmo de contratações

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Por Guilherme Levorato — Brasil 247

247 – O crescimento do emprego nos Estados Unidos registrou uma desaceleração mais expressiva do que o previsto no mês de setembro, embora o movimento não sinalize uma mudança estrutural significativa no mercado de trabalho norte-americano, uma vez que a fraqueza pontual decorre de uma peculiaridade do calendário.

De acordo com o relatório de emprego divulgado pelo Departamento do Trabalho nesta sexta-feira (2), foram criados apenas 29 mil postos de trabalho fora do setor agrícola no mês passado. O resultado representa uma queda acentuada frente à criação de 133 mil vagas registrada em agosto, número que foi revisado para baixo em relação à leitura anterior.

A variação surpreendeu os analistas financeiros. Economistas consultados pela agência de notícias Reuters projetavam a abertura de 90 mil vagas no período, após um aumento de 162 mil em agosto informado na divulgação original. As projeções do mercado variavam entre uma estimativa mínima de 35 mil e máxima de 180 mil postos de trabalho.

A explicação para o fraco desempenho do mês e para a revisão negativa do mês anterior está associada à volatilidade dos fatores de ajuste sazonal, o modelo estatístico empregado pelo governo para expurgar dos dados as oscilações sazonais. Economistas destacaram que a geração de empregos costuma ficar aquém do esperado sempre que o feriado do Dia do Trabalho cai mais tarde no mês, como ocorreu neste ano, quando a data foi celebrada em 5 de setembro. Apesar do número fraco, não há indicativos de um aumento generalizado nas demissões pelo país.

Nessa linha, os pedidos iniciais de seguro-desemprego continuam figurando nos menores patamares registrados em 57 anos. O quadro reflete a sustentação proporcionada pelo forte crescimento dos lucros das companhias e pela resiliência apresentada pela demanda interna dos Estados Unidos.

Ainda assim, economistas alertam para os ventos contrários que ganham intensidade. A avaliação é que os impactos decorrentes da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã — incluindo a disparada nos preços da energia e os gargalos nas cadeias globais de suprimentos — comecem a afetar o mercado de trabalho até o final deste ano e ao longo de 2027.

Atualmente, os preços do combustível diesel atingiram níveis recordes e já ameaçam pressionar os custos produtivos para além dos segmentos de transporte e agricultura. Outro fator de preocupação reside na manutenção de tarifas comerciais. Dados de uma pesquisa do Instituto de Gestão de Suprimentos divulgados na quinta-feira (1º) apontam um crescimento na ansiedade entre os fabricantes norte-americanos em razão da guerra comercial travada com o Canadá.

Em relação ao indicador de desocupação, a taxa de desemprego teve uma leve alta, subindo de 4,1% em agosto para 4,2% em setembro, permanecendo em um patamar historicamente baixo. O indicador se mantém contido em grande parte pela redução na oferta de mão de obra, impulsionada pelas aposentadorias e pelas políticas de repressão à imigração promovidas pelo governo Donald Trump. Estimativas de economistas indicam que a economia norte-americana precisa gerar entre 50 mil e 80 mil novos empregos por mês para acompanhar a expansão da população em idade ativa.

No âmbito da política monetária, o Banco Central dos Estados Unidos elevou sua taxa básica de juros de curto prazo em 0,25 ponto percentual no mês passado, fixando-a na faixa de 3,75% a 4%. O movimento marcou a primeira elevação dos juros em três anos, acompanhado de sinalizações sobre novos aumentos nos custos dos empréstimos.

Apesar da sinalização da autoridade monetária, as apostas em uma nova alta dos juros ainda neste mês arrefeceram após as leituras da inflação de julho e agosto virem abaixo do projetado. Antes da publicação do relatório oficial de empregos, a precificação dos mercados financeiros atribuía cerca de 22% de chance para um novo aperto monetário na reunião marcada para 27 e 28 de outubro, ante uma probabilidade de aproximadamente 69% registrada uma semana antes, segundo dados da ferramenta de monitoramento do Grupo CME.

Fonte: Brasil 247

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