“Estudamos para salvar vidas”: tentativa de feminicídio mobiliza universitárias no Uruguai
Por Planeta Ella — Mídia NINJA
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O ataque contra uma jovem da Faculdade de Medicina provocou mobilizações em Montevidéu e reacendeu o debate sobre segurança, assédio e desigualdade de gênero nos espaços educativos.
A Justiça do Uruguai decidiu acusar formalmente o estudante de 19 anos que esfaqueou uma colega da Faculdade de Medicina da Universidade da República (Udelar) no dia 1º de setembro. Com a decisão da juíza Verónica Pena, em audiência realizada na quarta-feira (16), o jovem passa a responder por tentativa de feminicídio.
O promotor Luis Pacheco explicou que a acusação se baseia em detalhes do crime, como a arma usada, o número de facadas e o fato de os golpes terem atingido regiões vitais do corpo da vítima. Para ele, isso demonstra intenção de matar. Segundo o promotor, as provas também apontam ódio e desprezo pelo fato de a vítima ser mulher, o que configura o feminicídio. Se o crime tivesse sido consumado, a pena mínima seria de 15 anos. Como foi tentativa, o mínimo é de cinco anos de prisão. O agressor ficará em prisão preventiva por 180 dias. Nos primeiros 30, por recomendação de peritos psiquiatras, será internado no Hospital Vilardebó. Os laudos indicam que ele entende que seus atos são ilícitos, mas tem sérias dificuldades de autocontrole, e uma nova perícia pode ser necessária.
Na audiência, a Promotoria apresentou que o jovem tentou se aproximar da vítima várias vezes e que, neste semestre, procurou entrar no grupo de estudos dela. Segundo a investigação, o ataque foi planejado. Para reunir provas, a Polícia examinou celulares e ouviu muitos estudantes, familiares e antigos colegas do colégio onde ele estudou. Depois do ataque, outra estudante da faculdade denunciou o mesmo jovem por assédio. Segundo o promotor, essa denúncia será investigada junto ao caso principal.
Após o ataque, estudantes ocuparam as ruas de Montevidéu para exigir justiça e denunciar a violência machista, transformando a indignação em mobilização coletiva: “Estudamos para salvar vidas, não para nos despedir de companheiras”, afirmaram.
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Fonte: Mídia NINJA